Quarta-feira, 12 _ Agosto _ 2026, 11:53
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Na ESAD.CR, quem ensina a criar?

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No próximo dia 5 de Junho assinala-se o “Dia Mundial do

Manuel Bandeira Duarte
Designer e artista

Há lugares que ensinam uma profissão, outros ensinam uma forma de olhar para o mundo e, para mim, a ESAD.CR corresponde a esta segunda natureza. Não aprendi só sobre técnicas, metodologias e linguagens visuais. Do decorrer do meu percurso enquanto aluno desta instituição de ensino, aprendi e percebi que a criatividade não nasce de um rasgo de inspiração, mas sim do confronto, da dúvida, da crítica, da conversa e, sobretudo, de pessoas.
Quando se fala de uma escola artística, fala-se muitas vezes dos edifícios, dos cursos, dos projetos e dos prémios. Tudo isto é importante, mas uma escola nunca é só um “isto”. A escola é feita dos alunos e, acima de tudo, dos professores. São eles quem desafiam uma ideia demasiado fácil, quem insiste numa segunda versão quando todos já dariam o trabalho por terminado, quem elucida que a ideia mais perigosa de um criativo é acreditar que já encontrou a resposta certa.
Acompanho, com preocupação, as notícias sobre a situação que a ESAD.CR atravessa e a instabilidade vivida por muitos dos seus docentes. Não conheço todos os detalhes, nem me compete pronunciá-los, mas estou ciente de uma verdade que não precisa de relatórios para ser compreendida: quando uma escola perde estabilidade, perdem os estudantes e, neste caso, perde também a própria criatividade.
Vivemos num tempo em que se fala constantemente de inovação. As empresas procuram pessoas criativas, as cidades querem atrair talento… mas, ao mesmo tempo, parecem esquecer-se de um pormenor: a criatividade também precisa de condições para ser ensinada. Não basta pedir mais inovação, é preciso cuidar de quem a cultiva todos os dias. A ESAD.CR não é só uma escola nas Caldas. Muitos dos artistas, designers, ilustradores, fotógrafos e criadores que hoje trabalham em Portugal, ou no estrangeiro, passaram por aqui. Muitos ficaram, abriram os seus espaços criativos, criaram empresas, ensinaram outros e alimentaram uma dinâmica cultural que distingue e define a contemporaneidade das Caldas e de tantas outras cidades.
Quando se fragiliza uma escola assim, não se está só a pôr em causa uma instituição de ensino superior, está a pôr-se em causa um ecossistema criativo construído ao longo de décadas. É sobre tudo e todos os que fazem parte, sem tirar nem pôr. A ESAD.CR não produz só diplomados, produz pensamento crítico, cultura, identidade, futuro e inovação – é algo que leva tempo. Criar continua a ser muito mais do que produzir. Talvez devêssemos questionar: quando se discute o futuro da ESAD.CR, estamos apenas a falar de uma escola, ou estamos, também, a decidir a importância que damos à criatividade na construção do nosso próprio futuro?

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