InícioOpiniãoSempre o Mar. Sempre o Futuro. Sempre com e para as pessoas.

Sempre o Mar. Sempre o Futuro. Sempre com e para as pessoas.

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António José Correia
Ex-Autarca

Há um ano iniciei, nestas páginas da Gazeta das Caldas, a rubrica Sempre o Mar, com um propósito muito claro: refletir sobre o oceano, o mar, a água, a náutica e o turismo náutico, promovendo uma cultura de mar mais sustentável, inclusiva e orientada para o desenvolvimento local e regional.

Escrevi então que pretendia construir pontes entre o quotidiano e os grandes desígnios nacionais, regionais e sub-regionais, inspirados por documentos estratégicos para o mar, o turismo e o desenvolvimento do território. Olhando para trás, continuo a acreditar que esse foi o caminho certo.

Ao longo deste ano de colaboração, que agora termina, passaram por aqui pescadores e surfistas, cientistas e investigadores, atletas e treinadores, professores e estudantes, empresários e autarcas, voluntários e peregrinos.

Mais do que escrever sobre o mar, escrevi sobre pessoas.

Histórias diferentes, mas unidas por um mesmo horizonte: o mar.

Falámos da governação internacional dos oceanos, da recuperação da sardinha ibérica e da pesca sustentável, dos extraordinários documentários Ocean e Gorringe, do surf e das ondas gigantes da Nazaré, da canoagem, dos clubes náuticos e dos seus atletas, do Caminho Marítimo de Santiago, das Estações Náuticas de Portugal, da memória de Ferrel contra o nuclear, da literacia do oceano, da inovação, da economia azul e do papel crescente da ciência na valorização dos recursos marinhos.

Poderia parecer um conjunto de temas dispersos.
Não era.
Era, afinal, uma única história.

A história de um território que aprendeu a olhar para o mar não como um limite geográfico, mas como a sua maior oportunidade de desenvolvimento.

Hoje, mais do que nunca, Peniche e o Oeste vivem um momento particularmente estimulante. A Bienal do Mar, o Smart Ocean, o Hub Azul, a criação da Universidade de Leiria e do Oeste, a afirmação internacional da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, a Rede das Estações Náuticas, a força do surf, da pesca, do turismo náutico e das empresas ligadas ao mar mostram que existe uma estratégia que importa consolidar.

Mas o futuro não acontece por decreto.

Constrói-se.

Constrói-se com conhecimento, inovação e investimento. Constrói-se com políticas públicas consistentes. Constrói-se através das empresas, das universidades, dos municípios, das associações e dos clubes. Constrói-se envolvendo os jovens, porque serão eles a dar continuidade ao trabalho das gerações anteriores.

Ao longo deste ano procurei deixar uma mensagem simples: proteger o oceano não é incompatível com o desenvolvimento. Pelo contrário. É precisamente essa proteção que permitirá criar oportunidades económicas, científicas, culturais e sociais.

O mar continuará a ser o maior ativo estratégico de Peniche, do Oeste e de Portugal.

Mas o maior recurso não está apenas no oceano.

Está nas pessoas que todos os dias o estudam, trabalham, protegem, ensinam, navegam e sonham.

Foi nelas que pensei quando escrevi cada uma destas crónicas. E é nelas que continuo a acreditar.

À Gazeta e a todos os leitores que me acompanharam ao longo deste ano, o meu sincero obrigado por continuarem a acreditar que o mar merece estar no centro da nossa reflexão coletiva.

Continuarei a também acreditar que o futuro dos territórios costeiros se fará com mais conhecimento, mais cooperação e mais mar.

Porque o mar faz parte da nossa identidade.

Mas, sobretudo, porque faz parte do nosso futuro.

O mar é o recurso. As pessoas são a força. A cooperação é o caminho. ■

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