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Exposição fotográfica quer valorizar mercados municipais

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As 10 fotografias estão dispostas pelo mercado

Maria Idalina Robalo dos Santos, de 75 anos, vende diariamente peixe no mercado das Caldas da Rainha desde criança. Lembra-se que, com 10 anos, já vendia na então Praça do Peixe, na Praça 5 de Outubro.
Desde há um mês que deixou de poder vender, devido a um problema de saúde, mas vem todos os sábados de manhã ao mercado do peixe, porque tem “saudades do povo das Caldas, com quem vivo mais do que com o da Nazaré”, de onde é natural. A vendedora foi uma das 10 fotografadas no âmbito da exposição “Olhares dos Mercados – Identidade, Frescura e Diversidade”, com curadoria de Sérgio Bruno Brandão, e integrada na campanha “Maio, Mês dos Mercados”, promovida pela SIMAB – Sociedade Instaladora de Mercados Abastecedores.
A mostra encontra-se patente em 20 mercados de todo o país, entre eles o das Caldas, onde a fotografia da mais antiga vendedora de peixe deste mercado está colocada na banca da filha, também ela ali vendedora de peixe. Na inauguração, que decorreu no passado sábado, Beatriz Catarino, da SIMAB, partilhou que esta entidade está a trabalhar com o Banco Europeu de Investimento numa linha de financiamento, de cerca de 100 milhões de euros, para a reabilitação, a revitalização dos mercados municipais. “Não queremos esquecer tudo aquilo que os mercados foram e são, mas queremos também olhar para o futuro e para aquilo que os mercados podem ser”, disse, acrescentando que a linha de financiamento compreende a realização de obra, mas também a dinamização e a comunicação destes espaços.
O presidente da Câmara, Vítor Marques, começou por destacar a resiliência e competência dos vendedores do mercado caldense, que permite uma “oferta diferenciadora” através da qualidade do produto. O mercado do peixe, tal como a praça da Fruta, acabam por ser “locais de encontro, diferente daquilo que se faz muitas vezes nos supermercados”, um fator importante na vivência das cidades, destacou.
Para Vítor Marques os mercados municipais “continuam hoje a ter uma importância absolutamente essencial, sobretudo em cidades como as Caldas da Rainha, onde o comércio, os serviços, a proximidade e a vivência do espaço público têm um peso tão significativo na identidade e na economia local”. E acrescenta: “são aquilo que nenhuma grande plataforma digital consegue substituir, o contacto direto, o conhecimento de quem vende, a qualidade de quem produz e a ligação às nossas raízes”, destacando que estes “precisam de continuar vivos”. Para isso, é necessário investir neles, criar melhores condições para quem ali trabalha diariamente e valorizar o papel dos comerciantes, produtores e trabalhadores, assumiu.

Mais dinamização dos mercados
De acordo com Vítor Marques, a autarquia irá continuar a fazer pequenas obras de manutenção e serão criadas outras ofertas comerciais nos espaços do mercado que atualmente se encontram devolutos. Para além disso, pretendem dinamizar outras atividades, de índole cultural, no período em que não está a ser utilizado como mercado do peixe.
A autarquia irá reunir com a Associação Internacional dos Mercados Históricos, em Florença (Itália), a 18 de junho, com o objetivo de tentar integrar também a Praça da Fruta nesta rede europeia.
Ainda no mês de junho, no dia 27, será realizada uma sardinhada na Rua Capitão Filipe de Sousa, que durante esse dia estará fechada ao trânsito. “Haverá assadores na rua e as pessoas podem virão vir comprar o peixe no mercado ou carne no talho, e depois conviverem”, referiu sobre o evento que contará também com a animação das marchas populares de A-dos-Francos e do Monte Olivett.
Em projeto está a intenção da autarquia em tornar esta rua pedonal, que será em breve apresentado à Assembleia Municipal.

A foto da vendedora no mercado das Caldas junto da banca da filha Maria Idalina Robalo dos Santos, de 75 anos

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