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Hermínio de Oliveira faria 100 anos

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A família de Hermínio de Oliveira organizou esta sessão que teve vários momentos emotivos quando falaram familiares e amigos do homenageado

Caldense foi recordado em sessão emotiva, por muitos familiares e amigos

Foi assinalado o centenário de nascimento de Hermínio Martins de Oliveira, a 9 de maio, no Céu de Vidro com uma exposição sobre este caldense, homem dos “sete” ofícios: político (foi fundador do PS) , escritor, comerciante, alfaiate, declamador, cronista, radialista, deputado e autarca, que foi alvo de várias homenagens ao longo da sua vida. Hermínio de Oliveira faleceu em 2018, aos 92 anos. A família do homenageado – e cujo centenário de nascimento aconteceu a 5 de maio, – organizou a sessão e a exposição que esteve patente na Sala Cinzenta durante este dia. A homenagem ficou marcada pela emoção e pelas memórias de uma personalidade, querida e respeitada pela comunidade caldense.

A mostra deu a conhecer a parte mais pessoal e familiar de Hermínio de Oliveira “assim como o seu lado de avô e de bisavô já que ainda conheceu três dos seus cinco bisnetos”, disse Sofia Serrenho, uma das netas do homenageado acrescentando que este foi sempre um avô e bisavô, “extremoso e presente”.

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As profissões que Hermínio de Oliveira também estiveram representadas com muitos instrumentos de alfaiataria assim como prensas do seu trabalho de encadernador.

Além da mostra a tarde contou com testemunhos vários. A sessão de homenagem abriu com intervenções dos filhos Carlos e Anabela que apresentaram o pai relembrando os valores que regiam a sua vida, como honestidade, integridade e vários familiares foram pendurando as palavras nas paredes daquele espaço.

Carlos Oliveira, o filho, disse à Gazeta que a cerimónia foi organizada sobretudo pelo netos e depois todos acabaram oor colaborar. “Creio que é um momento bonito onde se junta os familiares e amigos”. O filho recorda que o seu pai sempre foi um homem convicto que não abdicava dos seus princípios. E lembrou que o anterior presidente da Câmara, atual presidente da Assembleia Municipal, a primeira coisa que fazia quando abria a Gazeta das Caldas “era ir ver que mal é que Hermínio de Oliveira dizia de si, que então geria os destinos do concelho”. Fernando Costa partilhou esta memória na sessão tendo contado também que ambos foram deputados da Assembleia da República e apesar de adversários “partilhávamos o mesmo carro para ir para Lisboa”. O autarca recordou que é difícil falar de um grande homem por quem sempre teve uma grande admiração.

Antes, o escultor Carlos Oliveira deu a conhecer uma peça de cerâmica que está a realizar sobre Hermínio de Oliveira onde estão representados vários dos seus valores: a família, o património da cidade e os livros.

Em seguida falou Pedro Seixas, amigo de longa data que também marcou presença em representação da Câmara Municipal das Caldas.

Pedro Seixas recordou que Hermínio de Oliveira foi um marcante dirigente do PS, além de ter feito parte da Comissão Administrativa, foi também deputado municipal e, mais tarde, da Assembleia da República. “É um homem que faz parte da História das Caldas”, disse o chefe de gabinete do presidente da Câmara, recordando ainda que este foi distinguido com a Medalha de Ouro do Município, em 2004. Pedro Seixas contou que tentará acelerar o processo de dar o nome de Hermínio de Oliveira a uma rua das Caldas, processo que já está a decorrer.

Por seu lado, o arquiteto Jorge Mangorrinha partilhou memórias daquilo que viveu com Hermínio de Oliveira, com quem partilhou o programa radiofónico “Memórias das Caldas” tendo designado o homenageado como “Príncipe da Memória” por tanto saber sobre a sua cidade.

O convidado sublinhou ainda que Hermínio de Oliveira valorizava o passado e os factos relacionados com as Caldas pois “uma terra sem memória é apenas um lugar”.

Por seu lado, o historiador Nicolau Borges também partilhou que o conheceu nos anos 90 por causa da política e do PS local. “Ele era uma personalidade sui generis e ele tinha uma grande paixão pelo Caldas”. E fez uma “confissão” sobre a sua equipa de futebol favorita: o primeiro dinheiro que ganhou, na altura tostões, foi a apanhar bolas nos jogos do Caldas. O convidado recordou que o homenageado foi um dos fundadores do Património Histórico. O historiador era um dos frequentadores da loja de Hermínio de Oliveira que ficava próxima do Parque.
Jorge Sobral conheceu-o no final dos anos 60 por causa da sua atividade no Conjunto Cénico Caldense. “Ele era um apaixonado por cinema mas manteve sempre uma ligação com o teatro”. Contou ainda que o contacto se manteve quando Jorge Sobral era um jovem dirigente sindical e que o aconselhou antes do 25 de Abril. Jorge Sobral era um dos frequentadores da loja do Sr. Hermínio, assim como o seu amigo José Nascimento que partilhou a sua experiência no teatro.

A caldense Margarida Maldonado Freitas (mulher do Presidente da República) afirmou que Hermínio de Oliveira era seu amigo, assim como de vários elementos da sua família. “É uma honra que o legado do Hermínio faça parte da minha vida”. Para si, o homenageado significa sobretudo “frontalidade e franqueza, valores que hoje nos fazem tanta falta!”. Vasco Trancoso fechou as intervenções tendo destacado que Hermínio de Oliveira “era um senhor dos livros que transbordava conhecimento”. Partilhou também memórias vividas em leilões para adquirir manuscritos sobre a história e também sobre os jornais das Caldas.

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