
Golo solitário de Barandas na primeira parte sentenciou o resultado no Campo da Mata, num jogo em que os visitantes atuaram reduzidos a dez jogadores na meia hora final
O Caldas perdeu este sábado, por 0-1, frente ao Atlético no Campo da Mata, em partida a contar para a quinta e última jornada da primeira volta da fase de manutenção e descidas da Liga 3.
O único golo do encontro foi apontado por Barandas aos 40 minutos. Após um erro na saída de bola na zona defensiva caldense, David Herrera encontrou o avançado do Atlético à direita, Barandas driblou David Lopes junto à linha de fundo e rematou para o fundo da baliza, fixando o resultado com que as equipas recolheram aos balneários.
A segunda parte teve um Caldas a procurar dar mais intensidade ao ataque, o que se intensificou aos 60 minutos, quando Santiago Hernandez viu dois cartões amarelos em apenas dois minutos e recebeu ordem de expulsão. Reduzido a dez elementos, o conjunto visitante recuou as suas linhas para defender a vantagem, enquanto o Caldas procurou reforçar a presença no meio-campo ofensivo.
Apesar do domínio territorial e da superioridade numérica, a equipa alvinegra não conseguiu concretizar as oportunidades. Nas mais flagrantes, aos 67 minutos, Chaves rematou a rasar o poste e, aos 81 minutos, João Vieira atirou por cima da baliza quando se encontrava em posição frontal para marcar.
O Caldas mantém o segundo lugar com 14 pontos, mas vê a margem para a linha de água reduzir para quatro pontos.
FICHA DE JOGO
Campo da Mata, Caldas da Rainha Árbitro: João Soares
Árbitros assistentes: Mitchell Galvão e Bruno Costa
CALDAS: Wilson Soares; Rui Silva (Luis Farinha, 78′), Zé Ricardo, Rui Carreira e David Lopes (Tiago Catarino, 78′); Matheus Palmério (Pipo, 78′), Nuno Januário (Gonçalo Chaves, 57′), Dani Fernandes (Zé Gata, 57′) e Filipe Oliveira; João Vieira e João Rodrigues (cap.).
Suplentes não utilizados: Duarte Almeida, Miguel Costa, Gonçalo Barreiras e Guilherme Lopes.
Treinador: João Aguiar
Disciplina: nada a assinalar
ATLÉTICO: Rodrigo Dias; Bruno Almeida, Fran Gonzalez, Duarte Henriques e Vicente Durand (Caio, 89′); Ruben Marques (cap.), Cesar (Okoli, 70′), Herrera (Herrera, 78′) e Barandas (Catarino, 78′); Santiago Hernandez e David Silva (Suker, 70′).
Suplentes não utilizados: José Bolívar, Nico, Delcio e Paulinho.
Treinador: Pedro D’Oliveira
Disciplina: cartão amarelo para Santiago Hernandez (58′ e 61′), Caio (93′); cartão vermelho para Santiago Hernandez (61′)
Golos: 0-1 por Barandas (40′).
João Aguiar: “Pelo que fizemos na segunda parte, o resultado é claramente injusto”
O treinador do Caldas, João Aguiar, considerou injusta a derrota frente ao Atlético, sublinhando que a equipa criou oportunidades suficientes para alcançar outro resultado.
O técnico destacou o equilíbrio da primeira parte, apesar da maior posse de bola do adversário. “O Atlético teve mais bola, mas não estava a criar situações de perigo. A nossa pressão não estava bem encaixada e isso criou algum frisson, mas sem oportunidades claras”, afirmou. O golo adversário surgiu numa perda de bola na saída para o ataque, num tipo de lance que o treinador admitiu estar identificado. “Sabíamos que o Atlético é perigoso nas transições, porque tem jogadores muito rápidos, e acabámos por sofrer dessa forma”, lamentou, lembrando que, pouco antes do golo, o Caldas teve uma ocasião clara para marcar.
Já na segunda parte, o treinador entende que a equipa justificou outro desfecho. “Pelo que se passou na segunda parte, o resultado é claramente injusto. A equipa deu uma grande resposta e criou cinco situações claras de golo”, disse, apontando a boa exibição do guarda-redes adversário e alguma falta de eficácia como fatores decisivos.
Apesar da derrota, o técnico valorizou a atitude da equipa. “Perdemos mantendo as nossas ideias e os jogadores fizeram exatamente o que lhes pedimos. Quando há esta entrega e vontade, está tudo bem”, salientou.
Fechada a primeira volta desta fase, João Aguiar faz um balanço positivo, destacando que os pelicanos aumentaram a vantagem para a linha de água. “Será uma luta até ao fim, mas acredito que podemos resolver a situação nos próximos jogos”, afirmou.
O treinador deixou ainda uma palavra de confiança para os jogadores mais jovens que têm sido chamados à equipa. “Conto com todos. Tivemos de remodelar toda a defesa por lesões e castigos e a equipa respondeu. O Guilherme Lopes, o Tiago Catarino, o Dani ou o Miguel Costa estão preparados. Confio em todos e não hesito em lançá-los quando é preciso”, concluiu.
Pedro D’Oliveira: “Tiro o chapéu aos jogadores pela atitude que tiveram”
O treinador do Atlético, Pedro D’Oliveira, considerou que a vitória frente ao Caldas foi justa, destacando sobretudo a atitude da sua equipa num jogo que classificou como muito difícil.
“Foi uma vitória muito difícil. O Caldas está muito bem e percebe-se que os jogadores estão num excelente momento, talvez o melhor da época”, afirmou o técnico no final da partida. “Desde a entrada do [João] Aguiar, vinham de uma sequência de vitórias e tinham perdido apenas um jogo”, acrescentou.
Apesar das dificuldades, Pedro D’Oliveira destacou a resposta do Atlético, sobretudo depois de a equipa ter ficado reduzida a dez jogadores. “A vitória é merecida pela atitude que demonstrámos, tanto com onze, como com dez. A atitude não baixou e, mesmo ficando mais difícil, unimo-nos ainda mais”, sublinhou.
O treinador revelou que a equipa estava preparada para a reação do Caldas, lembrando que os pelicanos já tinham recuperado de desvantagens nesta fase da competição. “Sabíamos que o Caldas já tinha dado a volta a dois resultados depois de estar a perder ao intervalo, por isso estávamos alerta”, referiu.
Na segunda parte, e especialmente após a expulsão, o técnico destacou a organização defensiva da sua equipa. “Tiro o chapéu aos jogadores, que identificaram rapidamente o que era necessário fazer, sobretudo sem bola. Ajudaram-se muito, não permitiram o jogo interior e controlaram bem as segundas bolas e os cruzamentos”, explicou.
Pedro D’Oliveira considerou ainda que o segredo para manter a motivação da equipa, que lidewra esta série, passa pelo trabalho diário. “Os jogadores perceberam que havia mais para jogar e ganhar. A motivação vem do trabalho durante a semana e isso reflete-se ao fim de semana”, concluiu, destacando também o apoio dos adeptos que acompanharam a equipa.










