Início Sociedade Apresentação de livro suscitou reflexões

Apresentação de livro suscitou reflexões

0
32
O autor, Miguel Carvalho, com João Figueira, Henrique Fialho e Joaquim Jorge Veiguinha, na apresentação

Apresentação de “Por dentro do Chega” integrava as comemorações do 25 de Abril do Teatro da Rainha

A apresentação do livro “Por dentro do Chega”, do jornalista Miguel Carvalho, praticamente lotou o pequeno auditório do CCC na noite de 24 de abril. A sessão, promovida pelo Teatro da Rainha, acabou por ser uma reflexão em torno da Democracia e de como é preciso a educação e o jornalismo lutarem por esse bem.

O autor, Miguel Carvalho, partilhou alguns episódios curiosos depois da publicação do livro, notando que nunca foi ameaçado e que sempre lhe interessou mais o fenómeno do que o líder.

- publicidade -

Fez questão de diferenciar eleitores de extrema-direita de eleitores da extrema-direita e também distanciou o eleitor do Chega do aparelho político. “Este livro não é contra o Chega, é sobre o Chega”, frisou. “E é um alerta de um jornalista que está comprometido com a defesa dos valores da Democracia”, acrescentou. Crê que “uma parte do eleitorado do Chega é resgatável para uma convivência cívica democrática” e nota que, além dos extremistas que ali encontram o seu lugar, o partido “tornou-se um imãn de diversos recalcamentos, ressentimentos, raivas e abandonos”, pessoas a quem o Estado falhou. Isso “não as desresponsabiliza do voto neste partido e nas consequências, mas é preciso saber escutar”.

Realça que “este eleitorado não veio de Marte” e alerta que “a arrogância intelectual também nos trouxe aqui, esta não é uma luta entre seres inteligentes e idiotas”. Mas, frisa, não faz sequer sentido uma comparação com a ditadura.

O autor, que se assume preocupado com as gerações mais jovens, defendeu a importância do diálogo. A literacia mediática é importante, nota, mas “a política que promete coisas olhos nos olhos tem que cumprir”.

Atualmente, aponta, “o jornalismo vive o seu momento mais frágil em Democracia”, salientando a falta de recursos e indo ao encontro do que antes tinha falado João Figueira, sobre o papel do jornalismo neste contexto de populismo. Joaquim Jorge Veiguinha, foi o primeiro orador e alertou que “a extrema-direita atual é completamente diferente” das anteriores e que “é pior”. Frisa “a componente anarco-capitalista ou o autoritarismo-libertarista”, como fator distintivo das anteriores. A privatização de todos os serviços, uma “apologia da discriminação social, que desemboca num racismo eugénico,” e a abolição de políticas sociais e de direitos são algo que o preocupa nesta nova vaga, bem como a aposta nos combustíveis fósseis.

Henrique Fialho, do Teatro da Rainha, disse que “é uma sessão que se impõe como um momento de reflexão e ponderação” sobre “este período complexo das nossas vidas que carece de reflexão e debate crítico, aberto”.

- publicidade -
Visão Geral da Política de Privacidade

Este website utiliza cookies para que possamos proporcionar ao utilizador a melhor experiência possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu browser e desempenham funções como reconhecê-lo quando regressa ao nosso website e ajudar a nossa equipa a compreender quais as secções do website que considera mais interessantes e úteis.