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Santa Catarina recria oficina de cutelaria antiga

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No local fazem-se navalhas como há quase um século se faziam, sem eletricidade, de forma manual e recorrendo ao fogo e à água

Projeto recua quase um século, ao tempo em que não havia eletricidade na localidade

Uma oficina de produzir navalhas como nos anos 30 e 40 do século passado, de forma artesanal e manual, sem eletricidade, foi construída em Santa Catarina, no local onde até há cerca de 30 anos ficavam os pré-fabricados da tele-escola. E esta é apenas uma das ações relacionadas com o património cuteleiro que estão a ocorrer na vila, onde se vive um espírito comunitário em torno da atividade.

No local, numa casa de madeira, encontramos António Norte, António Gonzaga e João Morgado. São os três de Santa Catarina e os três reformados, mas com muitos anos de vida dedicados às navalhas e facas. Quando os convidaram para dar vida a esta ideia não hesitaram, fazendo-o de forma voluntária. “Toda a vida vivemos nisto e gostámos”, refere João Morgado, notando que tinham peças guardadas que agora estão novamente a ser usadas. As empresas estão também a doar materiais para a oficina e para o Jardim do Cuteleiro, a criar no exterior e onde mostrarão a passagem para a mecanização.

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É este trio, com José Pisco, que neste dia não pôde estar presente, quem tem o conhecimento e a memória para recriar a oficina. “Isto que está aqui é igual ao que estava colado à minha casa, construída pelo meu pai”, recorda António Norte, que começou a trabalhar na oficina em criança. “Forjávamos as navalhas ao martelo e vendíamos ao António Ivo Peralta e ao Manuel Isaac, nas Relvas e eles é que iam para as feiras vender”, lembra, enquanto nos mostram e explicam o processo produtivo de uma navalha, desde o corte do aço ao embelezamento do cabo com uma pasta feita de cinza de carvão e azeite. “A luz que nós utilizávamos na altura eram estas candeias de azeite e que faziam imenso fumo”, lembra António Gonzaga, recordando ainda que em Santa Catarina existiam perto de meia centena destas oficinas. “Quase todas as casas tinham”, nota, explicando que os agricultores, de inverno, não podiam trabalhar no campo, então criavam estes espaços, porque as navalhas eram algo que se vendia, dado que havia falta no mercado. Quando chegava o bom tempo, largavam a forja e voltavam para o campo.

Se estes quatro artesãos foram os principais operários, aos sábados juntava-se sempre um grupo maior para os ajudar. No futuro querem ajudar a dar dinâmica a este espaço, partilhando os seus conhecimentos e desenvolvendo kits para que as pessoas possam montar as próprias navalhas. “Temos gosto e é importante que se preserve este conhecimento”, salienta João Morgado, notando que este é um património distintivo.

O presidente da Junta de Freguesia, Fernando Fialho, conta-nos que a ideia da oficina surgiu no âmbito do CaldasCUT, que se realiza neste fim de semana. A construção arrancou no final do ano e contou com materiais doados, como as telhas. A Junta comprou apenas os materiais necessários, com um custo inferior a 2000 euros.

Atualmente esta autarquia de base está a avançar para a criação da Casa da Cultura – Museu da Cutelaria. “Era uma ideia que existia na freguesia há mais de 50 anos”, afirma. Já têm um edifício, virado para a igreja, comprado pela Câmara e cedido à Junta. O “empurrão” para a ideia foi uma doação do espólio de Abílio Cuco, cuteleiro das Relvas, composto por uma grande série de materiais. “Vamos ter o primeiro museu de cutelaria do país!”, exclamou, salientando o envolvimento da população.

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