InícioCulturaCrónicasVisão e ação para uma região de mar

Visão e ação para uma região de mar

-

António José Correia
Ex-Autarca

Há momentos em que vale a pena parar e olhar o conjunto, em vez de cada acontecimento isoladamente.
As últimas semanas foram particularmente ricas para Peniche e para a Região Oeste. A 1.ª Bienal do Mar, organizada, em boa hora, pelo Município de Peniche, com o grande envolvimento da ESTM, inaugurada a 22 de maio, foi muito mais do que um novo evento. Constituiu uma afirmação clara de um território que pretende consolidar-se como referência nacional na economia azul, na ciência, na inovação, na cultura marítima e no turismo.
Tive o privilégio de participar na sua inauguração e, a convite do Presidente da Câmara Municipal, de desempenhar funções de comissário deste primeiro certame. Ao longo de vários dias, empresas, investigadores, escolas, associações e instituições demonstraram que o mar pode ser um poderoso motor de desenvolvimento económico, social e cultural.
A Bienal não surgiu por acaso. É, em minha opinião, consequência de um percurso iniciado há vários anos e que, agora sob a Presidência de Filipe Sales, continua agora a ganhar novas dimensões.
Também o Hub Azul de Peniche, através do Smart Ocean, vive um momento particularmente positivo. A sua recente participação de destaque, em Bruxelas, numa iniciativa da Rede Europeia dos Hub Azuis, confirma o reconhecimento internacional que o projeto começa a conquistar. Com inauguração prevista para outubro ou novembro, Peniche e o Oeste passarão a dispor de uma infraestrutura de excelência para apoiar empresas, investigação, empreendedorismo e inovação ligados ao mar.
A esta dinâmica junta-se outro passo histórico: a criação da Universidade de Leiria e do Oeste. Para Peniche, esta evolução representa uma oportunidade extraordinária para reforçar o papel da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar. Estou convicto de que a ESTM ganhará ainda maior capacidade de atração de estudantes, investigadores e projetos internacionais, afirmando-se como uma referência nas áreas do turismo, da tecnologia do mar e da economia azul.
Mas há outro ativo estratégico que nunca podemos dar por adquirido.
Foi recentemente anunciada uma alteração no calendário do circuito mundial da World Surf League. Peniche acolherá este ano a antepenúltima etapa do circuito, entre 16 e 25 de outubro.
É uma excelente notícia. Mas deve também servir de alerta.
O circuito mundial tornou-se cada vez mais competitivo. Há poucos dias foi anunciada a entrada das Filipinas no calendário da World Surf League. Tal como Peniche, muitos destinos dispõem de excelentes ondas. A diferença faz-se, cada vez mais, pela capacidade de investir, de organizar e de estabelecer parcerias sólidas.
A concorrência internacional é hoje mais forte do que nunca.
Peniche conquistou este lugar por mérito. As ondas de Supertubos são excecionais. A organização tem sido reconhecida internacionalmente. A comunidade local acolheu o surf como parte da sua identidade. Mas nada disto dispensa uma visão estratégica.
Seria desejável que Portugal, através do Turismo de Portugal, do Turismo Centro de Portugal, da CIM OESTE e do Município de Peniche, continuasse a trabalhar na celebração de compromissos plurianuais que reforcem a estabilidade desta etapa e consolidem o seu enorme impacto económico, mediático e turístico.
A Bienal do Mar, o Smart Ocean, a futura Universidade de Leiria e do Oeste e a etapa da World Surf League não são projetos isolados.
São peças da mesma estratégia.
Uma estratégia que coloca o mar no centro do desenvolvimento do território.
Porque Peniche e a região têm mar. Têm conhecimento. Têm empresas. Têm inovação. Têm surf e desportos náuticos. Têm pessoas.
Agora importa continuar a ter visão e ação.
Porque, cada vez mais, o futuro também se constrói a partir do mar.

- Advertisment -

Edição #5650

Capa da Semana


VER CAPA


INICIAR SESSÃO

Acesso exclusivo a assinantes
Publicidade