
Cassiano adiantou os eborenses ao minuto 8, mas João Vieira empatou o jogo nove minutos depois e as equipas seguem lado a lado na tabela
O Caldas e o Lusitano empataram a um golo no Campo da Mata e continuam a partilhar o segundo posto da classificação com 15 pontos, embora o Caldas tenha garantido, mantendo uma vantagem de cinco pontos em relação à zona de despromoção quando faltam disputar três jornadas para o final da competição.
Os dois golos da partida foram marcados nos primeiros 20 minutos. A formação visitante inaugurou o marcador aos oito minutos, quando o defesa-central Cassiano Borges correspondeu a um livre lateral e cabeceou na pequena área para bater Duarte Almeida, em estreia na Liga 3.
O Caldas reagiu e restabeleceu a igualdade aos 17 minutos. Numa jogada de insistência pelo flanco esquerdo, David Lopes cruzou e João Vieira ganhou o duelo direto a Cassiano, rematando para o fundo da baliza.
Até ao final do primeiro tempo, com o Lusitano a crescer no capítulo ofensivo, o guarda-redes do Caldas, Duarte Almeida, evitou o golo do Lusitano em três ocasiões distintas aos 32, 38 e 45 minutos, a um remate de Tipote, ao intercetar um centro perigoso de Tiago Baptista e depois a negar o golo ao médio do Lusitano.
Para a segunda parte, o treinador do Caldas, João Aguiar, fez entrar Filipe Oliveira para o lugar de Gonçalo Barreiras, alterando a estrutura tática para um 4-3-3 com o objetivo de preencher o meio-campo. Mesmo assim, o Lusitano ainda entrou melhor e teve nova grande oportunidade quando Tiago Baptista ofereceu o golo a Dida, mas este não chegou para a emenda.
O técnico do Caldas voltou, então, a mexer e o jogo foi-se pautando pelo encaixe tático entre as equipas, resultando num jogo disputado e com escasso espaço para ataques organizados.
O Caldas esteve perto do golo no tempo de compensação, num lance bem trabalhado por João Tarzan a servir Filipe Oliveira para um remate intercetado por um defesa. Do lance resultou um livre direto em posição muito perigosa, mas Pipo disparou desenquadrado com a baliza.
FICHA DE JOGO
CALDAS SC 1-1 LUSITANO
Campo da Mata
Árbitro: Humberto Teixeira
Árbitros assistentes: Tiago Loureiro e Luís Meira
CALDAS SC: Duarte Almeida; Zé Ricardo, Duarte Maneta, Rui Carreira e David Lopes (Rui Silva, 62′); Matheus Palmério (Dani Fernandes, 64′), Pipo e Zé Gata (Luís Farinha, 64′); João Rodrigues (cap.), João Vieira (Gonçalo Chaves, 75′) e Gonçalo Barreiras (Filipe Oliveira, 46′).
Suplentes não utilizados: Wilson Soares, Nuno Januário, Guilherme Lopes e Tiago Catarino.
Treinador: João Aguiar
LUSITANO GC: Duarte Martins; Eurichano Carvalho, Cassiano Borges (cap.), Rodrigo Monteiro e João Pinto; Tiago Batista (Fran Pereira, 62′), Martim Águas (Marcos Soares, 75′) e Botche Cande; Leandro Tipote (Mauro Andrade, 75′), Dida (Lucão, 82′) e Sele Davou (Isnaba Graça, 82′.
Suplentes não utilizados: Marcelo Valverde, Tiago Palancha, Zidane Lima e Miguel Lourenço.
Treinador: Pedro Russiano
Disciplina: cartão amarelo para Matheus Palmério (8′), João Pinto (68′), Isnaba Graça (91′)
Golos: 0-1 por Cassiano Borges (8′), 1-1 por João Vieira (17′)
João Aguiar: “Nenhuma equipa quis arriscar em demasia”
O treinador do Caldas, João Aguiar, considerou justo o empate frente ao Lusitano, num jogo que classificou como equilibrado e marcado pelo receio das equipas em arriscar.
Na análise ao encontro, o técnico reconheceu uma entrada mais forte dos visitantes. “O Lusitano começou melhor, percebeu bem aquilo que tínhamos feito no jogo anterior e tentou fechar-nos os espaços. No início não tivemos capacidade para encontrar alternativas”, explicou.
O golo sofrido surgiu numa bola parada, situação que o treinador assumiu que tinha sido preparada. “Não nos ajustámos bem”, referiu, destacando, ainda assim, a reação da equipa. “Demos uma grande resposta na primeira parte, criámos ocasiões e conseguimos chegar ao empate.”
Na segunda metade, o jogo ficou mais fechado. “Foi muito equilibrado, com as equipas a fecharem bem os espaços e com mais medo de perder do que vontade de ganhar. Nenhuma quis arriscar em demasia”, apontou, lembrando também a necessidade de controlar as transições adversárias.
O técnico valorizou o ponto conquistado, que permite ao Caldas aumentar ligeiramente a vantagem para a linha de água. “É mais um ponto para a nossa caminhada. Estávamos com quatro pontos de avanço e agora temos cinco, com menos jornadas por disputar”, destacou.
Com menos um jogo pela frente e cinco pontos de vantagem para a linha de água, o treinador mostrou-se confiante quanto à permanência, embora admita que a luta pode prolongar-se. “Queremos resolver o mais cedo possível. Se pudermos fechar já no próximo jogo, melhor. Se não, será mais à frente. Pelo trabalho destes jogadores, tenho a certeza de que vamos conseguir”, afirmou.
Nota ainda para a estreia de mais um jovem da formação na Liga 3, o guardião Duarte Almeida, que já tinha alinhado, mas nos jogos da Taça de Portugal. “É um jogador que fez toda a formação no Caldas e que trabalha sempre no máximo. Sentimos que estava pronto e fez um jogo muito competente”, concluiu, deixando também elogios a Wilson Soares pela postura demonstrada.
Pedro Russiano: “Tivemos uma mão cheia de oportunidades, sabe a pouco”
O treinador do Lusitano, Pedro Russiano, considerou que o empate frente ao Caldas deixa um sabor amargo, sublinhando a quantidade de ocasiões criadas pela sua equipa ao longo do encontro.
“Sabe a pouco, se olharmos para aquilo que foram as oportunidades que não concretizámos. Tivemos uma mão cheia de oportunidades, o que neste campo e perante este adversário é sempre muito difícil”, afirmou no final da partida.
O técnico destacou ainda a forma como a equipa conseguiu anular parte do jogo do Caldas, nomeadamente a sua circulação de bola. “Muito do tempo, foi uma posse consentida do Caldas. Sabíamos da qualidade que têm entre linhas e tivemos de nos adaptar, procurando explorar aquilo que não são tão fortes, que são as transições defensivas”, explicou.
Pedro Russiano considerou que o plano de jogo foi bem executado, faltando apenas a eficácia. “O plano só não resultou na perfeição porque não concretizámos. Na primeira parte equilibrámos e, na segunda, entrámos bem, com mais bola em zonas ofensivas e a conseguir criar e finalizar”, disse.
Ainda assim, o treinador admitiu que a reta final trouxe dificuldades acrescidas. “Sabia que os últimos 15 minutos iam ser terríveis. Já aqui perdi duas vezes aos 96 minutos e hoje não queria que isso voltasse a acontecer”, referiu.
Apesar do sentimento agridoce, Pedro Russiano valorizou o ponto conquistado. “Neste momento, os pontos valem ouro. Este ponto pode não parecer muito, mas aproxima-nos do nosso objetivo”, concluiu.










