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A Generosidade do Tempo: o Sentido de Pertencer

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Manuel Bandeira Duarte
Designer e artista

Vivemos em tempos que considero, digamos, ‘acelerados’. Corremos entre compromissos, notificações, prazos e preocupações. Os dias parecem sempre curtos para tudo aquilo que queremos fazer e, por vezes, até para aquilo que precisamos de sentir. No meio deste ritmo constante, há um gesto que continua a surpreender-me pela sua simplicidade e pelo seu acrescido valor: o voluntariado.

Ser voluntário é, acima de tudo, oferecer tempo. E o tempo é, talvez, dos bens mais preciosos que possuímos. Não se trata apenas de ajudar numa atividade, participar numa associação ou colaborar numa iniciativa que envolva a comunidade. Trata-se de escolher estar presente, de contribuir para algo maior do que nós próprios.

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Muitas das vezes associamos o voluntariado a grandes causas; no entanto, pode começar com gestos bem mais simples e pequenos. Este compromisso está em quem organiza uma atividade para a comunidade, em quem recolhe materiais, divulga um evento ou planta uma árvore. Há um trabalho silencioso que raramente se vê, mas que sustenta muitas das iniciativas que enriquecem a vida coletiva e a vida da nossa cidade – rica em movimento e espírito de iniciativas.

O voluntariado é, também, uma descoberta. Nem todos sabemos, de imediato, onde e quando podemos ajudar ou o que gostaríamos de fazer. Existem variadíssimas tipologias de voluntariado através das quais nos podemos sentir realizados, quer a trabalhar com crianças, animais, cultura e/ou ambiente. O fundamental é perceber que cada um de nós tem algo para oferecer.

Num mundo tantas vezes marcado pelo ruído, pela divisão e pela pressa, o voluntariado representa um exercício de equilíbrio: aproxima pessoas diferentes, cria pontes e fortalece comunidades. Ser voluntário é recordar-nos que o bem-estar coletivo não depende apenas das instituições, mas também da disponibilidade pessoal para participar, agir, impulsionar e cuidar. Fazer a diferença continua a ser uma ‘coisa’ sem tempo, isto porque um destino não se constrói sem escolhas e sem caminhos. Talvez seja este o contexto de voluntariado: lembrar-nos que não estamos sozinhos, que pertencemos a um lugar, a uma comunidade e a um conjunto de pessoas que partilham os mesmos desafios e as mesmas esperanças.

Ser voluntário não significa ter mais tempo do que os outros. Significa decidir dedicar parte dele aos outros. E é, curiosamente, nesse ato de ‘dar’ que, muitas vezes, encontramos um dos mais profundos sentidos de receber.

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