InícioOpiniãoComo o jornalismo influencia as nossas escolhas quotidianas

Como o jornalismo influencia as nossas escolhas quotidianas

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David Vieira
Técnico de Comunicação

Raramente pensamos nisso, mas quase todas as decisões que tomamos, do que compramos, ao que votamos, do que admiramos ao que tememos, são influenciadas pela informação que recebemos. O jornalismo, quando é sério e responsável, ajuda-nos a compreender o mundo. Quando falha, ou se deixa capturar por interesses, distorce-o. E é nessa linha tão fina entre informar e (porventura) manipular que se joga grande parte da saúde das nossas democracias e do nosso quotidiano.
Cada notícia que lemos molda, de forma subtil, a perceção que temos da realidade. A forma como um tema é enquadrado, o que se destaca, o que se omite, o tom das palavras, a escolha das imagens, tudo isto contribui para formar uma visão do mundo. É a isto que os teóricos chamam agenda-setting, ou seja, os media não nos dizem como pensar, mas dizem-nos sobre o que pensar. E, muitas vezes, isso basta para orientar o debate público e as nossas próprias opiniões.
O jornalismo tem, portanto, um poder imenso. É o quarto poder, dizem alguns. Um poder que deve ser usado, por isso, com responsabilidade. Um jornalismo ético e plural não nos dita escolhas, mas oferece-nos condições para as fazermos de forma consciente. Mostra diferentes perspetivas, dá espaço ao contraditório e ajuda-nos a ver para além das aparências. É esse jornalismo que ilumina as zonas cinzentas e nos convida a refletir, mesmo quando é desconfortável.
Na imprensa regional, essa influência é ainda mais direta. As notícias sobre a nossa rua, o nosso município, a nossa escola, ou a nossa coletividade têm impacto concreto no modo como participamos na vida em comunidade. São essas informações que nos fazem decidir ir a uma assembleia, apoiar uma iniciativa local, ou repensar as prioridades do nosso território. O jornalismo de proximidade tem, assim, este papel formativo, de criar cidadãos atentos, críticos e participativos.
Mas o contrário também é verdade. Quando o jornalismo abdica da sua função de mediação e se limita a reproduzir ruído, acaba por alimentar a apatia e o desinteresse. E é nesse vazio que crescem as narrativas fáceis e os populismos.
O jornalismo não é neutro no seu efeito. É, todos os dias, uma lente através da qual vemos o mundo e, consequentemente, uma espécie de bússola (ou GPS, como agora se usa) que orienta as nossas escolhas.
Por isso, a responsabilidade dos jornalistas é enorme. Mas a dos leitores também é.
Cabe-nos, a todos, decidir em quem confiamos para nos ajudar a compreender o mundo.

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