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Alunos da ETEO aprenderam a “decifrar” mensagens secretas

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O orador fez uma”viagem” pelo mundo da criptografia

Matemático e físico convidou os alunos a entrar no mundo da critptografia, dando-lhes a conhecer métodos de codificação e como os descodificar. A palestra sobre ciência foi antecedida de uma sobre os Lusíadas e os clássicos

Foi ao som do tema da Missão Impossível que o matemático e cientista José Félix da Costa apresentou a máquina Enigma, um dispositivo eletromecânico de criptografia utilizado pela Alemanha nazi na Segunda Guerra Mundial. A máquina, que servia para codificar e descodificar comunicações militares secretas, graças ao seu complexo sistema de rotores, foi um dos sistemas abordados na palestra “códigos e mensagens secretas”, que o especialista deu no auditório da ETEO, a11 de junho.

A Enigma, que à primeira vez parece uma máquina de escrever, era de uma complexidade tal que, “ainda hoje há mensagens que não foram decifradas, mesmo com os computadores digitais e os métodos de IA [Inteligência Artificial] de que dispomos”, referiu José Félix da Costa.

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Contudo, a máquina tinha um defeito. Independentemente do código escolhido, há sempre uma letra que não é codificada dela própria e este foi um dos fatores “decisivos para se poder construir as denominadas máquinas “bomba”, que conseguiram decifrar os códigos secretos dos alemães, explicou.

A chave era transmitida em alemão, todos os dias, no boletim meteorológico, “uma mensagem curta e aparentemente sem significado, mas há palavras que são sempre as mesmas. Por causa da repetição sucessiva daquela parte da mensagem do boletim meteorológico em todos eles”, disse, referindo-se à chave para os comandos.

Mas a criptografia começou muito antes, na Antiguidade. José Félix da Costa falou de Políbio, um historiador grego do século II AC, que desenvolveu “um método de cifras, muito elementar”, e do militar romano Júlio César, que usava códigos secretos para falar com as suas tropas.

“A tentativa de transmitir informação secreta é tão antiga quanto a civilização e hoje assume um papel muito importante”, explicou o cientista, que mostrou como decifrar os vários métodos que abordou. A ciência de descodificar dados ganhou “relevância nos últimos anos”, assumiu, dando nota que há problemas matemáticos fundamentais ligados à criptografia, como arranjar um algoritmo que faça uma desencriptação rápida e prémios avultados para quem o conseguir. Isto fará com que, e utilizando a gíria da criptografia, “se possa dizer que faria cair Nova Iorque numa noite”, salientou, realçando tratar-se de “assuntos bastante delicados” e que constituem “objeto de uma ciência que alguns de vós poderão vir a abordar se seguirem as ciências da computação”, disse aos alunos que o ouviam atentamente.

Saber mais sobre os Lusíadas e os clássicos
A palestra integrou o plano de atividades da escola e foi dinamizada pelo professor de Português Carlos Sá, que também coordenou a da manhã, sobre “Os Lusíadas e os autores clássicos”, onde a professora e investigadora Alice Costa abordou desde as influências de Camões com referências às mitologias da antiguidade greco-romana. No encontro, destinado a alunos do 1º ano e do 3º ano, candidatos ao exame nacional de Português, a oradora abordou ainda alguns aspetos essenciais dos Lusíadas. Ligados sobretudo à influência clássica e das intervenções divinas ao longo do poema.
A docente deu aulas durante 46 anos e entusiasmou os jovens com as “derivações” da matéria e a declamação de partes do poema de Camões.

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