
Golos de Filipe Oliveira (51′) e Farinha (90’+5) permitiram reviravolta depois do 1.º Dezembro ter saído para o intervalo a ganhar, com um golo de Di Maria (41′)
O Caldas entrou a ganhar (2-1) na Fase de Manutenção e Descidas e com dramatismo, com os pelicanos a terem que virar o resultado após saírem para o intervalo a perder por 0-1. O golo da vitória chegou no último suspiro da partida, com um grande golo de Farinha.
O 1.º Dezembro entrou mais pressionante, procurando impor velocidade ao jogo e surpreender a organização defensiva do Caldas. A equipa visitante tentou acelerar pelos corredores, mas encontrou um adversário equilibrado e cada vez mais capaz de controlar as operações a meio-campo à medida que os minutos avançavam.
A primeira situação de algum perigo pertenceu aos alvinegros, aos 12 minutos. Numa boa combinação pelo corredor esquerdo, Zé Gata serviu Clemente, que colocou a bola à entrada da área para Tarzan. O avançado dominou e rematou forte, mas a bola saiu ao lado da baliza defendida por Fábio Duarte.
O Caldas voltaria a ameaçar aos 17 minutos, quando Gonçalo Barreiras ganhou espaço em zona frontal e arriscou o remate rasteiro. O disparo saiu com pouca força e permitiu a defesa segura do guarda-redes do 1.º Dezembro.
O Caldas controlava o encontro,capaz de recuperar a bola ainda dentro do meio campo ofensivo, mas tinha dificuldades em traduzir esse domínio em situações de finalização.
Do outro lado, a equipa visitante respondeu apenas perto da meia hora. Aos 33 minutos, Harramiz cruzou da direita para o segundo poste, onde Isabelinha apareceu a cabecear, mas sem direção, com a bola a sair ao lado.
Quando o encontro parecia encaminhar-se para o intervalo sem golos, o 1.º Dezembro acabou por chegar à vantagem. Aos 41 minutos, Caiser cruzou da direita para a área, a bola ressaltou em Januário e sobrou para Di Maria que, de primeira, atirou para o fundo da baliza, colocando os visitantes em vantagem ao intervalo.
No reatamento, João Aguiar mexeu de forma decisiva na equipa, promovendo três alterações e reorganizando o Caldas em 4-3-3, opção que trouxe maior presença ofensiva e uma pressão mais alta sobre a saída de bola adversária.
A resposta não demorou. Aos 51 minutos, os alvinegros chegaram ao empate numa jogada de insistência e qualidade coletiva. Pipo recuperou a bola no ataque, que sobrou para Clemente. O médio encontrou Dani Fernandes, que assistiu de primeira Filipe Oliveira. O remate, colocado, ainda bateu no poste antes de entrar. Estava feito o empate.
O Caldas manteve a iniciativa e esteve perto da reviravolta quatro minutos depois. Pipo cruzou da esquerda para a cabeça de Gonçalo Chaves, mas a bola saiu ao lado. A equipa da casa apresentava, nesta fase, grande capacidade de recuperação no meio-campo ofensivo, mantendo o 1.º Dezembro longe da sua área.
Aos 65 minutos, nova oportunidade clara para os pelicanos. Já dentro da área, Clemente assistiu Dani Fernandes, que rematou de primeira para uma grande defesa de Fábio Duarte.
O 1.º Dezembro só conseguiu criar a sua primeira situação de perigo na segunda parte aos 67 minutos, quando Vitó segurou a bola na área e serviu Ulisses, cujo remate saiu para fora. Com as alterações introduzidas, a equipa visitante conseguiu, ainda assim, equilibrar o jogo e retirar algum tempo de posse ao Caldas.
Aos 80 minutos, na sequência de um canto, Gonçalo Chaves apareceu ao segundo poste a cabecear, mas novamente ao lado. Quatro minutos depois, o 1.º Dezembro ficou reduzido a dez unidades, após Paco, acabado de entrar, ver o cartão vermelho direto por uma entrada violenta sobre Rui Carreira, dando novo fôlego aos pelicanos.
O Caldas lançou-se para a frente em busca da vitória e acabaria por ser recompensado no último suspiro. Aos 90+5, Farinha recebeu após boa condução de João Tarzan e disparou de pé esquerdo, de longa distância, colocando a bola no ângulo. Um grande golo que selou, com dramatismo, um triunfo importante para os alvinegros.
FICHA DE JOGO
Árbitro: Miguel Ribeiro
Árbitros assistentes: Filipe Freitas e Fábio Rodrigues
CALDAS: Wilson Soares, Zé Ricardo, Matheus Palmério (Edu Monteiro, 76’), Diogo Clemente (Cap.), Nuno Januário (Dani Fernandes, 46’), Duarte Maneta, Gonçalo Barreiras (Pipo, 46’), João Rodrigues, Rui Carreira, Zé Gata (Gonçalo Chaves, 46’), Filipe Oliveira (Luís Farinha, 88’).
Suplentes não utilizados: Duarte Almeida, Rui Silva, Guilherme Lopes, Tiago Catarino.
Treinador: João Aguiar
Disciplina: cartão amarelo para Diogo Clemente (45’+3’), Gonçalo Barreiras (45’+3’), Nuno Januário (70’), Zé Ricardo (90’+2’).
1 DEZEMBRO: Fábio Duarte, Diogo Ferreira (Malé, 57’). Vitó (Niang, 82’), Isabelinha (Miguel Abreu, 57’), Jorge Bernardo, Harramiz (Sapara, 62’), Lisandro Menezes ( Cap.), Eduardo Borges, Mané, Caiser, Diogo Maria (Ulisses Tavares, 62’).
Suplentes não utilizados: João Oliveira, Pedro Ramos, Paulo Lima, João Freitas.
Treinador: Pedro Caneco
Disciplina: cartão amarelo para Isabelinha (45’+2’), Harramiz (45’+2’); cartão vermelho para Niang (83’).
Golos: 0-1 (Diogo Maria, 41’), 1-1 (Filipe Oliveira, 51’), 2-1 (Luis Farinha, 90’+5’)
João Aguiar: “É uma vitória à Caldas!”
A vitória frente ao 1.º Dezembro foi, para João Aguiar, treinador do Caldas, a imagem do espírito competitivo da sua equipa, embora o treinador do Caldas considere que o triunfo poderia ter sido construído mais cedo.
“É uma vitória à Caldas, como costumo dizer, mas podia ter sido antes. Acho que o decorrer do jogo mostrou isso. O 1.º Dezembro também teve as suas ocasiões, mas, no cômputo geral, o Caldas teve muito mais situações do que o adversário”, afirmou, sublinhando a produção ofensiva da equipa ao longo da partida.
O técnico destacou ainda o impacto das alterações e a resposta do plantel, valorizando o contributo de quem começou o jogo no banco. “Uma equipa não são 11 jogadores, é um plantel inteiro. Todos têm de estar preparados e quem veio de fora hoje deu uma grande resposta”, referiu.
Nesse contexto, mostrou particular satisfação pelo golo decisivo apontado por Farinha já em tempo de compensação. “Fiquei muito feliz, porque é alguém que representa aquilo que é o Caldas há muitos anos. Nos momentos difíceis está cá para dar a cara. Merece muito este momento”, disse, lembrando, no entanto, que o mérito foi coletivo: “Não foi só o Farinha. Foram todos os que entraram para ajudar. Uma equipa faz-se disso”.
João Aguiar explicou também as alterações introduzidas ao intervalo, procurando dar maior presença na área e maior objetividade na finalização. “Na primeira parte tivemos boa chegada a zonas de criação, conseguimos sair da pressão do 1.º Dezembro, mas faltou-nos espontaneidade na hora de rematar. Trabalhamos muito a finalização e pedimos mais essa atitude. Na segunda parte melhorámos isso e criámos mais oportunidades”, analisou.
Quanto à classificação, o treinador preferiu relativizar a importância da vitória, apesar de reconhecer o peso dos pontos conquistados. “São três pontos muito importantes, ainda para mais em casa, com um grande apoio dos adeptos, mas são apenas três pontos. Temos de pensar jogo a jogo. Faltam nove jornadas, são muitos pontos em disputa e a luta pela manutenção vai ser até ao fim”, alertou.
O técnico garantiu que a equipa não vai perder o foco após duas vitórias consecutivas e definiu aquilo que considera essencial. “Podemos jogar melhor ou pior, cumprir mais ou menos o plano tático, mas há uma coisa que é inegociável: a atitude, o compromisso, o dar a vida uns pelos outros. Com essa atitude, vai ser sempre muito difícil bater o Caldas”.
Por fim, João Aguiar comentou a chegada de Rui Silva no mercado de inverno, reforço identificado para acrescentar qualidade e experiência ao grupo. “Era uma posição que queríamos reforçar. É um jogador com experiência, com duas subidas de divisão, e vem acrescentar ao plantel. Tenho a certeza de que vai ser um grande reforço para o Caldas”, concluiu.
Pedro Caneco: “O 1.º Dezembro tem de ser respeitado”
O treinador do 1.º Dezembro, Pedro Caneco, mostrou-se frustrado com o desfecho da partida, reconhecendo mérito ao Caldas, mas apontando também críticas à arbitragem, que, na opinião do técnico, condicionou a sua equipa.
Pedro Caneco considerou que o 1.º Dezembro teve momentos positivos, sobretudo na primeira parte, quando conseguiu chegar à vantagem. “Não entrámos assim tão bem no início, mas, aos poucos, fomos conseguindo chegar à baliza do adversário, seja por ações individuais, seja por alguma dinâmica e aceleração do jogo. Conseguimos fazer o golo e chegar ao intervalo em vantagem”, analisou.
Na segunda parte, admitiu dificuldades perante a reação dos alvinegros. “O Caldas entrou bem e tem mérito nisso. Mexeu na equipa, trouxe muita atitude e esse foi, se calhar, o pior período da nossa equipa”, afirmou.
Ainda assim, Pedro Caneco lamentou o que considerou um critério disciplinar e técnico desigual por parte da equipa de arbitragem. “Não é meu hábito falar de arbitragens e não venho justificar o resultado por aí, porque já disse aos meus jogadores onde falhámos. Mas o 1.º Dezembro tem de ser respeitado. Vejam o jogo. As pequenas faltas condicionaram muito o nosso crescimento e permitiram ao adversário crescer”, referiu.
O treinador sublinhou que não estava a referir-se a um lance decisivo específico, mas à sucessão de decisões ao longo da partida. “Não há um lance escandaloso, não estou a falar do cartão vermelho. Falo da pequena falta que para um lado é marcada e para o outro não. Isso condiciona as dinâmicas, a forma como os jogadores abordam os duelos e alimenta a frustração”, disse.
Apesar das críticas, fez questão de reconhecer o empenho dos seus atletas. “Os meus jogadores tiveram atitude, tiveram vontade de ganhar. Trabalhámos muito durante a semana para preparar este jogo e estou chateado porque sinto que nem sempre fomos recompensados”, acrescentou.
Sobre o momento de maior domínio do Caldas após o intervalo, Pedro Caneco explicou que as alterações estavam já previstas. “Já tínhamos ponderado mexer antes do golo, porque os nossos extremos não estavam a conseguir travar as investidas do adversário. O Caldas criou desequilíbrios entre linhas e entrou com muita força”, explicou.
O treinador procurou depois dar mais energia à equipa com médios frescos e maior velocidade nas alas, mas considerou que o plano acabou por ser comprometido. “Quando voltamos a mexer, procurando dar mais capacidade para ganhar primeiras e segundas bolas e lançar jogadores rápidos, mas, com a expulsão, toda a ideia para o jogo ficou ainda mais condicionada”, concluiu.
Apesar do desaire, Pedro Caneco mostrou confiança na equipa e reforçou a importância de continuar a lutar pelos objetivos, sublinhando que o clube “tem condições para garantir a manutenção” na Liga 3.











