
Mais de meia centena de obras, que percorrem os principais períodos da carreira de um dos maiores artistas plásticos do século XX, encontram-se patentes na galeria nova Ogiva, em Óbidos
Depois do Museu de Foz Côa (Vila Nova de Foz Côa), do Museu Amadeo de Souza-Cardoso (Amarante) e da Sociedade Nacional de Belas-Artes (Lisboa), é Óbidos que acolhe a exposição Nadir Afonso: Território de Absoluta Liberdade, até finais de maio. Comissariada por Alexandra Silvano, a mostra reúne 54 obras originais, entre pinturas, desenhos e estudos, incluindo grandes telas realizadas nos últimos anos de vida do pintor.
Natural de Chaves, formou-se em Arquitetura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Estudou pintura em França e foi colaborador do arquiteto Le Corbusier e, mais tarde, entre 1952 a 1954, trabalhou no Brasil com Oscar Niemeyer. Em 1965 Nadir Afonso abandona definitivamente a arquitetura para se dedicar à pintura. A sua obra, ao longo de 70 anos, encontra-se exposta pelos três andares da galeria Nova Ogiva, permitindo “uma leitura cronológica ao contrário”, explicou Alexandra Silvano, que escolheu para a entrada do espaço as obras da última fase da sua vida, com telas de grandes dimensões, focando-se na representação da “cidade”. Esta surge como tema central, não enquanto representação de um lugar real, mas “como ideia, experimentação, traço”, explicou a comissária da mostra, acrescentando que o artista “trabalhou muito o vigor, a harmonia e as leis da natureza”.
No último andar da galeria estão patentes obras do período entre as décadas de 1930 e 1960, marcado pela experimentação e pela integração nos movimentos de vanguarda europeus. É dessa altura a “máquina cinética” que Nadir Afonso criou, em França, e que consiste numa tela animada mecanicamente para dar movimento a formas plásticas que eram estáticas. No piso intermédio estão as obras relacionadas com o período antropomórfico, quando o autor introduz a figura humana.
Um ano de programação RPAC
A exposição, integrada num projeto da Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC), é uma parceria das câmaras de Amarante e de Óbidos, a Sociedade Nacional de Belas Artes e a Fundação Côa Parque. Estas entidades uniram-se e, no âmbito do projeto Paisagens Visuais, têm permitido que várias exposições circulem pelo país e que levem os territórios também a aproximar-se e a estabelecer relações. O vereador Bruno Silva destacou também o facto de estarem a terminar o ano da programação RPAC, que “levou esta galeria a outro patamar”, lembrando as exposições com obras da coleção de Arte Contemporânea do Estado, da coleção Caixa Geral de Depósitos e da coleção António Cachola, assim como a mostra dedicada a Amadeo de Sousa Cardoso.
A galeria Nova Ogiva passou a integrar a RPAC, o novo projeto da Direção-Geral das Artes (DGArtes), em inícios de 2023. Foi um dos primeiros 66 equipamentos e espaços culturais, de âmbito nacional, a aderir a este programa, juntamente com o Centro de Artes caldense e o Banco das Artes Galeria, no distrito de Leiria.











