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Caldas da Rainha firma-se na rota da reflexão sobre o cinema português

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A participada sessão de abertura do festival

Cineastas, produtores e críticos estiveram reunidos nas Caldas de 16 a 18 abril, consolidando evento que se dedica ao cinema luso

O Intervalos é descrito como um retiro cinéfilo, apesar de serem três dias de atividade intensa, dedicada à sétima arte.

A iniciativa reuniu nas Caldas cineastas, realizadores, críticos, distribuidores, produtores, cineclubistas e estudantes de audiovisuais entre os dias 16 e 18 de abril para realizar a segunda edição deste evento, organizado pelo CCC e por uma equipa de curadoria que integrou Eva Ângelo, Susana Duarte, Maria Mire, Paulo Cunha e o diretor do CCC, Mário Branquinho. Segundo este último responsável, a segunda edição “superou todas as expectativas quer de público, à qualidade dos filmes e a importância dos debates dos filmes – mostra que é possível consolidar-se na programação anual do CCC”.

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Ao longo dos três dias houve sessões conjuntas em diálogo, conversas enriquecedoras, olhares cruzados sobre vários filmes do cinema português.

Marcou presença no evento uma exposição sobre as residências artísticas de alunos da ESAD.CR e ainda a apresentação do Manual de Boas Práticas da MUTIM, pela associação de Mulheres Trabalhadoras das Imagens em Movimento que foi fundada em 2022 e que representa as mulheres que trabalham no cinema e audiovisual em Portugal.

Segundo Raquel Freire, a presidente do grupo, este começou com 50 elementos e atualmente “já somos mais de 400 associadas, o que nos torna a maior associação do setor”.

A MUTIM, que tem promovido estudos sobre o trabalho das mulheres no setor audiovisual em Portugal, tem promovido fóruns de discussão e estudos sobre a desigualdade de género neste meio, o que culminou com a criação de um Manual de Boas Práticas que foi apresentado neste festival.

“Damos ferramentas para que as pessoas possam atuar quando são vítimas de assédio ou testemunham situações deste tipo”, acrescentou a responsável, manifestando que, neste momento, já há interesse de outras organizações das artes e do espetáculo que querem trabalhar com a associação para fazer os seus manuais de boas práticas.

Sobre o Intervalos, Raquel Freire quis destacar o momento de homenagem a Manuel Serra pois esta “ é uma grande cineasta”. Nas Caldas foi visto o seu filme de culto “O Movimento das Coisas” e também a curta-metragem “35 anos depois, o movimento das coisas”, de José Oliveira, Mário Fernandes e Marta Ramos.

Manuela Serra é um exemplo do que passa uma mulher que trabalha no audiovisual português. “O Movimento das Coisas” foi rodado na aldeia do Alto Minho, Lanheses, nos anos 70 do século passado e dedica-se às tradições daquela comunidade. Por falta de apoios, só entrou em circuito comercial em 2021, 36 anos após ter sido feito.

“Apesar dela ser um imenso talento e do seu filme ser uma obra-prima não teve apoios para o filme, que agora está a ser redescoberto”, disse Raquel Freire que ainda destacou que o Intervalos tem o papel importante de “promover o diálogo intergeracional entre autoras do cinema português”.

A homenageada deste ano, a realizadora Manuela Serra considera que iniciativas como o Intervalos “são muito importantes pois permitem divulgar e debater os filmes”.

A autora, de 79 anos, que se formou em cinema na Bélgica, gostou de rever e debater este seu filme. “Ainda gosto muito dele”, disse a autora que considera que esta sua obra mantém a frescura por se tratar de um filme “verdadeiro, muito natural e autêntico”. À Gazeta das Caldas, contou que “O Movimento das Coisas” foi rodado em 1979 e em 1980 e a autora contou que gostaria de o ter apresentado na altura. “Éramos em país pobre, com realizadores pobres também…”, disse.

Apesar de tudo, Manuela Serra estava feliz com a homenagem e revelou-se “encantada com as mulheres poderosas no cinema!”. Susana Duarte, também elemento da organização do festival Intervalos, salientou que os realizadores, além de apresentarem as suas obras, escolhem outros para dialogar com os seus filmes. Sublinhou também que o Intervalos reforçou a sua ligação à ESAD.CR e que tem um papel importante também “na auscultação do que se está a fazer no cinema em Portugal”.

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