
Numa volta pelo concelho foi possível perceber que nem o mau tempo afetou o acesso
No último domingo Gazeta das Caldas percorreu, acompanhada pelo fotógrafo Pedro Bernardo, algumas das freguesias do concelho mais afastadas da cidade e também das mais afetadas pelo mau tempo para perceber se estava garantida a acessibilidade das populações às mesas de voto.
A-dos-Francos, Landal, Vidais e Alvorninha foram os locais visitados, numa manhã que permitiu constatar no terreno que, no concelho das Caldas, praticamente só não vota quem não quiser. Foi essa a ideia confirmada nas mesas de votos, mas também pelos presidentes das Juntas de Freguesia, que asseguraram que garantiam os transportes, em carrinhas das autarquias de base, preparadas para pessoas com mobilidade reduzida. No entanto, tal ocorre em caso de solicitação, o que não se verificou em nenhuma delas.
Visitámos as mesas de votos de Vila Verde de Matos e Casais da Serra, em A-dos-Francos e Landal, respetivamente. Dois casos de mesas fora da sede da freguesia, pensadas precisamente para facilitar o acesso das pessoas.
No Landal, depois de votar, Irene Simões, de 84 anos, recorda à Gazeta das Caldas as primeiras eleições livres nesta freguesia. “Nessas eleições as mesas de voto eram na casa paroquial e na escola e havia grandes filas, toda a gente queria vir ao mesmo tempo”, lembra. “Era por letras, umas iam para a casa paroquial e outras na escola”, acrescenta. No seu caso, mora perto da mesa de voto, pelo que vem a pé e, apesar de algumas dificuldades de mobilidade, que a obrigam a apoiar-se numa muleta e num chapéu-de-chuva, faz questão de ir votar. “Nunca faltei a nenhuma eleição, votei sempre”, frisa. “Todos devemos votar e escolher aquilo que queremos”, complementa.
Depois fomos a aldeias como Granjeiros ou Matoeira, mais isoladas e mais longe dos centros das freguesias, mas as pessoas revelaram a facilidade em ir votar. João Luís, com 73 anos, vive na aldeia de Granjeiros e, como conduz, o voto para ele “é fácil, é ir ao Landal, que é a cinco minutos daqui e toda a gente na aldeia tem transporte. Só a minha mãe é que sou eu que levo”, conta. Na manhã deste domingo, quando fala com a Gazeta das Caldas, ainda não foi votar. “Tenho muito gado e tenho de o alimentar primeiro e depois vou”, esclarece, frisando que no caso desta aldeia os estragos nas estradas não causam transtorno. “Desde o 25 de Abril votei sempre, nunca falhei uma eleição”, exclama.
Já nos Vidais aproveitamos para falar com Zulmira Filipe, que vem de Cortém, uma das aldeias mais afetadas, com apenas um acesso (e precário), estando as restantes quatro estradas bloqueadas devido a desabamentos de terras, ao perigo de derrocadas ou ao alcatrão ter cedido, mesmo em locais onde haviam sido feitos alcatroamentos há cerca de um mês. Com 87 anos fez questão de vir votar, como fez sempre desde que pôde. “É uma obrigação e um direito, o direito de escolher o que pensamos que é bom”, refere.
Zulmira veio sozinha, a conduzir e, em relação ao acesso ao voto, lamenta apenas as estradas fechadas devido aos estragos. “Nós organizamo-nos, já várias vezes trouxe a minha vizinha, agora não que vem com o filho”, refere, notando a existência desse espírito comunitário. Depois de exercer o seu direito de voto, esta freguesa dos Vidais seguiu para a missa.














