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Nas Caldas existe um serviço de táxis adaptados para todos que tem vindo a crescer

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As viaturas são preparadas para levar uma pessoa em cadeira de rodas

Serviço começou há cerca de uma década e, daí para cá, tem tido uma procura crescente, num negócio que tem uma componente social forte. Empresa tem a sua origem em 1976

Foi há dez anos que Marco Martins, através da sua empresa, comprou o primeiro táxi adaptado para pessoas com mobilidade reduzida. Na prática, trata-se de uma carrinha, com uma rampa na traseira, que permite subir a cadeira. Depois tem um sistema de fixação com quatro pontos (dois à frente e dois atrás) e outro sistema de cintos de três pontos igual ao de qualquer carro, que possibilita garantir a segurança e o conforto do passageiro em viagem.

Tudo começou porque a Câmara convidou os taxistas a adaptar uma viatura para existir um transporte público individual para pessoas com mobilidade reduzida. “Eramos a empresa com mais licenças de táxi na cidade e a Câmara convidou-nos”, conta Marco Martins. Na altura, analisou e percebeu que existia uma necessidade, dada a falta de oferta deste tipo de serviço na cidade e a existência de procura. Decidiu então avançar e, daí para cá, o serviço tem vindo a crescer, tendo agora três viaturas: a Renault Traffic de 9 lugares (que transporta cinco pessoas e uma de cadeira de rodas), uma Volkswagen Caddy de sete lugares (que leva quatro pessoas e uma de cadeira de rodas) e a mais recente, uma Opel Combo, essa com quatro lugares mais um para cadeira de rodas, mas fixos.

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“Têm características diferentes” e são usadas consoante a que melhor se adapte às necessidades de cada caso.

O transporte escolar de crianças com necessidades educativas especiais e os transportes relacionados com a Saúde são os principais focos de atividade destas viaturas, que fazem outros serviços de táxi. Os serviços com lares, por exemplo, são frequentes e as épocas festivas são particularmente procuradas, por motivos lógicos. São também o transporte referência para a Casa do Lago, um alojamento de luxo preparado para pessoas com mobilidade reduzida, na Foz do Arelho.

“Este é um trabalho que requer dedicação”, frisa Marco Martins. Acresce que “não é mais caro do que a tarifa do carro, é uma opção de transporte, mas não temos vantagem económica por ter esta opção”, esclareceu. “Mas é uma mais-valia para o concelho e para a mobilidade”, frisa.

Ao volante destes carros encontramos Francisco Pereira e Fábio Pinto. Falamos com este último, caldense, de 34 anos, que se iniciou como taxista precisamente neste serviço, há sete anos. “De início não gostava, vim para ser taxista e sentia que era quase um bombeiro”, conta, mas foi precisamente esse lado social do serviço que o fez passar a gostar do trabalho. “Criei afinidade e ver o agradecimento das pessoas, porque é um serviço muito específico em que damos a solução que as pessoas precisam”, esclarece, notando que apesar do maior esforço físico, este trabalho “é muito gratificante”.

A questão da força física que é necessária para a função fê-lo questionar-se sobre a sua capacidade para o trabalho, mas “com jeito tudo se consegue”, realça, notando que o patrão lhe ensinou como manobrar as cadeiras de rodas, o que facilitou. Mas, além da rampa de acesso à viatura, há, por vezes, degraus, por exemplo. E Fábio gosta de ajudar as pessoas.

Um dos casos mais marcantes foi de um cliente que ia para a Delgada e que não tinha braços nem pernas, pelo que quando chegava a casa, tinham que o pegar ao colo e passar da cadeira para o chão, acender-lhe as luzes e colocar as compras em cima da mesa de forma a que ele as conseguisse arrumar. “Vivia sozinho e dependia de nós para ficar bem e em segurança, com tudo a jeito”, recorda.

O transporte escolar é “uma responsabilidade acrescida” e com desafios próprios de comunicar, por exemplo, com crianças autistas. “Tento perceber durante a viagem se estão bem”, conta.

Entre as 7h30, quando entra ao serviço, e as 19h00, hora a que entrega o táxi (embora também faça serviços fora de horas, quando agendados), transporta muitas pessoas para hospitais, nomeadamente a levá-las para consultas em unidades hospitalares de Lisboa ou de Leiria.

Outro serviço que fazia recorrentemente era o transporte para a hemodiálise, onde testemunhava o quão duro era todo o processo para os pacientes. “Este trabalho mudou a minha visão da vida”, admite, exemplificando a ligação familiar que criou com alguns clientes.
Destes sete anos recorda, por exemplo, os momentos em que transportou diferentes pessoas que estão em lares e que as únicas vezes que vão a casa é nos aniversários ou encontros de família, mas também quem tenha ido ver o mar ou aproveitar este serviço para uma visita pela região adaptada a quem está em cadeira de rodas. “Fomos à Lagoa de Óbidos, depois a São Martinho do Porto e fizemos algumas paragens, numa espécie de tour”, conta.

Outra história que se recorda era um senhor que estava num lar do concelho e queria ir a casa para ver o seu cão e voltar. “Fomos mais do que uma vez”, lembra.

Uma família de taxistas
Marco Martins é filho de Leonel Martins e a sua esposa, Maria dos Anjos Martins, ambos taxistas, que em 1976 adquiriram a primeira viatura e que, em 1999, fundaram a empresa Leonel Martins Táxis Limitada. O filho, mal fez 18 anos, tirou a carta e começou a conduzir um táxi também.

Atualmente têm 12 viaturas táxi no concelho, de todas as tipologias e estes andam na rua entre as 5h00 e as 23h00 e, depois, entre as 23h00 e as 5h00, mediante as marcações. Entre a frota já têm um táxi elétrico, um Musso EV – KGM.
O empresário frisa ainda o bom trabalho que é desenvolvido pelos vários taxistas na cidade e no concelho. “As pessoas confiam em nós” e “é um mito dizer que somos mais caros que os TVDE porque nós temos tarifas fixas”, frisa, notando que “são objetivos diferentes, o táxi é um transporte público individual, tem uma história de há muitos anos para cá e tem provas dadas e o transporte privado de passageiros é uma coisa recente, com dinâmicas e regras diferentes”.

O testemunho de um utilizador
António Leal, lisboeta de 63 anos, que durante anos trabalhou nas Caldas como agente da Polícia de Segurança Pública, é um dos utilizadores deste serviço e partilha com a Gazeta das Caldas que “o serviço é ótimo, se não fosse isso não saía de casa”. É que há quatro anos, quando vivia e trabalhava em França, teve uma Isquemia Medular, com causas desconhecidas, que lhe afetou a mobilidade. “Nunca me deixaram ficar mal”, afirma.

Foi no final de 2023 que regressou ao seu país e foi nesse processo de mudança que conheceu a empresa de Marco Martins, que assegurou as deslocações de casa para o aeroporto e vice-versa.

“Ao nível das tarifas foi sempre muito bom”, descreve, notando ainda que a região está mal servida no que a esta oferta diz respeito, sendo esta uma exceção.

Há cerca de dois meses, António Leal decidiu comprar também ele uma carrinha adaptada, que lhe permite viajar no interior, mas também conduzir. E escolheu um modelo parecido aquele que o costuma transportar. Ainda assim, assegura, “vou continuar a utilizar os serviços deles”, por exemplo, para convívios ao jantar e outras ocasiões. “O serviço é espetacular”, resume.

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