Quinta-feira, 12 _ Fevereiro _ 2026, 10:47
Início Sociedade Concelho das Caldas regista 10 milhões de euros de prejuízos

Concelho das Caldas regista 10 milhões de euros de prejuízos

0
28
Zona mais baixa de Óbidos ficou inundada com hectares de campos agrícolas cheios de água e pessoas a serem retiradas das suas casas

Abatimentos de estradas, deslizamentos de terras, árvores caídas, problemas ao nível do abastecimento de energia e das telecomunicações, são alguns dos principais estragos registados nas freguesias do concelho das Caldas com as recentes tempestades

O mau tempo que tem assolado a região já provocou danos superiores a 10 milhões de euros no conjunto das freguesias das Caldas da Rainha. De acordo com o presidente da Câmara, Vítor Marques, os estragos ainda não estão todos apurados, o que o leva a crer que os valores ainda sejam superiores.

Numa relação dos danos preliminares para as redes viárias a freguesia dos Vidais é a que apresenta mais prejuízos, estando prevista uma estimativa de custos superior a 1,5 milhões de euros.

- publicidade -

Também Santa Catarina foi bastante afetada pela intempérie, com custos a ultrapassar 1,2 milhões de euros, valores muito semelhantes aos apresentados pela freguesia de Alvorninha.

A-dos-Francos já apresentou uma estimativa de custos na ordem dos 535 mil euros e no Carvalhal Benfeito os valores ascendem a 960 mil euros.
Na Foz do Arelho os danos na rede viária cifram-se nos 220 mil euros, enquanto que no Landal o valor ascende a 315 mil euros. Também as vias da freguesia de Salir de Matos foram bastante afetadas, com custos para a sua reabilitação a ultrapassar os 920 mil euros.

Relativamente às uniões de freguesia, a de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e S. Gregório foi a que mais danos registou, com prejuízos que se estima que custarão 950 mil euros a reparar. A estimativa de investimento para fazer face à destruição causada pela intempérie na União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro é de 175 mil euros, enquanto que na União de Freguesias de Tornada e Salir do Porto anda na ordem dos 140 mil euros.
Mas além destes estragos imediatos já visíveis, há também impactos a nível económico, por exemplo, no sector agrícola, ao nível do turismo e na indústria.

Inundações em Óbidos
No concelho de Óbidos foram marcantes as inundações na Rua da Biquinha, trazendo à memória as inundações do ano de 2006.

Neste concelho todos os rios e ribeiras transbordaram devido a uma descarga da barragem que inundou hectares de campos agrícolas. Os moradores da zona mais baixa, junto da Rua da Biquinha, foram retirados, dado que as habitações ficaram inundadas.

A descarga deveu-se ao facto de a barragem do Arnóia ter um mecanismo de segurança que, a partir dos 31,45 metros de altura do nível de água, aciona a abertura automática das comportas. Com o aumento do caudal de água, os dois rios que atravessam o concelho (Arnóia e Real) e as ribeiras galgaram as margens.

A autarquia obidense ativou então uma Zona de Concentração e Apoio à População (ZCAP), no Pavilhão Municipal, que permitia estar preparada para responder, de forma adequada e atempada, às eventuais necessidades.

Região Oeste foi toda afetada
Por estes dias, nos vários concelhos da região Oeste, muitas foram as vias intransitáveis, umas fechadas pelos danos sofridos, outras encerradas por precaução, várias escolas e jardins de infância foram fechados, com as crianças e jovens a irem para casa. A falta de energia elétrica nuns casos e de água noutros impossibilitava o normal funcionamento dos estabelecimentos escolares. Edifícios como museus foram encerrados e vários acabaram mesmo por sofrer danos (são os casos, por exemplo, do Museu José Malhoa, nas Caldas, ou do Mosteiro de Alcobaça, ambos afetados nas suas coberturas, entre outros estragos).

À Gazeta das Caldas o comandante sub-regional de emergência e proteção civil do Oeste, Carlos Silva, explicou que desde o dia 28 de janeiro e até ao final da tarde desta terça-feira (dia 10 de fevereiro), nos 12 concelhos da região Oeste, foram registadas 3935 ocorrências relacionadas com a meteorologia adversa. Destas, registaram-se 1546 quedas de árvores, 699 movimentos de massa (deslizamentos de terras), 586 inundações, 950 quedas de estruturas, 124 limpezas de via e ainda 10 salvamentos terrestres e 20 aquáticos.
Os concelhos com mais ocorrências foram os de Alcobaça, com 774, de Torres Vedras, com 570 e o das Caldas da Rainha, com um total de 402 ocorrências.

O número de desalojados na região Oeste subiu para 87 devido ao mau tempo, depois de muitos terem saído de casa primeiro por precaução e depois terem ficado com as suas habitações destruídas por deslizamentos de terras.
Destes, oito já regressaram a casa em Alcobaça, segundo o balanço feito pelo comandante Carlos Silva à agência Lusa após uma reunião dos meios regionais da Proteção Civil, na segunda-feira.

“Muitas pessoas que saíram por precaução das suas casas vieram a ficar desalojadas, porque as suas habitações ficaram completamente destruídas”, justificou.

Dos atuais 79 desalojados da região, 48 são de Arruda dos Vinhos, dos quais oito ficaram com “danos estruturais na habitação” e os restantes saíram por precaução devido a deslizamento de terras, tendo sido realojados em casas do município ou de familiares.
Registam-se ainda 10 desalojados no Sobral de Monte Agraço, sete na Lourinhã, seis em Alenquer, três em Torres Vedras, três na Nazaré e dois no Cadaval, devido ao facto de as suas habitações terem ficado parcial ou totalmente destruídas seja por inundações ou deslizamentos de terras, obrigando-as a ficar realojadas em casas de familiares ou dos municípios.

Já o número de deslocados baixou de 224 para 192, dos quais 77 já regressaram às suas casas em Alcobaça, Óbidos e Peniche, desde 28 de janeiro.

Dos atuais 115 deslocados, 65 são de Alenquer, 15 de Torres Vedras, 10 de Óbidos, cinco de Arruda dos Vinhos, cinco de Peniche, quatro da Lourinhã, três do Cadaval, três de Sobral de Monte Agraço, três da Nazaré, um do Bombarral e outro de Caldas da Rainha.

Em relação à falta de água que afetava sobretudo os concelhos de Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço, devido a danos numa conduta da EPAL, entretanto reparada, a água foi reposta em Arruda dos Vinhos e em metade do Sobral de Monte Agraço, estando noutra parte camiões-cisterna a abastecer os reservatórios para garantir que não há falta de água. Em Torres Vedras, o abastecimento de água já foi reposto em várias freguesias, mantendo-se cerca de 4.000 clientes das freguesias de Dois Portos, Carvoeira e Carmões e Maxial e Monte Redondo com constrangimentos.

A falta de eletricidade na região não é tão significativa, afetando menos de 7% da população nos concelhos de Alcobaça (Pataias e Martingança) e Torres Vedras (Turcifal e Ramalhal), de acordo com o comandante regional.

A Comunidade Intermunicipal do Oeste já pediu ao Governo que a situação de calamidade seja alargada aos concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço.

Loading

- publicidade -
Visão Geral da Política de Privacidade

Este website utiliza cookies para que possamos proporcionar ao utilizador a melhor experiência possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu browser e desempenham funções como reconhecê-lo quando regressa ao nosso website e ajudar a nossa equipa a compreender quais as secções do website que considera mais interessantes e úteis.