Bem vindos à III Guerra Mundial. Não parece porque as noticias das batalhas travadas e confrontos nas ruas não batem o Show-Trump nos canais de televisão, agências noticiosas ou nas redes sociais, mas assim é. Os caprichos autoritários do multimilionário, besta-de-negócios e estrela da televisão Trump vencem todas as audiências.
A Palestina ficou e fica sempre para último. Há demasiadas coisas a acontecer, o regime de apartheid judeus/palestinianos já não é novidade (nunca o foi) e o genocídio gastou-se na retórica do comentário indignado com o termo ou com a flotilha. Chato quando gente comum consegue desviar a atenção para a necessidade de agir face ao horror de um genocídio pondo em causa a inoperância e veleidade de instituições, governos e media. Malditos ativistas.
Hoje o mundo é de Trump, Putin (que ele inveja) e da China, essa massa gigantesca e silenciosa feita de acordos comerciais. Agora é assim, o poder é tripartido. Caem as instituições internacionais da lei e ordem, como a ONU e a NATO e cabe aos mais fortes guerrearem-se para dominar tudo e todos a bem da sua riqueza e majestade.
Compreende-se assim que um resort paradisíaco em Gaza passe a ser uma anedota. Isso e a ocupação violenta de terras na Cisjordânia Ocupada ou a expulsão de palestinianos em Jerusalém. Afinal de contas Israel tem mais dinheiro, relações de poder/negócios e armas que a Palestina…
Continua a ser nas redes sociais que sabemos das notícias. A ajuda humanitária continua a não chegar à população subnutrida que vive agora num lamaçal de tendas debaixo de vento e chuvas fortes. Os colchões absorvem como esponjas as torrentes de água, o vento entra destruindo tudo no seu interior e bebés morrem de hipotermia. Infraestruturas de saúde, educação, energia… continuam a ser atacadas, apesar do “cessar-fogo”. As famílias e organizações humanitárias (a quem Israel continua a restringir o acesso) ajudam no que podem: na distribuição dos parcos alimentos e cuidados médicos, no restabelecimento de redes de água e saneamento básico, na reconstrução de algumas casas utilizando as ruinas e tapando com as mãos as fendas com lama. A resistência dos palestinianos é admirável. Apesar duma cidade em ruínas, Gaza abriu as portas às escolas, desde as creches às universidades onde recentemente se licenciaram novos médicos prontos a cuidar do seu povo doente e fragilizado pelas condições inumanas em que vivem.
Na Cisjordânia Ocupada a situação piorou muito. Israel continua a ocupação do território palestiniano permitindo aos colonos israelitas a invasão, apropriação, destruição e violência física sobre as famílias de agricultores e pastores nativos. As tropas de Netanyahu assistem a tudo incólumes. Os ativistas no local, palestinianos, judeus e internacionais documentam o que se passa e transmitem-no ao mundo. Ao pequeno mundo que não se esquece da Palestina e segue por exemplo o jovem jornalista e ativista judeu Andrey X Khrzhanovskiy no Facebook ou IG. Ao pequeno mundo que se faz grande na sua humanidade incondicional e sempre presente.
A Palestina somos nós de verdade.
Palestina Livre Caldas








