
Financiamento municipal protocolado com Unidade Local de Saúde do Oeste garante equipa médica 24 horas por dia
“Este é um dia histórico para nós!”. Foi assim que o médico Pedro Carvalho, diretor clínico dos Cuidados Hospitalares da Unidade Local de Saúde do Oeste classificou a assinatura do protocolo de colaboração assinado com a Câmara Municipal de Peniche, em vigor desde quarta-feira, que vai permitir assegurar o funcionamento 24 sobre 24 horas do Serviço de Urgência Básica do Hospital São Pedro Gonçalves Telmo. Este serviço estava recorrentemente afetado por falta de médicos, que impedia o seu normal funcionamento, mas Pedro Carvalho assegura que “isso acabou”, porque recebeu a garantia que os dez profissionais que vão assegurar as escalas “não vão falhar”.
Formalizado no passado dia 27 de Março no Centro Cívico Intergeracional Professor Rogério Cação, em Peniche, a presidente do Conselho de Administração da ULS Oeste assegurou que “este não é apenas um documento formal, queria deixar isso bem explícito, é acima de tudo um compromisso”. Elsa Baião destacou, neste processo, “o papel determinante e fundamental” desempenhado por Pedro Carvalho, a quem se deve a operacionalização deste projeto único na região e, provavelmente, a nível nacional, no âmbito dos cuidados hospitalares. Destacou também o empenho do presidente de câmara Filipe Sales, que representa uma solução da complementaridade entre as duas entidades. “Não é apenas a subscrição de uma vontade, é um compromisso no sentido que tem exigências, tem resultados que vão ser medidos e que são determinantes depois para a sua evolução e para a sua continuidade”, assegurou. Está previsto que dentro de três meses seja avaliada esta solução e, se for positiva, continuará até ao final do ano.
O compromisso assumido entre a ULS Oeste e o Município de Peniche é simples: a Câmara Municipal assume o pagamento complementar diário de 15 euros/hora de dois médicos, a alimentação e, caso seja necessário, o alojamento e vagas nos jardins-de-infância e primeiro ciclo do ensino básico. Representa, ao fim de um ano, um custo de 250 mil euros. No caso da alimentação, os restaurantes da cidade aceitaram o repto lançado pela autarquia e comprometem-se a fornecer e a levar os almoços e jantares gratuitamente. A ULS Oeste recorre a médicos prestadores de serviços já contratados, que vão receber um valor ligeiramente mais alto por hora de serviço, que representará um acrescimento anual para a instituição na ordem dos 15 mil euros.
Filipe Sales frisou que “o município não substitui o Estado” e assegura que “vamos continuar a exigir ao Governo respostas para o nosso hospital”, porque nós neste momento estamos a fazer algo que não nos dizia respeito do ponto de vista formal, mas entendemos que alguma coisa tinha que ser feita”. Haverá, ainda, consequências orçamentais para a edilidade, porque este encargo irá refletir-se na concretização de objetivos estratégicos municipais que serão reponderados. “Estas regalias são atribuídas aos médicos, de forma a criar uma equipa fixa e coesa no nosso hospital, que garantirá que a urgência não encerra”, frisou o edil à Gazeta. Trata-se também de uma decisão que irá beneficiar toda a região, “uma vez que o hospital tem uma área de influência que vai além dos limites territoriais do concelho”.
A manutenção da Urgência Básica do Hospital de Peniche, apesar de estar limitada quanto ao nível da prestação de cuidados de saúde hospitalares mais exigentes – como o tratamento de uma fratura ou de um AVC – ainda assim vai contribuir para diminuir a pressão das urgências das Caldas e Torres Vedras, que funcionam em rede no seio da ULS Oeste.








