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LIVRE quer converter Pavilhões do Parque no “Palácio da Criação”

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Inês Pires, da estrutura local, e Rui Tavares, porta-voz do LIVRE, estiveram à conversa com cerca de 30 pessoas no CCC

Ao invés de turismo de luxo, porta voz do LIVRE defende o usufruto dos edifícios como espaço a acolher associações, atividades culturais e residências de artistas

Rui Tavares espera, a partir de “uma situação de abandono e de eventual privatização, inspirar o resto do país a criar um novo tipo de espaço, de maneira de viver a cidade e de criar economia”. O porta-voz do LIVRE refere-se aos Pavilhões do Parque que atualmente estão concessionados à Visabeira para a construção de um hotel de 5 estrelas, mas para onde defende uma utilização mais comunitária, através do Palácio da Criação, um “upgrade” às Casas da Criação que querem instituir em vários locais do país, reabilitando edifícios devolutos, explicou, durante a conferência “Uma Casa para Criar – Conversa sobre o futuro dos pavilhões do Parque D. Carlos I”, que decorreu na manhã de 21 de março, no CCC.

Os Pavilhões do Parque têm um historial de utilização como serviços públicos (escola, biblioteca) e Rui Tavares considera que haverá espaço para interação do setor público, empresarial e também cooperativas e associações, ou designers para terem ali os seus estúdios, residências artísticas. O LIVRE já tem apresentado a proposta para a constituição das Casas da Criação em diversos Orçamentos de Estado. Estas são inspiradas no movimento Pontos de Cultura, que o ministro Gilberto Braga criou no Brasil.

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A proposta passa pela celebração de protocolos com o Estado, que recuperará os edifícios e entregará as chaves e gestão, com “programas bem definidos e contratos”. Para Braga sugere a criação da Casa Variações, em Lisboa a da Casa Amália e para as Caldas a Casa Bordalo, que têm como foco “entusiasmar a população num movimento de recuperação destes edifícios e de lhes dar valências”. De acordo com Rui Tavares pode lá caber o hotel de cinco estrelas, mas também residências artísticas, um centro cultural, significando um local mais habitado, um centro da cidade mais vivo e lugares onde as pessoas, “por uma renda módica, têm a chave do seu estúdio e podem ir trabalhar”.

O também deputado na Assembleia da República considera que, na sequência das intempéries recentes, é necessário “reconstruir melhor”, defendendo a criação de uma agência, que dará uma melhor resposta do que a unidade de missão já formada pelo Governo.

Processo “bastante inquinado”
Tendo por base registos, fotografias e plantas disponíveis, o arquiteto Francisco Costa imaginou uma Casa da Criação nos Pavilhões do Parque, que foi apresentada durante a sessão, que contou com a presença de cerca de 30 pessoas. Entre elas, o presidente da Câmara, Vítor Marques, que lembrou que o processo dos Pavilhões começou em 2015 com a concessão por parte do Estado à autarquia e, depois, o lançamento do concurso internacional, ganho pela Visabeira para a construção de um hotel de cinco estrelas, mas que ainda não está concretizado. O autarca reconheceu que o processo “está bastante inquinado” e que embora o contrato ainda esteja em vigor começam a “esgotar-se todos os tempos”. Lembrou que o Estado nunca manifestou interesse em investir nos edifícios e salienta que ter ali uma unidade de cinco estrelas é importante também para dar resposta à comunidade.

“O próximo ano será fulcral e terão de ser tomadas decisões sobre construir-se ou haver rutura com o contrato”, disse, acrescentando que estão a tentar negociar, ainda de forma muito inicial, a possibilidade de usar espaços da antiga Casa da Cultura para albergar o novo espaço do Teatro da Rainha.

A autarquia está também a estudar as possibilidades de haver algum investimento naquele local através dos vistos Gold para a cultura. Já o atual presidente da Assembleia Municipal, Fernando Costa, lembrou que enquanto presidente de Câmara não concordou com os termos da concessão que o Estado fez à Câmara, considerando-a “ruinosa para o município”. Fernando Costa, que foi presidente da Câmara até 2013, considera que os pavilhões estão a precisar de uma reabilitação profunda e reconhece que se o hotel for a forma de os salvar, que a aceita, mas que sempre pensou para aquele espaço uma solução idêntica à que o LIVRE defende. Entende que deveria ser uma recuperação da Câmara e do Estado para centro de atividades culturais. Reconhece a credibilidade do grupo Visabeira, mas começa a ter “dúvidas, passados sete anos [que já devia estar o hotel pronto], que este hotel vá para a frente”, disse, esperando que isso aconteça, tendo em conta o investimento público necessário para a solução de centro de atividades culturais.

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