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Gazeta das Caldas recebeu a medalha de honra da Cidade

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A equipa da Gazeta das Caldas recebeu a medalha

O jornal que está a assinalar o centenário e um homem, José Lalanda Ribeiro, que “é uma referência ética” receberam a medalha de honra no Dia da Cidade. Na cerimónia onde foram atribuídas também 22 medalhas de mérito, foi lembrado o legado da Rainha D. Leonor e reiterada a defesa da construção do novo hospital nas Caldas da Rainha

“Um jornal que conquistou o centenário e que muito prestigia a cidade e o concelho e um cidadão ilustre que dedicou toda a sua vida ao serviço da comunidade”. Foi com estas palavras que o juiz desembargador Carlos Querido começou a sua intervenção sobre a Gazeta das Caldas e José Lalanda Ribeiro, os homenageados com a medalha de honra da cidade no passado dia 15 de maio.

Referindo-se à Gazeta das Caldas, Carlos Querido começou por lembrar que, durante este século de existência, foram publicadas 5643 edições e contou com o contributo de 10 diretores, centenas de colaboradores, entre jornalistas, administrativos, tipógrafos e comerciais, e chegou a leitores de várias gerações, de vários territórios, incluindo os da longínqua diáspora. “Foram décadas, a abolir fronteiras, a fortalecer os laços de identidade entre famílias e comunidades dispersas pela emigração, dispersas pelo mundo, a cumprir a sua missão de preservação da memória coletiva, de promoção da coesão territorial, de exercício de um jornalismo comprometido com as comunidades que serve”, realçou.

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Carlos Querido lembrou que foi também um século de “resistência à adversidade, ao “cerco das conjunturas adversas”, políticas, económicas, sociais, ao sufoco da falta de meios financeiros, com “a teimosia, quase obstinação, de quem nunca desistiu”, recordando o texto de Marcelo Rebelo de Sousa publicado na edição do Centenário. Mas será mais difícil hoje, reconheceu o orador, referindo-se à concorrência digital, à perda de hábitos de leitura, à “imposição redutora” de um mundo global uniformizado “que, como uma esponja, apaga e esbate diferenças, tende a fazer-nos esquecer a aldeia, a rua, o bairro que nos identificam com o jornal local”. Num país em que, em 2022, mais de metade dos concelhos portugueses (54%) estavam em situação de deserto informativo, resistir, construindo um jornal semana após semana, “é um ato heroico que merece ser celebrado”, sustentou.

A Gazeta das Caldas é suportada por uma cooperativa sem fins lucrativos, “uma livre associação de homens e mulheres” que, com o seu empenhamento cívico, podem influir nas decisões e nos destinos da instituição, o que o leva a considerar que, também por essa razão, “é Património da Comunidade que serve, sem excluir ninguém” e que deverá considerar-se como Património Cultural Imaterial da Cidade.

Considerando que a Gazeta das Caldas é um “fator de união dos caldenses”, Carlos Querido salientou que a atribuição da medalha de honra da cidade é uma “justa homenagem” a todos quantos colaboraram e colaboram com o jornal, apesar do “horizonte sombrio que ameaça toda a imprensa local e regional, apesar das angustiantes inquietações quanto ao futuro incerto”. Também José Luís Almeida, presidente da direção da Cooperativa Editorial Caldense, dedicou a medalha a quem todos os dias faz o jornal. “Nós passamos, a Gazeta fica”, salientou.

Na apresentação de José Lalanda Ribeiro, também distinguido com a medalha de honra da cidade, Carlos Querido destacou o seu sentido de serviço público e realçou valores que toda a comunidade lhe reconhece: altruísmo, simpatia, urbanidade e uma extrema bonomia. Depois de recordar o seu extenso e rico percurso, profissional, político e cívico, o orador lembrou que Lalanda Ribeiro não tem inimigos, porque respeitou sempre os seus adversários. “Num tempo de gritaria, de tempestades mediáticas, de indignação e de injúria, favorecidos pela comunicação digital, nesta sociedade de raiva e de intolerância em que nos sentimos mergulhar, a falta que nos fazem pessoas com a bonomia de José Lalanda Ribeiro”, frisou.

O homenageado foi “sempre um homem bondoso, todos os adversários lhe reconhecem a bondade da relação humana, a gentileza, a urbanidade, a generosa simpatia, a humildade digna”, continuou Carlos Querido, realçando que são estas qualidades que o tornam uma figura transversalmente consensual. Em suma, “uma referência ética para a cidade que hoje o homenageia”, concretizou.

Lalanda Ribeiro agradeceu aos órgãos autárquicos a deliberação, mas sobretudo à família, “que foram os grandes prejudicados” com as suas ausências, e recordou os pais, a quem deve quem é.

Este ano, foram ainda atribuídas mais 22 medalhas de mérito municipal e dedicação pública a entidades e personalidades caldenses. Entre elas, a de mérito cívico e humanitário, atribuída a José Viegas a título póstumo, foi aplaudida de pé pelo auditório praticamente lotado.

O legado da rainha e os caldenses
Tendo a saúde e o termalismo como uma “âncora do futuro”, o presidente da Câmara apelou ao consenso na decisão sobre a construção do Novo Balneário Termal. A Câmara irá também mandar fazer um estudo para a localização do Novo Hospital do Oeste, convicta de que este ficará localizado nas Caldas da Rainha.

A Casa da Juventude abrirá portas este ano e, ao nível da educação, irá aumentar a oferta no ensino superior, na área da saúde. Na sua intervenção, o presidente da Câmara destacou as pessoas e o seu “espírito de resiliência”, lembrando o impacto causado pelas tempestades do final de janeiro e do trabalho de todos, em equipa, e da solidariedade entre recursos do público e do privado.

E, embora as Caldas não tenha sido dos municípios mais afetados, “a nossa vulnerabilidade com os bens primários, luz e água, fez repensar estratégias e definir prioridades”, lembrou Vítor Marques, dando conta da atualização dos apoios às várias entidades e instituições e das ações que estão a ser desencadeadas pelo município.

Vítor Marques deu conta que as obras da Entrada Norte e da requalificação do Centro de Saúde estão “em fase de conclusão” e que pretende iniciar outras ainda este ano, como é o caso das requalificações da Escola Básica do Bairro da Ponte e Biblioteca Municipal, a Creche dos Carreiros e o relvado do campo Luís Duarte, assim como a requalificação da Entrada Poente de acesso à Zona Industrial. E, este ano será concluído o processo da revisão do PDM, que “aumenta, consideravelmente, as áreas industriais”, explicou.

A discursar, agora como presidente da Assembleia Municipal, na sala que inaugurou 18 anos antes, Fernando Costa lembrou o legado da rainha D. Leonor e que as Caldas tem a particularidade de saber quando foi fundada. “Ao lançar o hospital, [a rainha] lançou a cidade, a sua origem, a sua alma. E não se limitou a lançar um hospital, mas também a constituição desta cidade, que se chama O Compromisso, que ela legou ao concelho e aos futuros habitantes”, salientou.

Fernando Costa lembrou várias personalidades dos campos das artes e da indústria que se destacaram nas Caldas ao longo do tempo e deixou uma sugestão ao executivo: que a casa onde nasceu José Malhoa venha a ser classificada. Na pessoa de José Lalanda Ribeiro, referiu-se a todos os distinguidos este ano, agradecendo o que fizeram e vão continuar a fazer pelas Caldas, ainda que, como referiu, nem todos tivessem colhido unanimidade.
Na cerimónia, que começou ao som da oficina de flauta transversal do projeto OSIA (que juntou em palco crianças de seis nacionalidades), foi homenageado o artista plástico José Santa-Bárbara, falecido recentemente.

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