Estamos vivos. Vistos do chão até parecemos direitos. Uma curvatura ligeira, talvez, dos ossos ou das horas perdidas. Há que reconhecer, a nossa melhor actuação foi com os holofotes apagados, já toda a gente havia recolhido os microfones. Mas tu leste o poema e disseste: estamos vivos. E eu toquei-te nos ombros e fizemos coisas, fazem-se coisas, é preciso fazer acontecer na curva do tempo. Ora vê estes olhos cegos, ora bebe os restos de vinho nos meus lábios. Estamos vivos, amigo. Uma dor estranha passa por nós a alta velocidade, crescemos enquanto os ossos dos filhos se esticam à altura dos nossos ombros. 





