
A associação, dedicada ao bem-estar animal, nasceu em 2001 e, nos últimos anos, tem vindo a melhorar as suas instalações e a aumentar a taxa de adoções. Este domingo realiza-se a festa dos 25 anos, em forma de agradecimento, na Expoeste
9 de abril de 2026. Estamos nas instalações da CRAPAA, nas Caldas, junto aos estaleiros municipais e na zona da antiga Matel a falar com as responsáveis da associação, exatamente 25 anos após a criação da mesma. Milene Francisco é a presidente há três anos. Veio estudar para a ESAD, licenciar-se em Design Gráfico, e ficou por cá. Juntou-se à CRAPAA há 15 anos. “A causa animal sempre me chamou a atenção e juntei-me, na altura fazíamos campanha na Rua das Montras e foi assim que comecei”, recorda, notando que, nessa altura, ainda “havia cães presos à corrente e boxes de terra batida”. Realça, assim, a evolução no espaço da associação, desde a criação da zona de enfermaria, armazém e escritório para medicação e ração (em 2022 e para o qual contaram com a ajuda da autarquia), à melhoria das boxes. Depois foram feitos os telheiros e, mais recentemente, em 2023 – ano em que adquiriram a carrinha – foi criado o puppy center, para abrigar, de forma resguardada, as mães e bebés nos primeiros meses de vida. No último ano adaptaram a casa de banho existente para ter uma zona de banhos, com água quente todo o ano. Outra grande melhoria foi a contratação de um serviço de desratização. “Os ratos eram um problema”, até porque este espaço foi, outrora, uma lixeira.
A prioridade agora é renovar a área de quarentena, porque “os animais feridos ou que acabam de chegar são aqueles que requerem mais cuidados iniciais” e, “se vêm de uma cirurgia precisam de ter uma área protegida, onde não chova e não entre frio, que tenha uma temperatura mais amena e que tenha uma limpeza mais fácil, para evitar contágios”, explica. Estimam que a zona de quarentena possa custar mais de 25 mil euros. “O arquiteto está a fazer o projeto e já temos algum dinheiro angariado, porque começámos no último ano, e temos um voluntário que está a fazer o Caminho de Santiago para angariar fundos para este projeto”, nota. Um dos problemas é o aumento dos materiais.
“Queremos um canil novo, mas não é do dia para a noite que conseguimos” e, enquanto tal não acontece, a missão é proporcionar o melhor possível aos animais neste espaço que tem 23 boxes, procurando melhorias constantes. Recentemente a tempestade afetou seis boxes, com árvores caídas. “Duas, felizmente foi possível arranjar no momento, no entanto quatro tiveram que levar uma estrutura de raiz e foi necessário investir para ter proteção dos animais. Para os quatro novos telhados, que custaram quase 3000 euros, contaram também com vários donativos.
138 resgatados, 130 adotados
Mas, fruto da sua formação, Milene reformulou também a imagem gráfica da CRAPAA, passou a fazer os cartazes, folhetos e cartões. “Criámos redes sociais, o que foi muito bom para divulgar o trabalho da associação”, frisa. O desenvolvimento de merchandising foi outra forma de angariar fundos. “Quando entrei o número de adoções e resgate era pouco ou nenhum”, nota, esclarecendo que no ano passado foram 138 cães resgatados e 130 adotados. E não são apenas adotados nas Caldas, inclusivamente, já foram adotados por pessoas no Canadá, Bélgica, Espanha, etc. Tal ocorre principalmente devido à forte ligação à comunidade estrangeira. O processo de adoção tem várias fases: o questionário, a visita, a visita à casa e depois há um período experimental de 15 dias. “Tentamos que as adoções tenham o máximo sucesso. O retorno acontece, mas não é frequente”, conta, salientando que “o objetivo é que vão sempre para melhor”.
A CRAPAA tem atualmente mais de meia centena de cães no canil e 20 em famílias de acolhimento. Todos os animais na associação são desparasitados interna e externamente, são chipados e esterilizados e têm as vacinas todas em dia, mas “isto requer uma grande gestão e fundos”. Apenas os bebés, por não terem idade, não são esterilizados, no entanto, o termo de adoção obriga a que sejam esterilizados entre os seis meses e um ano de idade. “Só dessa maneira é que vamos conseguir combater esta sobrepopulação de animais abandonados, para o qual não há adoções”, faz notar.
No último mês começou um projeto com um grupo de voluntários para trabalhar com cães que vêm de estado selvagem, que não dão confiança aos humanos e, portanto, que são mais dificilmente adotados. Os voluntários estão a trabalhar na reabilitação, até porque, além da dificuldade em ser adoptado, o processo de adoção, em si, dificilmente terá sucesso. “Além de resgatarmos os animais, temos que reabilitá-los, para estarem aptos para que encontrem as suas famílias, seja na parte da saúde, seja nessa parte da confiança, porque muitos estão traumatizados com os humanos”.
Diariamente os cães são abertos das boxes e levados às play areas (que foram criadas em 2016, após uma voluntária ter feito uma caminhada a pé de Itália até às Caldas para angariar fundos) e à área central do canil. As boxes são limpas e depois os cães vão comer. Nesta fase há um trabalho de gestão para não juntar cães que não se dão bem para evitar conflitos. Da parte da tarde um grupo de voluntários vem passear e reabilitar cães, pelo que os animais voltam a sair para as play areas ou para o exterior, “porque é importante um animal quando sai daqui já saber andar à trela, aceitar um peitoral, etc. Sabemos que o processo de adoção vai correr melhor”, frisa.
As principais necessidades da associação passam pela alimentação, medicação e material para manutenção do abrigo, como redes e cimento. Sacos do lixo, lixívia e detergentes são de uso diário.
Várias formas de contribuir
Milene frisa a importância dos voluntários nestes 25 anos de vida da associação e também a diversidade de formas de fazer voluntariado. No fundo, “há muitos formas de contribuir” com a associação, realça. Um exemplo são os apadrinhamentos de animais, com três formas (o normal, que corresponde a 10 euros por mês ou a ração do animal, o especial, que é para quem pretende dar qualquer valor mensal acima dos 15 euros e o da saúde que garante a medicação de um mês). “Os padrinhos têm vindo a crescer e são uma fonte muito importante de receitas para assegurar o trabalho”, nota.
A ligação da CRAPAA, que tem cerca de 500 sócios nas suas listagens, à comunidade é uma das grandes conquistas destes 25 anos, frisam as responsáveis, dando vários exemplos.
A associação procura ainda participar no máximo de eventos, como forma de divulgação e angariação de fundos. Tasquinhas, Frutos, idas a escolas e lares e campanhas em supermercados são exemplos. “Temos uma parceria com o Marriott, porque resgatamos muitos animais da zona da Praia d’el Rey, o canil municipal de Óbidos faz o resgate e nós acolhemos e muitos animais vêm de lá”, pelo que há uma ligação forte com a comunidade, que organiza eventos de angariação de fundos e ajudou a associação a comprar a carrinha.
Desde há três anos têm também uma parceria com o McDonald’s, sendo uma das associações que os funcionários podem escolher para realizar um dia de voluntariado pago.
Além de trabalharem com o Centro de Recolha Oficial das Caldas, que é seu vizinho, colaboram, desde o ano passado, com o Canil Municipal de Peniche.
“Criámos há quatro anos uma rede de apoio de associações do Oeste”, conta. “Já colaborávamos com algumas associações e custava-me muito chegar ao fim dos meses e do ano e mandar medicação cara para o lixo por estar fora de validade”, lembra. Foi assim que surgiu a ideia. Atualmente têm um grupo onde partilham o que têm a mais, seja medicação, ração, mantas, materiais, etc. reduzindo o desperdício e ampliando a ajuda.
A CRAPAA – Caldas da Rainha Associação Protectora dos Animais Abandonados – foi criada em 2001 e começou por acolher cães num terreno emprestado no Nadadouro, mas sem água ou luz. Recebeu este espaço três anos depois da criação, num processo moroso, com várias reuniões. No domingo, dia 19, vai assinalar-se o quarto de século, na Expoeste, numa iniciativa que servirá para celebrar, mas sobretudo para agradecer. A comemoração contará com uma gincana canina, com um concurso canino, animação musical e espaço infantil (com insufláveis e pinturas faciais), entre outros atrativos. A entrada é livre e o evento é, claro, pet friendly!













