
Esse é um dos objetivos, a par da aquisição de veículo para o interior da vila
Os Bombeiros de Óbidos pretendem ter mais um veículo de combate a incêndios que consiga entrar no castelo. “Este é um desejo antigo, de termos mais do que um veículo que o consiga”, disse o presidente da associação, Mário Minez, admitindo que essa “é uma preocupação”.
O dirigente falava nas comemorações do 99º aniversário da associação, no domingo, no quartel, num discurso onde salientou a necessidade de requalificar o quartel e dar solução à falta de condições, que afeta em especial as bombeiras, mas também da necessidade de uma nova ambulância de socorro. Durante este ano, foi comprada uma, mas “que teima em não chegar” e há ainda “a reparação de uma outra ambulância, que parece que não tem fim, quase há um ano”. Neste último ano, os Bombeiros concluíram “o processo de operacionalização do VUCI – Veículo Urbano de Combate a Incêndios, que não é novo”, mas que “vai-nos servir por muitos anos” e que foi um investimento de 120 mil euros. Foi também feita a aquisição dos capacetes em falta “para que todos tenham um capacete novo e igual”.
Mas este foi um ano marcado pelo “reconhecimento que o município demonstrou com o aumento significativo daquele que é o valor do protocolo de apoio aos bombeiros, assim como o compromisso assumido para, no nosso centenário, fazermos a inauguração de um monumento aos bombeiros na Praça da Criatividade”.
Numa retrospetiva de 2025, frisou que foi “um ano bastante agitado” com duas saídas de comandantes. “Na saída do comandante Marco Martins, há pouco mais de um ano, a atual comandante Patrícia Reis estava no comando há mais de 12 anos e, naquela fase, procurava fazer uma pausa para se dedicar um pouco mais à família e aos estudos e, naquele momento não quis aceitar o desafio de ficar como comandante, embora tenha assumido em substituição até a nomeação do mesmo”, recordou Mário Minez, esclarecendo que “o ano passado foi um ano bastante agitado, houve incêndios bastante intensos, prolongados, uma época de incêndios um pouco mais extensa e, depois dos incêndios, começaram as tempestades e percebeu-se que estava a ficar complicado conciliar a missão do coordenador municipal com a de comandante dos Bombeiros e, face às exigências, o comandante Bruno Duarte achou que estava no momento de sair por forma a se encontrar uma solução antes de entrarmos de novo numa época crítica”. Além da primeira comandante dos Bombeiros de Óbidos, Patrícia Reis “passou a ser a primeira e única comandante do género feminino no distrito de Leiria e das poucas no país”.
Embora este ano não tenha havido condecorações nem promoções, “quero reconhecer publicamente que todos merecem muito mais do que as medalhas”. Para comemorar o centenário pretendem organizar diversos eventos, ao longo do ano.
A nova comandante, Patrícia Reis, lembrou o legado deixado ao longo de 99 anos e, a um passo do centenário, disse que “esse momento não é apenas uma celebração, é um desafio que nos obriga a olhar para aquilo que fomos, para aquilo que somos e acima de tudo para aquilo que queremos ser” e que se trata do “início de um novo ciclo, de exigência, de responsabilidade e de compromisso com excelência”. Destacou também a importância da formação e da união e agradeceu aos Bombeiros, famílias, dirigentes e parceiros.
Já João Paulo Batista, da Federação dos Bombeiros do Distrito de Leiria, frisou que “é imperativo assegurar carreiras dignas, estáveis e estruturadas que valorizem o esforço, a formação e a dedicação” e “é igualmente fundamental a criação de contratos-programas com as associações” e “um programa de reequipamento que permita modernizar os meios e reforçar a segurança de todos os operacionais, evitando desperdícios de recursos em viaturas obsoletas e pouco eficientes”.
Por sua vez, o presidente da Câmara, Filipe Daniel, disse que “hoje Óbiods levanta-se para homenagear uma das instituições mais novas, mais respeitadas e mais indispensáveis do nosso concelho. O edil obidense falou da “decisão de aumentar de forma muito expressiva” o apoio à associação e notou que “os riscos são hoje mais complexos, os territórios mais vulneráveis, os fenómenos extremos mais frequentes, a pressão operacional é maior, a exigência sobre o socorro, sobre a emergência pré-hospitalar, sobre a proteção de pessoas e bens, sobre a formação e retenção de efetivos, a manutenção dos meios e a prontidão permanente é hoje mais intensa do que era há décadas atrás”. Assim, afirma, o “futuro exige muito de todos nós, exige capacidade de recrutamento, valorização dos mais jovens, retenção de efetivos, formação contínua, atualização tecnológica, apoio humano institucional, cooperação leal entre município, autoridade nacional, liga, freguesias, forças de segurança, entidades de saúde, escolas e comunidade”, apontou.
Numa cerimónia que contou ainda com intervenções de Bruno Duarte (vice-presidente da assembleia da associação), Carlos Silva (subcomandante regional de emergência e proteção civil do Oeste) e Nélio Gomes (da Liga dos Bombeiros Portugueses), todos salientaram a experiência, profissionalismo e capacidades de Patrícia Reis.











