Um festival de características ambientais proporcionando a mostra de diversidade artística na intenção de defesa ambiental em espaço rural. Será assim o Oeste Land Art, o evento cuja primeira edição a autarquia caldense pretende realizar a partir de Maio
do próximo ano e que surge após uma proposta apresentada pelos vereadores do PS

O festival tem como grande objectivo a promoção da Land Art Caldas da Rainha, através da criação de instalações específicas colocadas em diversos pontos do concelho e que terão na sua concretização, sobretudo, com materiais naturais existentes no próprio território.
“As obras expostas não serão alvo de manutenção, uma vez que a transformação e amadurecimento natural de cada peça faz parte do conceito da exposição”, refere a proposta da autarquia, que está integrada numa candidatura mais ampla da OesteCIM ao Programa Cultural em Rede, que deverá ser formalizada durante este mês de Setembro.
No âmbito desta candidatura, que envolverá vários municípios da região, a Câmara Municipal das Caldas da Rainha propôs um eixo que envolvesse o ambiente, o mundo rural e a água como elemento fundamental e no qual se inclui este evento.
“Pretendemos afirmar que arte e toda a produção artística possui uma ligação com a vida real”, refere a proposta para a criação do festival que propõe exibir, em cada uma das freguesias, obras dos artistas convidados, sobretudo jovens alunos da ESAD, concebidas no “propósito de valorização da paisagem”. Estas terão como recurso os materiais originais de cada local, como forma de valorização dos recursos endógenos e descoberta das paisagens eco-ambientais e rurais. Estão também previstas oficinas artísticas e visitas guiadas, num roteiro que integrará os restaurantes e tascas das freguesias rurais. A proposta prevê a criação de propostas gastronómicas e musicais, bem como o lançamento de percursos pedonais e de trilhos para passeios com circuitos em contexto da natureza.
O programa contempla, ainda, a criação de atelier dos artistas em cada uma das freguesias e a promoção de um seminário temático sobre arte e ambiente, com um painel que integre o universo das artes e do ambiente e ruralidade.
O processo de produção do festival será registado pelos meios áudio-visuais e fotográficos, devendo constituir-se como um “documento” para difusão junto das escolas do concelho.
O movimento Land Art surgiu em finais da década de 1960 nos Estados Unidos, na sequência do aumento do interesse pelas questões ligadas à ecologia e crescente insatisfação com a monotonia cutural introduzida pelo minimalismo.
No concelho caldense já se registaram alguns apontamentos deste movimento, nomeadamente no areal da Foz do Arelho e no Parque D. Carlos I.

CONTRIBUTO PARA A COESÃO TERRITORIAL

Esta proposta apresentada pelo executivo PSD vem de encontro a uma outra apresentada pelos vereadores socialistas, para a criação, já no próximo ano, do “Festival de Arte da Terra das Caldas da Rainha 2021”, tendo em vista a valorização das paisagens do concelho. Os vereadores do PS referem a diversidade, que vai desde a costa atlântica até à Serra de Todo o Mundo, passando pela Lagoa de Óbidos, Vale Tifónico, Paul de Tornada, Mata das Mestras e as variantes da paisagem agrícola, em que as Caldas tem uma “particular responsabilidade política” na organização e promoção de eventos culturais inovadores.
Para Miguel Patacho e Jaime Neto, o evento irá complementar as actividades no âmbito do projecto “Caldas Cidade Cerâmica”, na sequência do reconhecimento da Unesco, tendo em conta que a Land Art (Arte da Terra) “sublinha e valoriza elementos fundamentais na natureza”, que estão na génesa da cerâmica, do artesanato e das artes populares.
Os vereadores referem ainda, na proposta apresentada, terem a convicção política de que este “será um festival cultural e artístico relevante para o reforço da arte e da cultura, contribuindo positivamente para a coesão territorial e o futuro desenvolvimento social e económico das Caldas da Rainha”.