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Associação de dadores de sangue das Caldas envolta em polémica

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A associação faz recolhas em vários locais, tendo um ponto fixo na Expoeste

Associação, que comemora este ano o seu meio século de existência, viveu momentos conturbados e há processos ainda em tribunal

Foi em 1976 que foi criada a Associação de Dadores Benévolos de Sangue das Caldas, o que significa que faz este ano meio século de vida. Mas os últimos não têm sido fáceis.
À Gazeta das Caldas chegaram relatos de irregularidades.

José Augusto Farinha é quem se assume como o atual presidente e é ele que nos conta que anteriormente havia uma comissão de gestão, que terminava o mandato em março de 2024. Só que “passou-se o março e alertei que eles teriam que fazer uma assembleia geral eletiva para se criar uma nova direção ou, pelo menos, prolongar a comissão de gestão que estava, se não houvesse direção”. No entanto, “os meses foram passando” sem novidades, conta, notando que a associação “não teve nem direção nem comissão de gestão, portanto, ficou abandonada” nesses meses. Tanto assim é, aponta, que nem os subsídios camarários de 2023 e 2024 receberam.

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“Eu como sócio e dador de sangue, com um grupo, que é o que temos hoje em funções, convocámos uma assembleia geral”, prossegue, frisando que “os estatutos da associação permitem” e que estes foram sempre respeitados, bem como o Código Civil.

Convocaram a assembleia para o dia 8 de setembro e dizem que informaram os membros da comissão de gestão, afixaram a convocatória na sede e publicaram na comunicação social, tendo respeitado todas as obrigações e os prazos.

Só que no dia da assembleia, ao chegarem ao local, “o nosso espanto é que as fechaduras da sede da associação foram substituídas”. Decidiram então fazer a assembleia à porta da sede.

Esperaram “meia hora, como os estatutos também prevêem”, tendo aguardado “esse tempo cá fora no corredor em pé e ainda por cima sem luz, com as luzes dos telemóveis”.

A Assembleia terá contado com a presença de 17 sócios, que votaram a eleição da lista única por unanimidade.

E como não apareceu uma lista alternativa e os membros em causa da comissão de gestão “não apareceram nem contestaram a assembleia, partimos do princípio que eles tinham aceite, mas nunca quiseram devolver as chaves da sede”.

José Augusto Farinha conta que tiveram “que mover uma providência cautelar em tribunal para que nos fosse entregue a associação”. O que viria a ocorrer. “Com toda a documentação que nós tínhamos, que foi tudo apresentado em tribunal na providência cautelar, o tribunal decidiu, e muito bem, e foi-nos abrir a porta”, refere. Só que “ao abrirmos a porta vimos que nos faltam muitos documentos, há muitas pastas vazias e inclusive o sistema informático, o computador, não estava na sede, foi retirado”. Daí que exista um outro processo a decorrer em tribunal, “para que seja restituído tudo, como documentos que fazem parte da história da associação e que devem ser repostos, porque são da associação, não são deles, que nem diretores são”, afirma, notando que se trata de património da coletividade.

José Augusto Farinha conta ainda que foi convidado para fazer uma lista com estes membros, mas recusou. “O Luís Noivo até me dava o lugar de presidente”, contou. Ao nosso jornal refere como durante todo este processo foi “confrontado, quase à pancada, não foi só verbal”.O atual presidente salienta que estes dois membros da anterior comissão de gestão (Luís Noivo e Armindo Carreira) alegaram “sempre que nós estávamos ilegais”, mas que têm “a ata reconhecida no notário, tudo legal, não é só uma folha escrita, foi reconhecida” e que a titularidade das contas do banco foi transitada após análise do conselho jurídico daquela entidade, que aprovou toda a documentação.

Há ainda outra questão que tem causado desconforto aos atuais corpos sociais. É que identificam saídas de dinheiro que não estão justificadas. “Nós não temos documentos, há saída de dinheiros, não vemos lá nada de compras feitas ou materiais comprados e também não há faturas, não há nada e isso pode levar-nos a crer que não há uma justificação para as saídas daqueles valores. Nós não a temos, podemos pensar o que quisermos, porque, de facto, não há documentação, não há nada a justificar a saída desse dinheiro”.

O mesmo refere que em setembro de 2024, quando tomaram posse, encontraram “a associação com dívidas, com o nome sujo junto dos nossos fornecedores”, mas que resolveram esses problemas. As dívidas, aponta, seriam de mais de 500 euros. “Pagámos tudo, está tudo resolvido, limpámos o nome da associação novamente e continuamos a trabalhar com os mesmos fornecedores, tudo igual como estava”. Além disso, apontam, o material de segurança, como extintores, estava fora de validade. “Não havia mais dívidas porque, como não houve pagamentos, os serviços foram anulados, como, por exemplo, seguros e etc.”.

Mais recentemente, na última assembleia que foi realizada, já em setembro de 2025, um ano depois de tomarem posse, e “por decisão de todos os elementos desta direção, foram mesmo saneados de sócios da associação”, conta, explicando que “por tudo o que têm feito e estão a fazer ainda, não fazia sentido que tivessem alguma ligação, nem como sócios, à associação e foram mesmo excluídos de sócios, está em ata”. Este ato contou com duas abstenções.

Atualmente “estamos já com um ano e meio de mandato” e a associação “neste momento está bem, está em atividade, a crescer”. Ainda assim, e apesar das colheitas de sangue nunca terem parado, esta situação “afetou as recolhas e deu um trabalhão imenso porque pegámos numa casa sem documentos, sem nada, porque ficou tudo fechado, tanto em papel como digital, obrigou-nos a ter que ir buscar tudo novamente em todo o lado”. A esses constragimentos somam-se os custos associados a estes processos.

Gazeta das Caldas tentou obter esclarecimentos junto de Luís Noivo. Inicialmente este marcou uma entrevista, mas no dia não apareceu e não atendeu o telemóvel. Mais tarde justificou-se com motivos de saúde. A partir daí ficou nova data apontada, mas não mais atendeu o telefone, não sendo possível, apesar de várias tentativas, obter as suas declarações sobre o assunto.

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