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CaldasCut pretende afirmar a cutelaria como motor económico

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A apresentação contou com o diretor do CCC, Mário Branquinho, o vice-presidente da Câmara das Caldas, Joaquim Beato, e o secretário-geral da AIRO, Sérgio Félix

Encontro mundial decorre de 1 a 3 de maio, promove empresas e artesãos e reforça a projeção externa de um dos principais setores do concelho

Caldas da Rainha vai acolher, entre o final de abril e o início de maio, o quinto Encontro Mundial das Capitais de Cutelaria, o CaldasCut, uma iniciativa que pretende afirmar o peso histórico, económico e cultural deste setor na região, ao mesmo tempo que reforça a sua projeção internacional.

A escolha da cidade resulta de um processo iniciado em 2022, em Albacete, onde uma delegação composta por representantes das Caldas, Benedita e Santa Catarina lançou a candidatura. A decisão final foi tomada em 2024, durante a assembleia das Capitais Mundiais de Cutelaria, realizada em Tandil, na Argentina, onde Caldas da Rainha foi selecionada para acolher o evento, ”dando relevo à história que possuímos na nossa região e à importância económica que temos com as cutelarias”, explicou o vice-presidente da Câmara das Caldas, Joaquim Beato.

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O autarca sublinhou que este é um “encontro internacional” que permitirá “divulgar o concelho e valorizar aquilo que fazemos, criando condições para que o nome das Caldas da Rainha chegue mais longe”, destacando o papel do setor enquanto um dos mais representativos da economia local. Só o cluster de Santa Catarina e Benedita ultrapassa os 50 milhões de euros em exportações, a que se soma o peso do artesanato ligado à cutelaria.

A organização do evento resulta de um trabalho conjunto entre o município e a AIRO – Associação Empresarial da Região Oeste, que assume a componente operacional. Para o secretário-geral da associação, Sérgio Félix, a realização do encontro nas Caldas representa “uma honra” e um reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo de décadas por empresas, artesãos e trabalhadores. “São mais de 500 pessoas, atualmente, a trabalhar nesta arte e é graças a estas pessoas, a estes antepassados, que conseguimos chegar aqui”, afirmou.

O responsável destacou, ainda, a forte vocação exportadora do setor, referindo que existem empresas com mais de 90% da produção destinada ao exterior. “Estamos a falar de centenas de postos de trabalho e de uma cadeia de valor com impacto regional e internacional muito significativo”, sublinhou, acrescentando que o evento será também uma oportunidade para reforçar o reconhecimento interno da atividade. “Muitas vezes não temos a perceção daquilo que fazemos e da importância que temos a nível mundial”, disse.

O certame vai ser dividido em duas partes. O dia 30 de abril será reservado para as comitivas internacionais, que vão realizar visitas técnicas às empresas Ivo Cutelarias e ICEL e ao centro de formação CENFIM. Este encontro, com delegações de Espanha, França, Alemanha, Itália, Turquia e Argentina, visa potenciar o intercâmbio técnico, comercial e turístico da indústria cutileira.

No dia seguinte e até 3 de maio, o evento abre ao público no CCC, que acolhe a maioria das iniciativas previstas. Para o diretor do equipamento, Mário Branquinho, trata-se de mais um momento de afirmação da cidade. “Quando acolhemos um congresso desta dimensão, estamos a afirmar o território e a reforçar a marca Caldas da Rainha”, referiu, lembrando outros eventos internacionais já realizados no espaço.

O programa inclui exposições, workshops, demonstrações ao vivo e atividades culturais, distribuídas por vários espaços do CCC, como o grande auditório, o foyer, a galeria e o café-concerto, que estarão em funcionamento em simultâneo. Entre as propostas, destaque para ateliers de afiação, montagem de canivetes e demonstrações práticas, numa lógica de aproximação do público ao saber-fazer tradicional.

A vertente gastronómica também terá presença relevante, com showcookings e a participação de chefs reconhecidos, entre os quais Vítor Sobral, que estará na abertura do evento. Haverá ainda um concerto da Big Band da Orquestra Metropolitana de Lisboa.

Um dos momentos marcantes será a apresentação do primeiro livro dedicado à cutelaria da região, resultado de um trabalho de investigação compilado por António Real e que reúne histórias de famílias, evolução das técnicas e o percurso do setor. “Este património não tem preço e ficará para as gerações vindouras”, destacou Sérgio Félix, sublinhando a importância do legado que o evento pretende deixar.

O encontro integra ainda uma coleção mundial de cutelaria, composta por peças de vários países, que ficará exposta durante o evento no CCC e, posteriormente, no Centro de Artes, onde ficará durante cerca de um ano. Este acervo irá receber mais algumas peças representativas da cutelaria da região.

O orçamento estimado para a realização do evento situa-se entre os 120 e os 150 mil euros, incluindo custos com logística, deslocações, estadias e produção de conteúdos, como o livro.

Segundo Joaquim Beato, trata-se de um investimento com retorno esperado ao nível da visibilidade e da promoção externa.

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