Cebola teve Mercado em Rio Maior, no ano em que a pandemia cancelou a FRIMOR

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O evento é um importante ponto de venda para os ceboleiros da região, que assim conseguem vender directamente ao público

No passado fim-de-semana realizou-se em Rio Maior o Mercado da Cebola, uma oportunidade para os ceboleiros da região (a maioria de Alvorninha e dos Vidais) venderem a sua produção, num ano atípico que levou ao cancelamento da reputada Feira Nacional (FRIMOR). Este ano, participaram 19 ceboleiros

Este ano, devido à pandemia, a Feira Nacional da Cebola de Rio Maior (FRIMOR) ficou sem efeito. O evento é um atractivo para milhares de visitantes, que aproveitam para experimentar o melhor da gastronomia local e para se divertirem com a animação que o programa costuma contemplar.
Não havendo possibilidades de realização da FRIMOR, a Câmara Municipal decidiu criar o Mercado da Cebola, que decorreu entre 4 e 6 de Setembro, uma forma de permitir aos ceboleiros da região (a maioria proveniente das freguesias caldenses de Alvorninha e dos Vidais) que vendessem a sua produção, realizando um importante encaixe. É que de outra forma, ou não vendiam ou vendiam ao mercado grossista, com margens mais reduzidas do que a venda directa que este mercado permite.
Ao invés de ocupar o pavilhão multiusos, o evento decorreu em volta do edifício, onde estavam montados – com o devido distanciamento – os 19 expositores que participaram no evento. O recinto tinha um percurso que apelava às pessoas para circular sempre pela direita, para que não existissem cruzamentos.
Na inaguração do evento foi dada a palavra ao presidente da Câmara das Caldas, Tinta Ferreira que defendeu que a cebola deve ser mais valorizada, até porque “todos a utilizam na gastronomia portuguesa”.
Entre as ideias para valorizar este produto local, o chefe do executivo municipal das Caldas da Rainha revelou à Gazeta das Caldas as hipóteses de certificar o produto e de criar workshops e showcookings. “É muito importante que se esta iniciativa se mantenha”, disse o autarca caldense, agradecendo aos ceboleiros a sua presença e à Câmara de Rio Maior o facto de criar este evento, que permite “manter uma tradição com 250 anos”.
No final da inaguração, o presidente da Câmara das Caldas revelou ter dito aos ceboleiros que este é um ano de resiliência, admitindo que seria provável que viesse menos gente, tendo em conta que não existiam outras iniciativas para atrair público.
Luís Dias, presidente da Câmara de Rio Maior, fez notar que os ceboleiros são “o pilar da organização deste evento”. O autarca admitiu que a vontade de organizar a FRIMOR era muita, mas que foi necessário colocar em primeiro lugar a saúde e evitar possíveis contágios. “As Tasquinhas e a FRIMOR são dois pontos de encontro para a família riomaiorense e trazem visitantes”, fez notar, acrescentando que dinamizam a actividade económica do concelho e que trazem importantes receitas às associações.
“A Feira Nacional da Cebola, que tem 250 anos de história, não podia ter um ano de pausa”, fez notar. Luís Dias salientou a aposta na recriação histórica de antigos ofícios que decorre este ano. Há o amulador, o sapateiro e o cesteiro, que também faz barris. Há objectos utilitários em madeira, tapeçaria e couros, entre outros.
O autarca deixou a garantia de que pretendem, quando for possível, fazer uma grande recriação histórica que recrie “a tipicidade da feira”. O objectivo é também criar produtos de valor acrescentado com a cebola e também “levar a feira para dentro da cidade”. O programa contou ainda com um concerto dos The Gift, no cine-teatro e com dois camiões-palco a percorrer as várias localidades do concelho, levando às pessoas a música dos Bico d’Obra e dos Camisas Negras.

Ceboleiros elogiam organização e salientam importância da venda directa

Um pouco antes da inaguração encontramos Manuel e Rosa Vicente, que vieram de Alvorninha para vender as suas cebolas.
“Lembro-me desta feira há uns 50 anos, ainda era miúda, na altura era nos Olivais e já a conheci em muitos sítios, como num largo no centro da cidade”, recordou Rosa.
“Antes tínhamos de fazer as barracas com paus e panos de serapilheira e plásticos quando chovia”, lembrou, elogiando a mudança para este local.
“Este ano existe algum receio dada a situação que vivemos, mas está tudo muito bem organizado, com medidas de segurança e com distanciamento”, disse à Gazeta das Caldas.
Para a produtora de cebolas, este ano a feira estava “pobre, com o pavilhão fechado, mas foi o possível”, analisou, salientando ainda assim a importância do evento para vender a produção.
O casal previa trazer para o mercado entre oito e nove mil quilos de cebola, quando no último ano haviam trazido cerca de 12 mil quilos.
Um pouco mais à frente encontramos os ceboleiros Fernando Santos e Natália Alves, que vieram da Ramalhosa e trouxeram, este ano, cerca de três mil quilos de cebola.
“A produção este ano foi baixa, é ano bissexto”, lamentou-se Fernando Santos. “Não sabemos como vai correr a feira, mas temos fé”, disse em conversa com a Gazeta das Caldas.
Este ceboleiro, que há 12 anos vende neste evento, destaca a venda directa como um dos principais atractivos. “É importante para se ganhar um pouco mais”, faz notar, explicando que as margens são maiores do que se não existisse este evento, até porque nesse caso a produção seria vendida para o mercado grossista a um preço mais baixo. “Foi um esforço bom da parte da organização, empenharam-se e fizeram o possível”, elogiou. Ainda assim, notou menos expositores. “Os meus dois vizinhos do ano passado não vieram este ano”, frisou, explicando que a idade avançada de alguns ceboleiros os levou a resguardar-se neste contexto de pandemia.