Este foi o estado das águas na Lagoa nos últimos dias

A água com um tom castanho e cheiro nauseabundo que se verifica na Lagoa está a ser motivo de preocupação. De acordo com a Câmara das Caldas da Rainha é resultado de algas em putrefacção que têm ficado retidas e com pouca oxigenação

A Câmara das Caldas garante que a cor castanha escura da água na Lagoa de Óbidos e o cheiro nauseabundo são resultado de algas em putrefação que têm ficado retidas e com pouca oxigenação, não tendo havido passagem de saneamento não tratado.
“Os técnicos e os próprios mariscadores apontam para essa explicação”, garantiu o presidente da Câmara, Tinta Ferreira, à Gazeta das Caldas.
De acordo com o autarca não existe qualquer rotura no emissário submarino. Os técnicos da autarquia e serviços municipalizados, bem como das Águas do Tejo Atlântico e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) estiveram no local e já recolheram amostras para fazer análises à água, cujo resultado será conhecido nas próximas semanas.
Tinta Ferreira lembra que esta situação ocorre, embora em menor dimensão, em períodos de maré baixa e destaca a importância da realização das dragagens. “Só comprova a necessidade urgente que temos da intervenção, pois se houver mais oxigenação da água estas situações melhoram”, salientou.

DRAGAGENS PREVISTAS PARA ESTE MÊS

As dragagens na Lagoa de Óbidos estão previstas acontecer este mês, de acordo com a informação dada pelo ministro do Ambiente e da Acção Climática, João Pedro Matos Fernandes, quando questionado pelo deputado caldense, Hugo Oliveira, no âmbito de uma audição regimental da Comissão do Ambiente.
O concurso para a dragagem da zona superior da Lagoa foi lançado em Fevereiro do ano passado pelo ministro do Ambiente e a previsão era de que a obra avançasse durante esse mês. Orçada em 16 milhões de euros, a segunda fase das dragagens na lagoa prevê a retirada de 875 mil metros cúbicos de areia das bacias no delta do Rio Real, do braço da Barrosa e dos canais de ligação do corpo da lagoa aos braços da Barrosa e do Bom Sucesso.
Os sedimentos a dragar serão lançados directamente no mar, para sul do promontório do Gronho.
A obra inclui ainda a valorização de uma área de 78 hectares a montante do Rio Real. Esta empreitada sucede à primeira fase das dragagens na Lagoa, realizada em 2015, em que foram retirados 716 mil metros cúbicos de areia do corpo inferior daquele ecossistema para combater o assoreamento que periodicamente fecha o canal de ligação ao mar, pondo em causa a subsistência da fauna naquele ecossistema.