CHO investiu quase dois milhões de euros no combate à pandemia

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Vítor Dinis apresentou o documento elaborado pelas várias entidades

Comissão Cívica dos Utentes do Centro Hospitalar do Oeste apresentou documento, tendo por base as respostas e sugestões dos responsáveis pela saúde na região

Ventiladores portáteis e outros para cuidados intensivos, monitores multiparâmetros, monitores multiparâmetros não invasivos, seringas infusoras, bombas infusoras, e RX portátil, foram apenas alguns dos equipamentos, num total próximo dos 2 milhões de euros, que o Centro Hospitalar do Oeste (CHO) adquiriu para reforço na resposta à pandemia. Os dados foram fornecidos pela administração do centro hospitalar e divulgados no passado dia 24 de março pela Comissão Cívica dos Utentes do CHO.
O facto de o CHO não dispor de uma Unidade de Cuidados Intensivos ou Unidade de Cuidados Intermédios em nenhum dos seus polos hospitalares levou a que tivesse de garantir “capacidade de ventilação e estabilização hemodinâmica” aos doentes enquanto aguardavam transferência para Unidades de Cuidados Intensivos. Nesse âmbito foram adquiridos 18 equipamentos de ventilação (além de mais dois doados) para responder à carência de capacidade ventilatória.
No documento, que reúne respostas e sugestões dos responsáveis pela saúde no Oeste, a administração do CHO dá nota de todo o processo desencadeado para mitigar a pandemia nas três unidades hospitalares, assim como o aumento de efetivos em 2020.
Salienta que, ao nível dos Serviços de Urgência Covid (ADR) e não Covid, a situação está controlada, “não se verificando tempos de espera relevantes”. Porém, no mês de janeiro, tiveram mais de 2 mil atendimentos nos dois ADR, uma pressão que implicou a transferências de doentes para hospitais públicos e privados, ao abrigo dos acordos estabelecidos pela Administração-Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e Ministério da Saúde.
Também em 2020, o CHO viu aprovadas várias candidaturas a apoios europeus, tanto ao nível da modernização administrativa como de otimização dos serviços, num valor superior a 3,7 milhões de euros. Desse montante, perto de 3,2 milhões foi investimento europeu.

Dificuldades com o transporte
Referindo-se aos problemas não diretamente ligados com a pandemia, o porta-voz da comissão destacou as dificuldades apontadas pelas corporações de bombeiros relativamente ao transporte inter-hospitalar. Estas corporações queixam-se dos constrangimentos provocados pela indisponibilidade da prestação dos serviços de ortopedia nas Caldas da Rainha, que obriga a deslocações para Torres Vedras, onde os tempos de inoperacionalidade das ambulâncias de socorro “aumentam significativamente”.
A OesteCIM foi outras das entidades intervenientes no processo. Questionada pela comissão cívica sobre qual o ponto da situação relativamente ao perfil para o Novo Hospital do Oeste, foi-lhe referido que estão em análise as candidaturas ao concurso público para a selecção da entidade que fará o estudo integrado sobre a política pública de saúde no Oeste.

“Vamos exigir ao governo que, urgentemente, seja instalada uma unidade de cuidados intensivos, ainda que de uma forma provisária”

Vítor Dinis,
porta-voz da comissão cívica

Informou ainda que, no âmbito da consulta pública do Plano de Recuperação e Resiliência, mencionou a “importância estratégica” deste mencionar o Novo Hospital.
Depois de ouvidas as diversas entidades, a comissão cívica propõe-se, durante este ano, a continuar a apelar à aquisição de novos equipamentos e colocação de mais pessoal no CHO, bem como continuar a insistir na audiência com a ministra da Saúde. Desconhecendo-se para quando o novo Hospital do Oeste e, tendo em conta a pandemia, vão “exigir ao governo que, urgentemente, seja instalada uma unidade de cuidados intensivos”, disse Vítor Dinis, acrescentando que também se vão bater pelo reinício das obras da Urgência.
Em finais de abril a comissão conta fazer o balanço do trabalho feito durante o ano passado e, nessa altura, colocará o lugar à disposição. “Decorridos quase quatro anos, faz todo o sentido, e está na altura, [da comissão] de ser substituída por novos elementos”, conclui o porta-voz. ■