De Volta a Casa apoia mais de duas centenas nas Caldas

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O grupo de voluntários que auxilia este movimento de solidariedade caldense

Joaquim Sá apoia com alimentação quem não tem condições. Fá-lo através de um movimento, que conta com ajudas de outros, como o MVC e a comunidade de estrangeiros da região

Joaquim Sá é um caldense que apoia pessoas sem-abrigo e famílias carenciadas das Caldas diariamente. Fá-lo desinteressadamente há mais de 30 anos, prescindindo das horas de almoço e das suas horas descanso para poder recolher alimentos doados por entidades e privados e que se destinam a preparar refeições para quem mais precisa.
O movimento que lidera designa-se “De Volta a Casa” e tem sede na Rua Adelino Soares de Oliveira nº34 e 24 C. Nesses espaços funciona um refeitório e uma zona que guarda roupa e comida que é distribuída aos carenciados.
Recentemente, o Movimento Viver o Concelho (MVC) serviu de ponte e trouxe o Oeste International Partners, a comunidade de estrangeiros que vive na região para ajudar o movimento solidário. Os voluntários de várias nacionalidades arregaçaram as mangas e, ao longo de três dias de trabalho árduo, colocaram um novo chão e fizeram várias melhorias no espaço onde quem precisa faz as refeições e também toma banho no balneário. A União de Freguesias de N. Sra. Pópulo Coto e S. Gregório deu uma ajuda na recolha do entulho “num verdadeiro trabalho de raiz comunitária”, disse Teresa Serrenho do MVC que colabora habitualmente com este movimento com trabalho de voluntários e doação de alimentos.
A responsável salientou o facto de Joaquim Sá dar outro tipo de ajuda além da alimentação. É naquele espaço que muitos lavam roupa das famílias, além de que também auxiliar com banhos a idosos e cortes de cabelo para quem precisa.
Frederick Young foi um dos estrangeiros que participou na renovação deste espaço. O reformado é do País de Gales e foi engenheiro mecânico. Ajudar a “De Volta a Casa foi “um verdadeiro desafio” pois estivémos três dias de joelhos a colocar novo chão. Satisfeito em ajudar, o que mais gostou foi de pôr as mãos ao trabalho. “Desta forma, estamos integrados na comunidade em que agora vivemos”, rematou. Margaret Louyot-Smith, do mesmo grupo, conseguiu mobilizar a comunidade de estrangeiros que agora fazem entregas semanais de comida não perecível, juntando-se assim a muitas entidades locais.“Todos temos que tentar ajudar da melhor forma possível quem vive sem condições…”, disse a coordenadora.
Joseph Poow, é o presidente da Oeste International Partners e explica que “não queremos apenas dar dinheiro. Queremos trabalhar em conjunto, para construirmos comunidade”. Nos dias em que decorreram as obras, foram estes voluntários que também cozinharam para os utentes em conjunto com os voluntários do MVC e dos “De Volta a Casa”. A pandemia fez aumentar as necessidades. Segundo Joaquim Sá “passámos de 20 para perto de 60 famílias e muitas têm crianças”. Ao todo presta apoio a 210 pessoas. “Temos conseguido com a ajuda de muitas entidades caldenses, desde a Câmara, a estabelecimentos, vendedores da Praça e estrangeiros que vivem na região”, contou o responsável. Entre os apoiados há quem viva em casas abandonadas ou em quartos com poucas condições. Outros moram em casa alugadas “mas ficam sem dinheiro para comer”. Este movimento também apoia com roupa, móveis, camas e pequenos eletrodomésticos. “Eu gosto de ajudar. Faço-o há 38 anos e vou continuar”, garantiu.■

As entidades vão continuar a colaborar com este movimento solidário de forma regular

Quem apoia este movimento?

São muitas as entidades e os particulares que colocam a De Volta a Casa em ação. Eis alguns dos que tornam esta ajuda possível.
Pingo Doce e E.Leclerc são dois dos supermercados que doam alimentos frescos ao fim do dia. Fazem-no três vezes por semana
Vários particulares ajudam a suportar a renda dos espaços e fazem dádivas de móveis , roupas e eletrodomésticos
Comunidade de estrangeiros pagou materiais e fez as obras de melhoramento no espaço das refeições e balneário. Servem-se cerca de 60 refeições por dia. Ao almoço servem-se entre 30 a 40 pratos
Qualquer pessoa pode doar roupa, livros, electrodomésticos e bens alimentares que os voluntários fazem chegar às famílias carenciadas
Cabazes alimentares são distribuídos aos carenciados ao domingo. Há uma escala de distribuição para evitar ajuntamentos