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Oeste “arma-se” para a época dos fogos com mais meios e alerta máximo

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O comandante sub-regional, Carlos Silva, e o presidente da OesteCIM, Hermínio Rodrigues, apelaram à prevenção

Dispositivo Especial vai ter mais meios e mais efetivos para atuar na prevenção e na resposta. Hermínio Rodrigues avisa que o território tem “pólvora” à espera de ignição

O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais no Oeste vai ter este ano mais meios, maior articulação operacional e uma aposta reforçada no ataque inicial, na coordenação entre entidades e no uso de tecnologia para apoiar a decisão no terreno. Na apresentação do plano, que decorreu no passado dia 13, o presidente da OesteCIM, Hermínio Rodrigues, e o comandante sub-regional do Oeste da Proteção Civil, Carlos Silva, sublinharam a necessidade de manter o território sob vigilância apertada face a um verão que promete ser exigente.

Carlos Silva explicou que o dispositivo deste ano assenta em pilares como a coerência operacional, o comando e controlo e a eficiência no combate, defendendo uma resposta “musculada” logo na primeira fase das ocorrências. No período mais crítico, entre 1 de julho e 30 de setembro, o Oeste contará com 75 equipas, 351 operacionais, 79 veículos e duas máquinas de rasto, além de reforços nos meios aéreos e numa rede de apoio à decisão que inclui a análise meteorológica e o acompanhamento permanente das ocorrências. O comandante adiantou ainda que o plano prevê uma monitorização contínua, 24 horas por dia, para antecipar riscos e reforçar meios onde for necessário.

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No espaço sub-regional, o dispositivo integra 34 equipas de intervenção permanente, 170 bombeiros, cinco equipas de sapadores florestais, uma brigada da OesteCIM, uma equipa do Corpo Nacional de Agentes Florestais e a presença da AFOCELCA, empresa que gere áreas de eucalipto na região. Há também reforços significativos nos meios aéreos, com um helicóptero sediado na Lourinhã entre 1 de julho e 15 de outubro, e com cobertura alargada a partir das regiões vizinhas. Segundo Carlos Silva, o objetivo é garantir que o ataque inicial chegue mais depressa ao terreno, reduzindo a possibilidade de progressão das chamas. “Prefiro mandar os meios para o teatro de operações e voltarem para trás sem gastarem uma gota de água”, afirmou, defendendo um despacho “mais cedo e mais forte”.

Hermínio Rodrigues abriu a sessão com um agradecimento à estrutura operacional e às forças envolvidas na proteção civil, lembrando a solidariedade demonstrada após os episódios de janeiro e fevereiro com o comboio de tempestades que afetou a região. O autarca de Alcobaça disse que a palavra de ordem é “solidariedade”, alertando para o aumento do risco no território, devido à secura da vegetação e à instabilidade meteorológica. O presidente da OesteCIM admitiu mesmo algum receio face ao verão que se aproxima, sublinhando que “o que temos neste momento na nossa zona florestal é pólvora”, alertando para a necessidade premente de limpeza dos terrenos, mas também de patrulhamento preventivo para dissuadir os casos de incendiarismo.

Na avaliação de Carlos Silva, os resultados recentes mostram que a estratégia dos últimos anos tem produzido efeitos. Em 2024 e 2025, o Oeste registou menos de 300 incêndios por ano e uma área ardida muito abaixo da média da década, com 39 hectares no primeiro ano e 45 no segundo. O comandante reconheceu que estes números são frágeis e podem ser rapidamente alterados por uma única ocorrência de maior dimensão, mas insistiu que refletem o trabalho feito no terreno, quer na prevenção, quer na coordenação entre bombeiros, autarquias, GNR, ICNF e restantes entidades. “Isto faz a diferença”, resumiu, destacando que o primeiro meio terrestre chega ao teatro de operações em menos de 15 minutos e que muitas ocorrências ficam resolvidas em cerca de meia hora.

A sessão serviu também para sublinhar a importância da gestão do território e da prevenção. Carlos Silva chamou a atenção para o abandono de áreas mais acidentadas e para a necessidade de recuperar descontinuidades no mosaico florestal, defendendo a aposta em usos agrícolas que ajudem a travar a progressão do fogo. Referiu ainda o trabalho de sensibilização junto das populações e a formação de operacionais, admitindo, contudo, que nem todas as ações planeadas se concretizam. Mesmo assim, o comandante deixou uma mensagem de confiança no esforço conjunto das entidades do Oeste e afirmou que o dispositivo de 2026 procura, acima de tudo, proteger pessoas e bens.

Carlos Silva chamou ainda a atenção aos bombeiros para os riscos acrescidos da intervenção em áreas florestais mais difíceis, onde a segurança das equipas tem de estar sempre em primeiro lugar. “No combate no terreno apeado, algumas zonas podem estar completamente obstruídas”, disse, acrescentando que é preciso ter igualmente “atenção à condução nas estradas, para não haver acidentes”, até porque “algumas podem já não estar lá”.

A apresentação contou com a presença das corporações de bombeiros e de todas as restantes forças e entidades com responsabilidade no combate aos incêndios
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