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Vagueando como zombies

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Depois de deixar a rota do Bom Sucesso (Béltico), hoje baptizado numa placa de sinalização por Portugal Vendido, continuei a vaguear pela região, com os sentidos despertos e observando o que me rodeia. Fui-me apercebendo do País real em que vivo e da tristeza que invade o povo e fui sentindo-a em cada esquina cada rua e em cada lugar por que passava.
Comecei por fazer uma introspecção, recuei no tempo e relembrei o passado, fui até á infância e vi-me a brincar na minha escola (hoje transformada em qualquer coisa) com um número considerável de crianças da minha idade. Mesmo vivendo numa pequena aldeia de província a felicidade era completa face à ignorância dos tempos.
Nas centros urbanos as cidades iam-se formando e crescendo fluxos de pessoas, fruto das indústrias que se iam fixando na região. O comércio florescia, “a qualidade de vida” começava a ter algum sentido.
Mas voltando a vaguear, deparei-me com uma região triste amorfa sem vida, reflexo do país. Situações há anos atrás impensáveis, portas fechadas, movimento escasso de pessoas tristes deambulando pelas ruas como zombies, mas essencialmente de crianças e jovens.
Depois, deixa cá ver! Há a falta de dinheiro, reflexo das más e maquiavélicas políticas dos maus políticos dos sucessivos maus governos após o 25 de Abril e de algum mau planeamento familiar e a emigração. Como é que não me lembrei disto? Temos os governantes da nação que mandam emigrar, a falta de trabalho manda emigrar e se tiveres algumas ideias empreendedoras os licenciamentos os impostos e as burocracias dos poderes local e central mandam emigrar (salvo quem tiver neste país, poder jeito e compadrio dentro do poder politico para criar empresas manhosas, ongoing’s etc.)
Perante tal desgoverno dizia alguém outro dia, revoltado: “e os sacanas vão ficando impunes”. Resumindo: um país vazio sem rumo, sem leis premissas, sem gente jovem e aqui está o busílis da questão.
Haverá país quem sobreviva sem esta mais valia, futuro sustento e amparo das gerações mais velhas, energia e dinâmica das cidades vilas e aldeias?
Bom, depois de deixar a infância, parando um pouco de vaguear e correndo contra o tempo para as filas do desemprego, sento-me à beira de uma árvore, penso no futuro, olho para o vazio, imagino-me de cajado na mão, um rebanho de cabras à minha frente e interrogo-me: então e agora a quem é que vendo os queijos?
Nota – este texto foi escrito antes das 19h20 do dia 7-09-2012. Até aqui fazia uma interrogação. Agora!… Bem, agora é que não vendo os queijos.

Rogério A Santos

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Edição #5625

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