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Gazeta das Caldas apresenta exposição fotográfica que assinala centenário

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Paula Nobre dando a conhecer o cartaz da exposição

A 20 de abril inaugura mais uma iniciativa que visa assinalar o centenário do jornal. Abre nesse dia no La Vie, uma mostra fotográfica que conta com curadoria da artista plástica Paula Nobre

“Um 100 número de Gazetas” assim se designa a mostra que abre ao público a 20 de abril, no Centro Comercial La Vie. Dela fazem parte fotografias icónicas, algumas históricas sobre acontecimentos que tiveram lugar nas Caldas da Rainha nos últimos 100 anos. A comissão para a Comemoração do Centenário da Gazeta das Caldas fez um convite à artista Paula Nobre, que aceitou o desafio de realizar esta mostra, feita a partir do arquivo fotográfico do jornal.

A artista plástica caldense, que também deu aulas na ESAD.CR, revelou que tem uma relação com este semanário que dura “desde sempre, pela assinatura do jornal do meu pai e, por isso, sinto que a Gazeta é como se fosse família”.

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Além do mais a curadora – que é também artista plástica, professora e formadora – considera que o semanário é “muito importante” não só para a comunidade local mas também “é importantíssimo para quem vive no estrangeiro, que consegue manter a ligação com a sua terra natal através do jornal”.

Em relação ao seu trabalho de pesquisa, Paula Nobre destacou que quis que a Gazeta pudesse ser vista como um documento de afeto. Por um lado quis homenagear o jornal e a imprensa local e regional, por outro, quis também chamar a atenção para o facto deste guardar há 100 anos os principais acontecimentos dos vários setores da vida em comunidade. É através da Gazeta que se documenta “a forma como fomos evoluindo”, disse a curadora, dando como exemplo as notícias da eletrificação da localidade.

Exemplificou também como a colocação da estátua da Rainha no Largo Conde de Fontalva e como as pessoas foram contribuindo para tal. A Gazeta tinha então um papel ativo, informando e publicando nas suas páginas quem se tinha cotizado para a estátua poder ser colocada nas Caldas.

Paula Nobre começou a trabalhar neste projeto em maio de 2024, tendo feito várias visitas ao arquivo fotográfico do jornal. “Comecei a entusiasmar-me quando encontrei imagens que iam ao encontro das minhas memórias”, contou a autora.

Uma das entidades parceiras é o Centro Comercial La Vie que se uniu ao semanário para assinalar o seu centenário. E logo nas primeiras reuniões concluiu-se que a exposição precisava de mais tempo, pois “eram cem anos de história para analisar!”.

A curadora deteve-se também sobre o arquivo da Gazeta que já está digitalizado e que é disponibilizado ao público através do Arquivo Distrital de Leiria.

Da escolha final de Paula Nobre fazem parte 40 imagens que foram publicadas na Gazeta das Caldas, sendo que algumas foram emprestadas ou cedidas por algumas entidades da cidade.

Também se incluem alguns postais ilustrados que fazem parte de coleções de instituições como a Biblioteca Municipal.

A imagem que foi escolhida para o cartaz da mostra “Um 100 número de Gazetas” tinha uma zincogravura na coleção que está à guarda da Associação Património Histórico.

Ao todo a exposição, que vai abrir ao público a 20 de abril, terá 40 fotografias que serão complementadas por 26 textos. “Não há uma relação temporal entre eles, pois há um jogo anacrónico que pretende “provocar” quem vê a exposição, podendo criar novas narrativas”, disse a curadora que está sobretudo interessada em trabalhar as sensações que as imagens lhe causaram e poder assim “reviver memórias ligadas à vida desta comunidade”.

A Rainha escolhida para o cartaz
Para a divulgação desta iniciativa Paula Nobre escolheu uma fotografia de uma figura icónica da cidade. É referente à colocação da estátua da Rainha, “uma imagem que desvenda e que também oculta ao mesmo tempo que revela”, comentou a curadora sobre o momento vivido em 1935, em que a estátua é colocada no Largo do Conde de Fontalva. Entre os presentes, está António Montez que foi diretor do Museu Malhoa e um importante dinamizador de iniciativas nas Caldas.

As quatro dezenas de imagens vão estar divididas em oito núcleos que serão apresentados no La Vie.

Haverá um núcleo dedicado às Efemérides e Monumentos onde pontuará a inauguração da própria estátua da Rainha, em 1935. Segue-se uma fotografia referente à partida do Corpo Expedicionário quando partiu para as então colónias, em 1941 numa imagem que foi captada perto da Estação.

De 1974 vão estar fotografias referentes ao 16 de Março e também às celebrações do 25 de Abril.

Há também núcleos que vão destacar Cultura e Personalidades, Mercados e Feiras e ainda Desporto e Praias. “Procurei atravessar a comunidade, tentando trazer um pouco de cada assunto sem qualquer preocupação em seguir uma linha cronológica”, referiu Paula Nobre.

Da escolha faz parte uma fotografia do Teatro Pinheiro Chagas – edifício que já não existe – mas foi onde a curadora assistiu aos primeiros filmes de cinema. Será acompanhada por um texto da rubrica Notas Mundanas onde se dá a conhecer um dos programas daquele equipamento cultural que se situava na Praça 5 de Outubro.

Também haverá referência aos Encontros de Arte, com uma imagem de uma artista que fez parte desta iniciativa em 1977 e que será acompanhada por um programa relativo àqueles dias intensos, onde a Arte se espalhou por toda a cidade. Estão momentos referentes às atividades do Conjunto Cénico Caldense.

Não faltam ainda referências relativas à própria fundação das Caldas com fotografias de quem integrou as suas equipas e momentos vários referentes ao desporto, sem esquecer por exemplo o facto de José Tanganho ter ganho a Volta a Portugal a cavalo em outubro de 1925 e momentos da passagem da primeira volta a Portugal de Bicicleta, nas Caldas. Marcam também presença as praias caldenses, a Foz e Salir do Porto. Paula Nobre, que tirou uma formação em Curadoria e esteve a trabalhar na Gulbenkian, criando conteúdos para o Centro de Arte Moderna, quis com a sua seleção apresentar “um pouco do que se foi passando ao longo de 100 anos na sociedade caldense”.

Inicialmente, Paula Nobre quis estender a sua pesquisa às freguesias caldenses e ainda ao concelho vizinho de Óbidos, mas depois preferiu que esta primeira exposição incidisse sobre acontecimentos que foram chave para a cidade. A Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro também se uniu ao projeto e estão a criar alguns conteúdos para a própria exposição.

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