Um adeus a João Paulo Cotrim

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Faleceu o editor João Paulo Cotrim. Era um amigo das Caldas que publicou livros de autores da região. Autarquias locais expressaram pesar pelo falecimento

Morreu, no passado domingo, vítima de doença, o editor, poeta, investigador e cronista João Paulo Cotrim. Partiu aos 56 anos e deixa um vazio nos amigos, autores e conhecidos que lhe reconheciam o saber, a boa disposição e a generosidade.
O lisboeta trabalhava em várias frentes. Aos 20 anos foi jornalista e passou por vários orgãos de comunicação social. Foi também diretor da Bedeteca de Lisboa, desde que esta abriu em 1996 e esteve no cargo até 2002. Foi também guionista de filmes de animação, escreveu novelas gráficas, ensaios, poesia e histórias para crianças e adultos.
João Paulo Cotrim, fundador das editores Abysmo e Arranha-Céus, editou vários livros dos caldenses Isabel Castanheira, de Carlos Querido e de Henrique Fialho.
À Gazeta das Caldas, o editor reconhecia que tinha uma ligação forte à região Oeste, fosse através de conversas com alunos da ESAD, da edição de obras de autores ou da realização de eventos culturais.
Primeiro foram os ciclos de encontros literários “Pernoitar com livros” em parceria com o Casal da Eira Branca com diversos autores a vir à unidade de turismo rural que fica nos Infantes (Salir Matos).
Também com a Eira Branca esteve ligado ao Festival “Abysmo nos arredores de Imaginário”, iniciativa apelidada de micro-festival e que decorreu nos dias 13, 14 e 15 de abril de 2018.
António Mega Ferreira, Valério Romão, Luís Maio, Luís Brito, Carlos Querido, Isabel Castanheira e Henrique Fialho foram alguns dos escritores que marcaram presença naquele fim de semana festivo, que teve como mote a literatura, mas que também destacou outras artes, pois também participaram fotógrafos, ilustradores, ceramistas e designers.
E foram mais que muitas as iniciativas que ligam este editor especial ao Oeste, o que levou, de resto, a Câmara das Caldas a apresentar um voto de pesar pelo seu falecimento.
“A cultura portuguesa ficou mais pobre com o desaparecimento deste nome incontornável da banda desenhada e da ilustração portuguesas”.
A autarquia lembrou que João Paulo Cotrim era um apaixonado pela obra de Rafael Bordalo Pinheiro e que “foi autor de uma fotobiografia do artista, tendo editado o livro “As Caldas de Bordalo”, de Isabel Castanheira, cuja introdução também escreveu”.
A Câmara de Óbidos recordou, nas redes sociais do Folio, que o editor foi “um parceiro incansável para a Óbidos Vila Literária, participando ativamente na programação de eventos como o Folio e Latitudes. Integrava o Projeto CELA – Connecting Emerging Literary Artists como mentor de jovens escritores e o Projeto Ler Óbidos. A sua falta será muito sentida”, salientou a autarquia. ■