Ernesto Carvalho cardiologista

A fibrilhação auricular é a arritmia mais frequente com uma prevalência superior a 10% na população com mais de 65 anos de idade, podendo ocorrer em mais de 2% na população em geral.
A fibrilhação auricular reduz a qualidade de vida e aumenta a mortalidade por patologia cardiovascular bem como o número de hospitalizações.
É uma importante causa de acidentes vasculares cerebrais isquémicos – AVC – e pode estar relacionada com problemas de demência e depressão.
A manifestação clínica depende da patologia cardíaca subjacente mas é fundamentalmente a sensação de alteração do ritmo cardíaco – arritmia -, nomeadamente palpitações irregulares
No diagnóstico de fibrilhação auricular é importante o registo electrocardiográfico para documentar o ritmo de fibrilhação auricular de modo a iniciar um tratamento correto.
O registo pode ser feito principalmente por um eletrocardiograma em repouso ou por um exame de Holter – registo electrocardiográfico em ambulatório.
De salientar que a fibrilhação auricular progride na maioria das vezes de episódios curtos para períodos mais longos até á fibrilhação auricular persistente/permanente.
O tratamento deve ter uma abordagem integrada, mas o doente tem um papel fundamental no cumprimento da terapêutica que consta essencialmente na terapêutica anticoagulante para poder prevenir a maior parte dos acidentes vasculares cerebrais isquémicos – AVC – nos doentes com essa indicação.
Todos os anticoagulantes existentes no mercado são eficazes, mas há uma recomendação nos doentes elegíveis para os novos anticoagulantes orais – conhecidos por NOAC.
Os antiplaquetarios – nomeadamente o ácido acetilsalicílico e o clopidogrel – são inferiores aos anticoagulantes e não são recomendados para a prevenção do acidente vascular cerebral nos doentes com fibrilhação auricular.
O tratamento também inclui medicamentos antiarritmicos para controlo da frequência cardíaca e do ritmo e há ainda a ablação por cateter que pode ser considerada terapêutica eficaz para doentes selecionados.
Em conclusão o diagnóstico precoce da Fibrilhação Auricular é fundamental para instituir um tratamento adequado e manter uma qualidade de vida satisfatória.