“É preciso ter uma agenda feminista, antirracista, anti-homofóbica”

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Para o candidato do Livre a ferrovia é “um dos principais problemas” que urge resolver no distrito de Leiria

Cabeça de lista do Livre por Leiria considera necessário ter uma agenda feminista, antirracista e anti-homofóbica

 

Martine Rainho

O investimento na ferrovia e soluções de mobilidade que sirvam as pessoas, a defesa do Pacto Verde e de um modelo de desenvolvimento que crie maior justiça social são apostas da candidatura do Livre por Leiria, encabeçada por Filipe Honório.

Volta a encabeçar a lista do Livre por Leiria. O que é que o move considerando que nas anteriores eleições esteve longe de eleger um deputado?
A missão é a mesma e continua presente. Há pessoas que querem uma alternativa progressista ecológica no distrito. Vimos isso em 2015, em 2019 e nas autárquicas e o objetivo do Livre é reforçar essa expressão, continuar a passar a mensagem e a implementar-se. O Livre criou o seu núcleo distrital no ano passado, apresentou duas candidaturas autárquicas no distrito pela primeira vez e já temos mais candidatos em primárias do que tínhamos em 2019. É um caminho que se vai fazendo.

Acha que é possível eleger um deputado?
É sempre possível. A decisão final está no dia 30 de janeiro e as pessoas vão decidir a que força querem dar voz. A nossa missão vai continuar, mesmo que não se eleja. Há muito trabalho entre eleições, a democracia não se esgota no ato eleitoral. Obviamente que a eleição é sempre o objetivo, e era bom termos um sistema eleitoral que fosse mais representativo e que as pessoas não sentissem que o seu voto às vezes não vale a pena. Portalegre, por exemplo, elege dois deputados. Nas últimas eleições os dois foram do PS mas o PS não teve 100% dos votos…

Existem grandes assimetrias no distrito. Onde é que é necessária maior intervenção política? O que é que está esquecido?
A região do Nordeste é claramente a mais esquecida. Tivemos uma grande tragédia com os incêndios e vimos a debilidade desses territórios, que estão desprovidos de gente e que, em termos de futuro, há pouco por onde olhar. Há uma visão curta de desenvolvimento para esses municípios e são necessárias políticas mais locais. Por isso é que o Livre defende a regionalização, para trazer uma maior voz e maior poder a municípios mais pequenos. Por outro lado, são necessários investimentos que tragam maior coesão territorial, como a ferrovia.

A ferrovia é o principal problema do distrito?
É um dos principais. Temos problemas ambientais gravíssimos, já estão mais do que identificados, como as descargas poluentes no rio Lis ou a situação da lagoa de Óbidos, mas que ainda não conhecem uma resposta por parte do Governo, em particular do Ministério do Ambiente. Foi preciso a luta popular por causa da exploração de gás na Bajouca para o Governo tomar consciência daquilo que estava em causa.

O que propõe para resolver o problema das pecuárias?
O distrito e o país precisam de um novo modelo de desenvolvimento que crie mais justiça social e não esteja tão dependente de uma economia de baixo salário e seja mais sustentável e crie mais valor para o ambiente. Isso significa que temos de ter uma transição para várias indústrias poluentes e isto já devia ter sido feito há muito tempo. Infelizmente não foi e é por isso que temos de aproveitar o PRR e o Portugal 2030. Não é só a descarbonização da economia ou a neutralidade carbónica, estamos a falar de ter um modelo de desenvolvimento que passe pela economia de conhecimento, pela economia circular e que aposte numa economia dos altos salários. O Livre tem defendido um novo Pacto Verde que permita esta transição e requalificar muitas infraestruturas a nível público como privado, como é o caso das habitações.

Quais os principais adversários do Livre nestas eleições?
Não sei se diria adversários. A nossa maneira de estar e de fazer política é colaborativa e portanto trabalhamos e estamos abertos à proposta, à convergência, tem sido sempre esse o mote para criar soluções. Há forças não democráticas que combatemos abertamente e com as quais não estamos sequer dispostos a nos sentarmos à mesa. É preciso mais do que nunca ter uma agenda feminista, antirracista, anti-homofóbica, que permita não deixar que setores da sociedade fiquem contaminados por aquilo que é um discurso populista, extremista, que acaba por corroer a sociedade, virando uns contra outros.

Concordaria em integrar uma coligação pós-eleitoral?
As pessoas vão às urnas, decidem com o voto quem querem que as represente e depois é o trabalho dos partidos, é a sua missão entenderem-se para dar uma solução de governabilidade. O Livre é muito claro: não se senta à mesa com a direita e no caso de uma maioria de esquerda, tem de haver um acordo multipartidário o mais abrangente possível, porque com um acordo assinado temos um Governo escrutinado, que foi o que não aconteceu nos últimos anos. Daí estarmos nesta situação indesejável de eleições antecipadas. ■

Entrevista conjunta REGIÃO DE LEIRIA/GAZETA DAS CALDAS