“Reivindicamos um novo hospital no Oeste, sem desativar os existentes”

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Heloísa Apolónia defende que a regionalização é crucial para diminuir as assimetrias do território

A saúde, desenvolvimento sustentável e defesa do meio ambiente são prioridades da CDU para o distrito de Leiria

A antiga deputada de “Os Verdes” e recandidata pela CDU como cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Leiria, Heloísa Apolónia, diz que tem havido falta de vontade política e de investimento para resolver os problemas do distrito.

O desenvolvimento sustentável e a defesa do meio ambiente são prioridades da CDU para o distrito. Que problemas em concreto se propõem a resolver?
O sistema de transportes é absolutamente determinante para garantir a mobilidade das populações, mas também para dar resposta em matéria das alterações climáticas. Tendo em conta o contributo que o setor dos transportes dá para as brutais emissões de CO2 é determinante intervir, fazendo uma lógica inversa da que tem sido feita nas últimas décadas. em que as populações têm de optar pela utilização de transporte individual. No distrito temos um exemplo da Linha do Oeste e de como a aposta no setor ferroviário é determinante. A forma como se tem arrastado a modernização e eletrificação total da linha é bastante negativo e havia possibilidade de a obra já estar concluída.

O que tem faltado?
Falta vontade política e investimento para que a obra seja concluída. Neste momento há uma parte da linha que está em processo de modernização e outra já adjudicada até às Caldas, esses passos devem-se ao esforço que a CDU tem feito na reivindicação de que a obra seja concretizada. Mas não podemos ficar por aqui, precisamos da eletrificação total da linha para que ela sirva a população de acordo com as suas necessidades e isso implica material circulante, modernização da linha na sua totalidade, horários compatíveis com as necessidades dos utilizadores, conforto e preços adequados. É assim que fomentamos o transporte ferroviário. A Linha do Oeste é uma componente central da mobilidade, mas não podemos esquecer o resto. A CDU defende um sistema integrado de transportes, entre o ferroviário e o rodoviário, que sirva a totalidade do distrito.

A nível ambiental, o que defendem para a Lagoa de Óbidos?
A classificação da Lagoa de Óbidos como reserva natural é crucial para que também se proporcionem investimentos necessários à intervenção sobre uma área protegida. São feitas intervenções pontuais, mas precisamos de um sistema de desassoreamento permanente e também de acções de despoluição consentâneas com o objetivo de valorização deste espaço natural.

Também criticam o investimento proposto em Orçamento de Estado em relação à saúde…
Se a opção era transferir, de bandeja, do SNS para o setor privado, 700 milhões de euros, consideramos que são opções erradas de investimento. Esse dinheiro deveria ser direcionado para a resposta às populações e nas Caldas, e no distrito em geral, há um problema muito sério no que concerne aos cuidados primários de saúde. Há concelhos onde cerca de 40% da população não tem médico de família e onde os cuidados primários de saúde acabam por estar de alguma forma distanciados das populações no sentido da resposta imediata que lhes deve ser dada, mas também ao nível da resposta hospitalar.

O que reivindica a CDU?
A CDU reivindica a construção de um novo hospital para o Oeste, mas sem desativar ou desvalorizar as unidades hospitalares já existentes. Nas Caldas é bem visível a degradação do próprio espaço hospitalar e é um impeditivo para que os profissionais se fixem nesta unidade e na região. Mais profissionais de saúde é determinante para dar resposta às exigências das populações nos seus cuidados médicos.

Até à sua construção como conseguirá o centro hospitalar atrair recursos humanos?
Através do reforço das valências nas unidades hospitalares, que é fundamental para as populações, mas atrativo para os profissionais de saúde. As nossas propostas para fixar profissionais nas zonas de baixa densidade populacional passam por uma majoração do seu salário, algum incentivo financeiro que possa ser dado, de modo a que se torne mais aliciante, ao nível da sua própria carreira, fixarem-se nestes locais.

António Costa defendeu a criação de uma nova NUT que englobe os municípios do Oeste, Médio Tejo e Lezíria do Tejo. Qual a sua posição?
O que a CDU reivindica, e que está contemplado na Constituição da República, é a implementação da regionalização. Falta-nos o poder intermédio que nos faça pensar a lógica das regiões como um todo. A regionalizaçao é crucial para criar maior harmonia no território, menores assimetrias regionais, promover mais coesão territorial e no sentido de pensar os tecidos económicos, culturais, educativos e da saúde, a uma dimensão regional. Infelizmente, o PS dizendo-se favorável à regionalização entra por outras vertentes e não dá resposta ao que é fundamental. ■

*Entrevista conjunta REGIÃO DE LEIRIA/GAZETA DAS CALDAS