É na sede do MVC que se vão realizar as iniciativas conjuntas com a associação que reúne a comunidade de estrangeiros

A Associação Movimento Viver o Concelho (MVC) aliou-se ao Oeste International Partners (OIP) para promover iniciativas relacionadas com a integração dos estrangeiros que escolheram viver nesta região. Não faltam projectos e os primeiros serão relacionados com a leitura e com a cozinha internacional

É em volta dos livros e da gastronomia que se vão realizar as primeiras actividades conjuntas organizadas pelas duas associações. “Queremos trabalhar com a comunidade de estrangeiros desta região pois temos objectivos comuns”, disse Teresa Isabel Serrenho, a presidente do Movimento Viver o Concelho (MVC) explicando que será na sede da associação – que fica na Rua Henrique Sales, 36 – que vão ter lugar as iniciativas que querem unir residentes e estrangeiros. A primeira será uma tertúlia terá lugar a 18 de Setembro, entre as 11h00 e as 14h00, e reúne leitores na iniciativa designada “Café e Livros”, algo que ambas já faziam com os seus elementos.
Em conjunto, as entidades pretendem “servir a comunidade, aproximando as pessoas e aproveitando o que cada um sabe fazer para ensinar os outros”, disse a caldense, acrescentando que a Oeste International Partners (OIP) já trouxe dezenas de livros em Inglês para serem lidos por interessados, funcionando o empréstimo como acontece nas bibliotecas.
Por seu lado, Joseph Poon, presidente da OIP, contou que a associação que dirige possui 80 voluntários das mais diversas nacionalidades e cuja maioria escolheu vir viver a sua reforma no Oeste. A entidade procura integrar-se melhor na comunidade e tem feito almoços de reconhecimento à GNR e PSP e tem trabalhado também em projectos com a Ordem do Trevo, providenciado comida para sem-abrigo nas Caldas e visitas a equipas internacionais de futebol. Para angariar fundos já fizeram uma competição de petanca, caça ao tesouro, um almoço de S. Valentim chinês, a celebração do dia de St. Patrick, um jantar do festival da lua chinês, cursos de cozinha e participações em eventos como o Mercado Medieval de Óbidos.
Além do clube de leitura, também realizam outras iniciativas onde se destaca a que se dedica à cozinha internacional e que teve lugar nos centros de dia de Óbidos.
“Gostaríamos também de cozinhar para os mais velhos nas Caldas”, referiu o líder do OIP, que vive na Usseira. Joseph Poon é natural de Hong Kong, mas estudou e viveu em Inglaterra, onde foi responsável por vários projectos ligados à juventude e à comunidade. Foi coordenador estratégico no Parlamento inglês e conselheiro de forças policiais. Com esta parceria com o MVC também pretendem “abrir as portas da comunidade internacional”, acrescentou o responsável da associação que congrega residentes de variadas nacionalidades, desde ingleses, franceses, belgas ou alemães. Outra parceria que será estabelecida envolve algum apoio aos estrangeiros que chegam e que se querem instalar na região e, em troca, podem “apoiar as pessoas desta zona que vão morar para os países onde antes residíamos”.
Há também disponibilidade para ensinar as suas línguas enquanto que elementos do MVC vão ensinar português aos estrangeiros. Os vários elementos do OIP, cuja direcção possui elementos de sete nacionalidades – estão prontos para continuar a angariar fundos para iniciativas locais de cariz social. “É assim que agradecemos generosamente o facto de nos receberem nesta região”, disse o presidente.
Margaret Louyot-Smith, a vice-presidente da Oeste International Partners destacou que “há partilha genuína entre a comunidade, valorizando a família e o bem estar na comunidade, algo que se está a perder nos grandes centros urbanos”. A responsável, filha de irlandeses, viveu em Inglaterra e em França, teve várias profissões, desde trabalhos administrativos em empresas até ao ensino de Inglês para estrangeiros. Hoje vive no Chão da Parada e desloca-se a França duas vezes por ano.
Já a britânica Linda Burch foi polícia e, mais tarde, geriu projectos de residência e bem-estar para idosos, assumindo a coordenação do projecto dos livros. Além dos grupos de leitura, quer convidar escritores para as tertúlias e já está a pensar na organização de aulas de desenho e de pintura que terão lugar uma vez por mês. A voluntária gostaria também de poder trazer às Caldas “grupos de idosos” com quem já cozinham nos centros de dia obidenses, “assim que os equipamentos abrirem”. O propósito é proporcionar-lhes uma tarde diferente de participação na iniciativa “Café e Bolos”. Depois, com o apoio das autarquias, pretende trabalhar com os seniores caldenses, tal como fizeram em Óbidos. Previstas estão também iniciativas que envolvem as hortas urbanas e a confecção de refeições de cozinha internacional.