Início Sociedade Caldas Cut atraiu cinco mil visitantes e seguirá para Turquia

Caldas Cut atraiu cinco mil visitantes e seguirá para Turquia

0
78

Entre os dias 1 e 3 de maio, a cidade recebeu o Caldas Cut – o 5º Encontro Mundial das Capitais da Cutelaria, evento que reuniu algumas das referências mundiais desta arte milenar.
Desta fizeram parte 37 pessoas oriundas de 11 capitais de cutelaria de todo o mundo: de cidades da Turquia, da Argentina e de várias europeias que também se dedicam à cutelaria. Guimarães esteve presente pelos talheres de mesa enquanto que as Caldas marca presença pela produção de facas e navalhas.
No primeiro dia, a comitiva esteve a visitar a Ivo Cutelarias, a Icel e a Oficina do Cuteleiro em Santa Catarina enquanto que, no fim de semana o evento teve sede no CCC.
Alguns dos momentos mais importantes foram as aberturas das exposições ao público. A exposição mundial de cutelaria esteve presente no foyer do CCC. Esta mostra estará em Portugal durante um ano e depois será apresentada na cidade. Esta é pois a oportunidade de conhecer peças feitas com grande minúcia em vários locais de todo o mundo
Já no espaço da galeria, na cave do CCC decorreu a Feira Artesanal de Cutelaria que deu ao público a oportunidade de contactar diretamente com artesãos e fabricantes internacionais, “Um terço dos participantes é internacional”, disse Sérgio Félix, secretário da AIRO, acrescentando que além de vários europeus estiveram igualmente presentes dois artesãos argentinos. Aquele responsável deu ainda a conhecer a moeda que foi lançada nesta 5ª edição “pois a tradição cutileira determina que quando se dá uma faca também se dá uma moeda para que a amizade não seja “cortada”. Como tal foi feita uma peça específica, uma moeda com referência às Caldas e à cutelaria da região.
“Quisémos atrair mais pessoas”, disse o responsável da AIRO, entidade que trabalhou com o município das Caldas para tornar este encontro numa realidade que alegrou os participantes locais, nacionais e internacionais. E o público de facto não faltou ao evento tendo visitado a exposição e conhecido os artesãos neste Caldas Cut onde também se uniu a gastronomia, através da apresentação dos showcookings, apresentados por alunos e professores da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste.

O evento, organizado pela Câmara, AIRO, a Junta de Freguesia de Santa Catarina e Cutelarias de Santa Catarina e Benedita contou também com a apresentação da navalha caldas que apesar de ter um século de história foi agora feita em colaboração com seis empresas desta região.
A mostra mundial que suscitou a curiosidade de gente de todas as idades vai agora ficar patente nas Caldas durante um ano e passará do CCC para a Casa Amarela, no Centro de Artes.
Entre a comitiva internacional esteve Maria Pilar Jiménez (da Asociación de Cuchillería y Afines de Albacete). Na sua opinião, o Caldas Cut não poderia estar a correr melhor. A participante considerou que o evento foi bem organizado e como tal “ vai posicionar as Caldas a nível internacional no setor da cutelaria”.
Albacete é uma cidade que tem mais de seis séculos de história ligada à cutelaria. Segundo a responsável atualmente trabalham no setor mais de 1200 pessoas.
Na sua opinião, as Caldas está bem preparada para receber este evento pois a cidade também é um importante centro de cutelaria.
A responsável, que gostou de visitar os espaços em Sta Catarina e na Benedita afirmou que “esta cidade e também as suas empresas são muito competentes a nível mundial”.
Outro dos momentos marcantes foi a formalização oficial da Associação Mundial de Capitais da Cutelaria e Pilar Jimenez foi nomeada a presidente da nova entidade global, que nasceu com o propósito de constituir uma rede internacional estável de cidades e territórios ligados à cutelaria, promovendo a cooperação mútua e a valorização do seu património, inovação e cultura.
Para o presidente da Câmara, Vítor Marques a iniciativa conseguiu dar o destaque esperado às várias indústrias e à cutelaria artesanal que na sua a opinião “estão ao mesmo nível da cerâmica e também são um importante cluster desta região. Nesta área incluem-se 600 trabalhadores e é um setor que exporta 60% da sua produção. A cutelaria desta zona caminha para uma faturação de 50 milhões de euros por ano.
“São valores significativos para a região”, comentou o edil caldense, feliz com o facto das firmas se sediarem em Santa Catarina o que prova que o desenvolvimento do território não está apenas na cidade”. Na sua opinião, o concelho “tem muito mais para dar”.
Satisfeito com o superar das expectativas, o autarca ainda acrescentou que este evento dedicado ao setor é para ter continuidade.
“Queremos replicar e voltar a reunir os artesãos da região e do país pela importância que esta área tem no nosso território”. O presidente da Câmara considera ainda que são momentos como este que servem para promover as Caldas no seu todo”.
O Caldas Cut foi o culminar de um trabalho com quatro anos e deveu-se também ao bom desempenho de equipa, feito entre as várias entidades. “E vão continuar a acontecer mais momentos de elevação que servem para promover a nossa economia”.
O edil caldense quer ainda apostar na cadência de eventos com vista a promover este território. No próximo mês será a vez da MESTRA destacar a cerâmica que se faz na região.
A próxima edição do Encontro Mundial de Cutelaria decorrerá na Turquia em 2027. Ercument Yilmaz, o responsável turco, salientou que durante estes três dias houve “enorme partilha” num evento que foi “ bom e muito bem organizado”. Por um lado será “uma honra” organizar a 6ª edição em Bursa mas “não será fácil estar à altura do que aconteceu aqui nas Caldas!”.
O organizador salientou que vão reunir em Bursa a realização do festival de Gastronomia e o festival artesanal de cutelaria. “Será um grande evento que vai reunir cuteleiros e gastrónomos numa só iniciativa no final de setembro e início de outubro”. Bursa é uma antiga cidade turca que foi capital do império otomano e que produz cutelaria de forma artesanal e industrial.
O responsável está em Portugal pela segunda vez e agradece a forma como foi acolhido. Gosta de tudo da comida ao clima e sente que há uma grande proximidade entre os dois países, agora também unidos pela cutelaria.

 

- publicidade -

Livro sobre a cutelaria de Sta. Catarina e Benedita

Entre os momentos chave do evento contaram-se o lançamento do livro e da navalha “Caldas”

No sábado, 2 de maio, decorreu o lançamento do livro “A Cutelaria em Santa Catarina e Benedita nos Séculos XX e XXI”, de António Santos Real, o primeiro livro sobre cutelaria em Portugal. Este último foi apoiado pela Câmara Municipal, em parceria com a AIRO, e é mais do que um registo técnico e histórico.
A obra é uma justa homenagem à vida laboral, familiar e ao talento dos artesãos navalheiros desta região e conta a história da constituição das indústrias que se dedicam a este setor.
No pequeno auditório do CCC, António Santos Real fez uma apresentação bastante pormenorizada desta obra, detendo-se não só nas várias histórias sobre a fundação ou constituição das firmas ou como era feita a produção e a distribuição das facas e navalhas feita com recurso não só ao comboio como também a bicicletas.
Depois da obra decorreu também o lançamento da “Navalha Caldas”, um símbolo identitário que veio reforçar a vocação artesanal do território. A navalha que já tem um século de história mas esta edição comemorativa foi agora desenvolvida numa produção coletiva das empresas cuteleiras de Sta. Catarina e da Benedita.

O autor respondendo aos pedidos de autógrafo no final da apresentação

António Santos Real fez questão de agradecer a todos os que fazem parte da cutelaria desta região e que o auxiliaram a realizar este trabalho de pesquisa.
Este evento “foi o realizar de um sonho e está a ser um verdadeiro sucesso”, disse Fernando Fialho, o presidente da Junta de Santa Catarina. Na sua opinião “este é um setor muito importante e que continua a apaixonar-nos”. E ainda rematou afirmando que “estamos muito felizes coma iniciativa que agora não pode parar!” afirmando ainda que no final do mês serão inaugurados o Museu da Cutelaria e a Oficina do Cutileiro em Santa Catarina.
António Ivo Peralta, responsável da Ivo Cutelarias a iniciativa foi “ótima para a promoção da cutelaria da região e também para o país”. A sua fábrica possui atualmente 220 trabalhadores.
Carlos Norte, do Lombo do Ferreiro e Paulo Tuna, cuteleiro das Caldas, não podiam estar mais satisfeitos com a realização.
Os dois organizadores que estão sobretudo ligados à cutelaria artesanal garantem que o destaque à cutelaria é agora imparável e ambos mencionaram que as iniciativas nesta região relacionadas com a cutelaria deverão ter uma periodicidade anual.

 

- publicidade -
Visão Geral da Política de Privacidade

Este website utiliza cookies para que possamos proporcionar ao utilizador a melhor experiência possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu browser e desempenham funções como reconhecê-lo quando regressa ao nosso website e ajudar a nossa equipa a compreender quais as secções do website que considera mais interessantes e úteis.