Caldense eleita bastonária da Ordem dos Biólogos

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Natural da Cumeira de Santa Catarina, Jesus Fernandes reside há vários anos em Salir do Porto

Maria de Jesus Fernandes, de 63 anos, liderou a lista eleita para o novo conselho diretivo da Ordem dos Biólogos nos próximos quatro anos, naquelas que foram as eleições mais concorridas de sempre

Quadro do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, onde já foi diretora do Departamento de Conservação da Natureza e das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo, a bióloga Maria de Jesus Fernandes é a primeira mulher eleita bastonária da Ordem dos Biólogos.
A tomada de posse da caldense teve lugar no último dia de março e na equipa de Maria de Jesus Fernandes estão, também, o docente e investigador penichense Sérgio Leandro (vogal da direção) e a bióloga caldense Carla Santos (direção do colégio do Ambiente).
Ser bastonária e ser a primeira mulher a assumir estas funções na Ordem é uma “dupla responsabilidade”, assume Maria de Jesus Fernandes, que sucede a José Matos, geneticista molecular e investigador, que foi o promotor das Olimpíadas Portuguesas da Biologia.
O plano estratégico a desenvolver ao longo dos próximos quatro anos passa, entre outras linhas de trabalho, pela valorização e a dignificação socioprofissional dos biólogos, contribuir para a divulgação da Biologia e literacia biológica como garante da sustentabilidade e de uma sociedade mais justa e inclusiva e a valorização o papel dos docentes do ensino básico e secundário na educação para a cidadania científica.

Promover a literacia biológica e dignificar a profissão são objetivos do mandato

“As pessoas não têm de saber os nomes complicados das coisas, mas perceber para melhor interpretar a sua vida e o papel enquanto cidadãos” defende Jesus Fernandes, dando o exemplo do conhecimento, por exemplo, ao nível da pandemia e do vírus que a provoca.
Por outro lado, a bastonária destaca o papel ativo que os biólogos podem ter para travar a degradação dos ecossistemas e da falta de sustentabilidade. “São necessárias intervenções diretas no sentido de remediar os erros que fomos fazendo no passado”, alerta.
A trabalhar na área da Educação Ambiental há mais de duas décadas, a caldense considera que esta é uma matéria que não pode ser descurada, nem deixá-la somente encarregue às escolas, mas alargá-la a toda a sociedade. E, se há estratégias que foram implementadas com sucesso e efeito quase imediato, como é o caso da reciclagem, outras, “se não forem continuadas e ajustadas às diferentes etapas, vão perdendo eficácia”.
De resto, Jesus Fernandes dá o exemplo do correto uso da água, lembrando que há experiências muito positivas em alguns municípios e comunidades, mas que é necessário generalizar. “É preciso implementarmos essa prática não só na agricultura, mas também na rega pública, na construção civil e nos nossos consumos”, exemplifica, acrescentando que a própria arquitetura das casas deve ser pensada numa lógica em que a economia circular seja uma realidade.

Biólogos nos municípios
“Os biólogos nos municípios podem fazer a diferença”, refere aquela responsável, que considera que atualmente ainda se regista um défice destes profissionais nas autarquias.
No Oeste já há municípios que possuem biólogos no corpo técnico, mas a maioria ainda não, e “essa transformação e capacitação local para conseguirmos dar este salto para a sustentabilidade também passa por aí”.
Referindo-se à região, Jesus Fernandes refere que existe muito trabalho a fazer, nomeadamente na recuperação dos ecossistemas e no controlo das invasoras. “As estruturas municipais continuam a usar plantas invasoras, como acácias, erva das pampas, chorão, para embelezar os espaços públicos”, exemplifica, defendendo que é necessário arrepiar caminho.
Os biólogos são também necessários no trabalho a executar no paul de Tornada e Lagoa de Óbidos, áreas com um potencial muito grande ao nível da conservação da natureza e da paisagem, mas também ao nível da fruição. “Além do trabalho mecânico da limpeza e remoção dos resíduos, há um outro trabalho e outro olhar que pode fazer a diferença na qualidade de vida dos cidadãos, na qualidade ambiental e paisagística dos sítios”, remata.
Jesus Fernandes esteve durante vários anos ligada à associação ambiental PATO (Associação de Defesa do Paul de Tornada), tendo inclusivamente, sido sua presidente. Natural da Cumeira de Santa Catarina, residiu em Lisboa, Algarve e viria a fixar-se em Salir do Porto. É licenciada em Biologia e tem mestrado em Etologia. ■