Início Sociedade Nutrifield defende estratégias integradas para mitigar doenças no setor agrícola

Nutrifield defende estratégias integradas para mitigar doenças no setor agrícola

0
27
O encontro teve um painel de especialistas internacional que apresentou técnicas e produtos alternativos aos pesticidas

Evento reuniu cerca de 100 participantes na Expoeste para discutir soluções, com foco no fogo bacteriano

A empresa caldense Nutrifield organizou o VII Encontro de Fisiologia Vegetal no dia 8 de abril, no auditório da Expoeste. O evento reuniu cerca de uma centena de participantes e teve como principal objetivo a apresentação e discussão de estratégias para mitigar problemas fitossanitários que afetam o setor primário na região, com destaque para o fogo bacteriano e a estemfiliose.

De acordo com Luís Marques, administrador da Nutrifield, a edição deste ano registou uma alteração no perfil do público presente, contabilizando-se uma maior afluência de técnicos agrícolas em detrimento de produtores diretos. Um dado que, para Luís Marques, revela uma crescente preocupação no setor, mas também confiança no trabalho desenvolvido pela Nutrifield. “Se os colegas estão interessados, é sinal de que acreditam na nossa empresa e no nosso objetivo, que é melhorar tudo em prol do setor”, disse.

- publicidade -

Durante a sessão, Pedro Tereso apresentou o trabalho desenvolvido pela Agrosustentável – com a qual a empresa tem um protocolo de colaboração. Esta é uma ferramenta focada no diagnóstico prévio da saúde das plantas através de análises à seiva, concebida para permitir aos agricultores agir preventivamente.

Pedro Tereso destacou que, embora haja muitos dados disponíveis (através de sensores, ou drones), o problema reside na falta de interpretação desses dados. A planta não funciona apenas por nutrientes, mas por relações e equilíbrio, sendo a energia (fotossíntese) e o crescimento (síntese proteica) processos cruciais. A análise de seiva surge como uma ferramenta para monitorizar a dinâmica dos nutrientes e açúcares, permitindo intervenções precisas e antecipação de problemas.

No que diz respeito ao fogo bacteriano, doença que atinge a produção frutícola da região Oeste, Luís Marques sublinhou a inexistência de soluções definitivas. “Podemos mitigar, resolver não creio, infelizmente”, afirmou o administrador da Nutrifield, que rejeitou a viabilidade de produtos com efeitos imediatos ou absolutos, pelo que defende a aplicação de uma estratégia integrada. A empresa encontra-se a testar uma metodologia que articula o feedback e os produtos de diversas multinacionais parceiras. A aplicação destes tratamentos, de forma conjunta ou alternada, visa a redução dos danos causados pela bactéria.

A incidência destas doenças está diretamente relacionada com as condições meteorológicas e o início deste ano tem sido, uma vez mais, propício à sua propagação. Luís Marques explicou que a instabilidade climática, caracterizada por precipitação e níveis elevados de humidade durante o período de floração dos pomares – o principal estado fenológico propício ao ataque da bactéria -, agrava a situação nas explorações. “Se a meteorologia continuasse como há uma semana [sem chuva], provavelmente o fogo bacteriano não iria manifestar-se tanto e então iria dar uma esperança”, referiu o responsável. Contudo, o comportamento climático atual vai dificultar o controlo da praga.

Face a este cenário, o encontro abordou métodos preventivos, nomeadamente o conceito de priming, que consiste na estimulação das defesas naturais das plantas contra os stresses a que são sujeitas, como a salinidade, excesso ou falta de água e de luminosidade. Produtos nutricionais podem ter um efeito preventivo contra esses problemas, melhorando a produtividade e a proteção contra condições adversas.

Paralelamente às abordagens fitossanitárias, a Nutrifield apresentou a introdução de novas culturas como medida de adaptação para os empresários, entre elas a produção do abacate, apontada por Luís Marques como uma alternativa para os produtores da região, com o intuito de evitar a desvalorização ou a perda do património perante a dificuldade de manutenção dos pomares tradicionais atingidos de forma severa.

Com o atual contexto económico e geopolítico internacional, Luís Marques realça que o setor agrícola está a sofrer impactos diretos e indiretos, quer pelos preços dos fertilizantes, quer dos transportes. A empresa caldense antecipou a aquisição de produtos para evitar constrangimentos de matéria-prima, mesmo assim prevê um incremento nos preços devido aos aumentos na logística. “Nós vimos isso como uma oportunidade de duas maneiras: no sentido de demonstrar tecnicamente que é possível fazer mais com menos e, como é evidente, a oportunidade comercial que isso representa”, explicou Luís Marques.

O evento contou com cerca de 100 participantes, registando-se um aumento de técnicos em relação às edições anteriores
- publicidade -
Visão Geral da Política de Privacidade

Este website utiliza cookies para que possamos proporcionar ao utilizador a melhor experiência possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu browser e desempenham funções como reconhecê-lo quando regressa ao nosso website e ajudar a nossa equipa a compreender quais as secções do website que considera mais interessantes e úteis.