O que é o ACeS Oeste Norte?

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Centros de Saúde da região "respondem" ao ACeS, entidade liderada por Ana Pisco

O Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste Norte tem um total de 22 unidades de saúde na região e emprega 425 pessoas

O Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) do Oeste Norte é, tal como o nome indica, a rede de cuidados de saúde primários desta região e tem como missão a prestação desses primeiros cuidados à população, sendo, regra geral, a primeira resposta da saúde a quem os cidadãos recorrem em casos de necessidade.
Das atribuições do ACeS faz parte o desenvolvimento de “atividades de promoção da saúde e prevenção da doença, prestação de cuidados na doença e ligação a outros serviços para a continuidade dos cuidados”, mas também a realização de “atividades de vigilância epidemiológica, investigação em saúde, controlo e avaliação dos resultados e participar na formação de diversos grupos profissionais nas suas diferentes fases, pré-graduada, pós-graduada e contínua”.
O Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste Norte serve uma população de 171.880 habitantes de seis concelhos, nomeadamente, Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche, abrangendo uma área geográfica de 1.057 quilómetros quadrados.
Entre a população que é servida por este agrupamento de Centros de Saúde os principais desafios são as patologias relacionadas com o colesterol e triglicéridos, mas também com o excesso de peso e obesidade, com os fumadores e com a população cada vez mais envelhecida. “Para que esta tendência possa ser invertida é premente que continuemos apostados numa estratégia de prevenção junto dos cidadãos, com ações de sensibilização, quer nas consultas, quer na comunidade, com vista a efetivarmos uma mudança comportamental que permita minorar a incidência e prevalência destas patologias, alcançando assim um estilo de vida mais saudável”, explicou a diretora executiva do ACeS Oeste Norte, Ana Pisco, à Gazeta das Caldas.
Outro grande desafio nesta região prende-se com a falta de recursos humanos na área da saúde. “Atualmente deparamo-nos com um aumento no número de utentes sem médico de família, tendo passado de 8% em 2018, para 21% em 2022”, alertou a diretora do ACeS, que desempenha o cargo desde 2014 e que foi reconduzida em 2021. A médica faz ainda notar que se prevê que estes indicadores possam “vir a aumentar, dado o número elevado de aposentações previstas até ao final do corrente ano”.
A 31 de dezembro do último ano, dos mais de 171 mil utentes servidos pelo ACeS Oeste Norte, existiam 38366 sem médico de família atribuído, uma realidade muito preocupante nesta região (mas não só).
Esta entidade, que pertence à área administrativa da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), conta atualmente com 10 Unidades de Saúde Familiar (USF), sete Unidades Cuidados Saúde Personalizados (UCSP), três Unidades Cuidados na Comunidade (UCC) compostas por seis equipas de cuidados domiciliários, uma Unidade Saúde Pública (USP) que integra seis autoridades locais de saúde – uma por concelho – e ainda uma Unidade de Recursos Assistenciais Partilhados, composta por dois psicólogos e três assistentes sociais.
No total, o ACeS Oeste Norte conta atualmente com 425 profissionais, que têm a responsabilidade de estar na linha da frente da prestação dos cuidados de saúde às populações.
Como facilmente se percebe, esta entidade tem grande relevância na vida dos habitantes dos seis concelhos da região, por representar, em muitos casos, a primeira linha de prestação de cuidados de saúde. E a pandemia apenas veio comprovar esta questão. A média de consultas no ACeS aumentou no último ano, “o que denota um esforço assinalável na recuperação de consultas”, depois dos constrangimentos impostos durante a pandemia, que levaram à realização de menos consultas, mas também a um afastamento dos cidadãos dos cuidados de saúde não relacionados com a pandemia de covid-19.
No quadriénio 2017-2020 a média de consultas realizada por utente inscrito no ACeS Oeste Norte tinha sido de 3,1, enquanto que no ano de 2021 a média de consultas realizadas por utente inscrito aumentou para os 3,4, passando das 546.334 consultas realizadas em 2020 para um total de 622.335 consultas em 2021, um aumento de cerca de 13%, o que corresponde a mais 76.001 consultas efetuadas do que no ano anterior.