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Fotografia no Mercado do Peixe

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Uma das 30 imagens que compõem a exposição que se encontra patente, desde o início da semana no Mercado do Peixe caldense

Trabalho artístico de aluno da ESAD.CR retrata a apanha ilegal da amêijoa-japónica no rio Tejo

Um documentário etnográfico realizado em 2024 por Martim Gouveia, em parceria com Tiago Santos, sobre a apanha ilegal da amêijoa-japónica no rio Tejo resultou agora na exposição fotográfica Samouco – O Fim do Mundo, patente no Mercado do Peixe, até 21 de março. A mostra, que permite compreender não apenas a atividade em si, mas também as relações, tensões e modos de vida dos marisqueiros envolvidos, é composta por 30 fotografias (27 em formato A3 e 3 em formato A2), organizadas em três núcleos que propõem diferentes aproximações ao território, ao corpo e à paisagem, explica o autor. O primeiro núcleo, denominado Extração, apresenta o objeto central do trabalho: o saco de amêijoas, captando os seres vivos retirados do seu habitat. Já o segundo, intitulado Instalação, ocupa a maior parte da exposição e aborda o espaço na sua totalidade, “estabelecendo um contraste entre Lisboa e a margem oposta do rio, bem como a presença humana e o exercício da atividade”. O último núcleo, Absorção, centra-se nas condições de vida destas pessoas, mostrando onde vivem, como se deslocam e de que forma o trabalho se integra no seu quotidiano.

“A escolha desta temática surgiu do contacto direto com este território e com as pessoas que nele trabalham, maioritariamente emigrantes, expostos a condições precárias e a uma realidade marcada pela instabilidade”, explica Martim Gouveia à Gazeta das Caldas. O projeto reflete sobre questões contemporâneas como o trabalho informal, a migração, a sobrevivência e a relação entre o ser humano e o território.

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O estudante da licenciatura em Som e Imagem na ESAD.CR recorda que, inicialmente, as imagens tinham como finalidade integrar o relatório final do projeto fílmico. No entanto, o seu potencial levou-o a desenvolver uma seleção e curadoria próprias, com o objetivo de as apresentar em formato expositivo. O projeto ganhou um “novo impulso” no contexto da unidade curricular Oficina de Antropologia para as Artes e Design, lecionada por Teresa Fradique, que o incentivou a “reconhecer o alcance do trabalho para além do seu valor documental, enquanto reflexão artística e antropológica”,

Depois das Caldas, o jovem gostaria de levar a mostra a outros locais, especialmente na Margem Sul, pela sua proximidade geográfica e simbólica com o território onde o trabalho foi desenvolvido.

Martim Gouveia tem trabalho desenvolvido principalmente nas áreas da fotografia e do cinema, nomeadamente curtas-metragens, ensaios visuais e instalações fotográficas. Entre estes, destacam-se os projetos Ilha (2024), o documentário Até a Maré Subir (2025), a instalação fotográfica Atemporal (2025), o ensaio visual mind the gap (2025) e uma ficção KAEL (2026), que ainda será divulgado. Paralelamente, tem desenvolvido o projeto antiglifo, onde publica fotografias analógicas acompanhadas por texto.
Atualmente encontra-se a desenvolver o projeto final de curso da licenciatura em Som e Imagem, centrado no formato fílmico, no género da ficção. Em abril irá lançar a curta-metragem Flores, de cerca de 4 minutos sobre o luto e a memória, “onde a casa vazia da minha avó e as flores que permanecem refletem a ausência do calor humano e a forma como o tempo parece parar quando alguém deixa de estar”, explicou.

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