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Comissão pede intervenção “urgente” para repor as condições de circulação dos comboios

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A vigília, organizada pela Comissão pela Defesa da Linha do Oeste juntou cerca de 30 pessoas na estação de comboios das Caldas no sábado de manhã

Cerca de 30 utentes da Linha do Oeste concentraram-se, na manhã de sábado, junto à estação das Caldas pela reposição da circulação de comboios e a necessidade de serviço alternativo durante a intervenção

Uma família da Tailândia de férias em Portugal chegou à estação das Caldas, de malas aviadas, para apanhar o comboio das 11h15 para Coimbra. Desconheciam que a Linha do Oeste está encerrada e acabaria por ser um dos populares que integrava a vigília, que decorria na manhã de sábado, a dar a informação aos turistas, que tiveram de se dirigir à garagem dos autocarros.

A falta de informação é, de resto, uma das críticas apontadas pela Comissão Para a Defesa da Linha do Oeste (CPDLO) às empresas Infraestruturas de Portugal (IP) e Comboios de Portugal (CP). Na concentração, que juntou cerca de 30 pessoas na estação das Caldas, o porta-voz da comissão, José Rui Raposo, lembrou que, na sequência das intempéries que afetaram a região, e danificaram partes da linha férrea, o ministro das Infraestruturas anunciou que a Linha do Oeste estaria encerrada durante nove meses. “Mas sem explicar as razões desse encerramento: está encerrada e acabou”, criticou o responsável, acrescentando que o governante “queria fundamentalmente livrar-se aqui de um problema”, referindo-se à supressão sistemática de comboios. Segundo José Rui Raposo, durante o mês de dezembro foram suprimidos “mais de 90 comboios”, o que se traduziu num “abalo grande para todos os que utilizam a linha do Oeste”, sobretudo quando a supressão aconteceu nas horas da ponta, designadamente no fim do dia, e os utentes ficaram impossibilitados de regressar a casa. O problema continuou em janeiro, em que até ao dia da tempestade (28 de janeiro), “foram mais de 70 comboios suprimidos”.

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De acordo com a comissão o problema prende-se com a idade e uso do material circulante, situação para a qual vem alertando. Entretanto, as intempéries provocaram deslizamentos de terras, deformações e falta de sustentação da linha. Pedem “empenhamento” na resolução do problema e questionam como é possível que a obra de modernização, que tem estado a decorrer, tenha já falta de drenagem, o que deu origem ao arrastamento de terras para a linha férrea. Também o facto da verificação de todas as infraestruturas estarem a cargo do LNEC, “que atualmente só tem nove técnicos que possam garantir a peritagem”, preocupa a comissão, que antevê um arrastamento dos tempos de entrega dos relatórios de segurança.

Alertam, por isso, para a necessidade de transporte alternativo, rodoviário, durante as obras, para permitir que entre comboio e autocarro, continue a ser garantido o transporte dos passageiros.

Falta concluir eletrificação
A CPDLO exige uma intervenção “urgente” nos locais onde for possível para repor as condições de circulação dos comboios, assim como a existência de material circulante nesta linha. Defendem também a conclusão das obras de modernização e de eletrificação do troço entre Caldas e Meleças e a apresentação do projeto de modernização e de eletrificação do troço entre Caldas e o Louriçal para o arranque das obras que, de acordo com a IP, “terão uma duração de sete anos”, afirmou José Rui Raposo.

O porta voz da comissão garante que só irão desistir quando o problema for ultrapassado. Já solicitou reuniões, com carácter de urgência, à secretária de Estado da Mobilidade e ao presidente da CP, mas ainda não obteve resposta.

Na vigília, que juntou cerca de 30 pessoas, alguns dos utentes da linha partilharam o transtorno causado pelo seu encerramento. Também presente, o presidente da Câmara das Caldas, Vítor Marques, comprometeu-se, em articulação com a OesteCIM, a “acompanhar este processo com total atenção e a exigir, junto da Infraestruturas de Portugal, da CP e do Governo, soluções rápidas, transparentes e eficazes”. O autarca defende uma “maior transparência e informação regular” e a “urgente” implementação de um serviço rodoviário de substituição. Tendo em conta a menor complexidade dos trabalhos já identificados, entende que deve ser dada prioridade à reabertura do troço a norte das Caldas e que, a sul, os trabalhos sejam efetuados por fases, permitindo a reabertura progressiva da linha.
Também a Nazaré exige soluções. Em nota publicada nas redes sociais, o município solicita às entidades responsáveis “informação, prazos e soluções que salvaguardem os interesses da população”. Realça que as freguesias de Famalicão e de Valado dos Frades são particularmente afetadas por esta situação e, lembrando a visita do secretário de Estado da Proteção Civil ao local, pede agora que esse acompanhamento se traduza em “decisões céleres e eficazes”.

O presidente da Câmara das Caldas junto de passageiros e de elementos da CPDLO

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