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Relato de Heraldo Maurício é um testemunho de gerações

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Li o relato do senhor Heraldo Maurício Baptista e gostei muito. É um testemunho de gerações, diria do passado e que pouco ou nada dizem às gerações presentes. Outros tempos, não significando saudades desses tempos, porque a “vida era dura” e ainda havia o chicote, usado por vários “donos” (pais, professores, autoridades policiais, etc), incluindo a sinistra Pide.
“Nascido em 1933, no Algarve, foi para Lisboa com 14 anos”
– Mais velho do que eu em 17 anos, mas, mesmo assim, compreendo o seu percurso de vida porque o meu ainda terá sido(foi) pior. A mim, trouxeram-me para Lisboa com 12 anos, para marçano.
“Fiz o curso industrial na escola Machado Castro e comecei a trabalhar nos estaleiros navais Parry & Son”, nas docas secas em Cacilhas”.
– Não diz se o fez como trabalhador-estudante. Eu, aos 15 anos, matriculei-me na escola comercial nocturna (estruturado para 6 anos letivos para os trabalhadores-estudantes, em vez dos 5 dos não trabalhadores), iniciando a persecução de um sonho interrompido após o exame da quarta classe. Pobreza, com vários componentes.
“…foi para a tropa…”.
– Ainda não tinham eclodido as guerras coloniais, digo eu.
“Depois foi para a Escola Náutica tirar o curso de Máquinas…”.
-Também eu continuei a estudar até à Universidade e sempre como trabalhador-estudante, dos 15 aos 32 anos, incluindo os 3 anos que passei no serviço militar obrigatório (Outubro de 1971 a Outubro de 1974).
“Do Estreito de Ormuz recorda os vários portos para carregar, com diferentes qualidades de combustível, para diversos fins. Ormuz é um estreito, muito desértico” e a maior parte dos portos fica localizado a quilómetros das cidades.”   – Hoje, por causa do conflito militar naquela zona, Ormuz, onde os portugueses aportaram em 1507, liderados por Afonso de Albuquerque e ali estabeleceram uma presença significativa na região, construindo a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, que ainda hoje é um importante marco histórico. A tomada de Ormuz foi um passo importante para os portugueses, pois controlava a entrada do Golfo Pérsico e permitia o acesso a rotas comerciais valiosas. A presença portuguesa em Ormuz durou até 1622, quando a cidade foi conquistada pelos persas (Pérsia, atual Irão, após a queda do “Xá da Pérsia”. O estreito de Ormuz está nas bocas do mundo, porque, ironicamente, não fosse uma passagem estreita, está a “apertar-nos” em toda a linha, porque em tudo (ou quase), combustíveis e provenientes do petróleo são elementos vitais.
São relatos como este do senhor Heraldo Maurício Baptista, na memória dum cidadão um com 93 anos (!), que deveriam ser exibidos nas escolas, principalmente aos alunos mais crescidos (do nono ao décimo segundo ano) para que entendam o valor do estudo e da cidadania, mas, como disse, sem saudades desses tempos. O meu exemplo também faria parte dessa “matéria” escolar.

Serafim Marques

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