Empresa Val de Sol vende cerâmica para o mundo

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José Eduardo Alves é o responsável pela fábrica, sediada em Moitalina, que exporta para o mundo. O gestor, também ceramista, estudou nas Caldas

A empresa Val do Sol, sediada nas Pedreiras (Porto de Mós), foi fundada e ainda hoje mantém-se na família Alves. O responsável é José Eduardo Alves, que deu continuidade à firma fundada pelos familiares oleiros em 1886. São, pois, mais de 100 anos de experiência no fabrico de peças utilitárias de cerâmica que permitiram à Val do Sol ser hoje uma das fábricas referência no que diz respeito à fabricação de loiça de mesa que prima por elevados padrões de qualidade, design contemporâneos e vidrados exclusivos. E com ligações às Caldas.
O responsável da empresa dedicou-se à cerâmica desde jovem, o que inclui ter feito o último curso de cerâmica que decorreu na Escola Comercial e Industrial das Caldas. “Aprendi muito com vários mestres, incluindo técnicas de olaria”, recordou o gestor-ceramista, atento às novas tendências de mercado.
“As novas gerações já não querem a porcelana chinesa. Hoje uma mesa de jantar tem pratos de cores diferentes”, disse o empresário, acrescentando que a Val do Sol possui 50 coleções de peças utilitárias que são vendidas a uma centena de clientes de todo o mundo. “Deste total, há dez, oriundos de toda a Europa e EUA, que adquirem 70 a 80 % da produção”, contou o responsável, que abriu, com os irmãos, em 1987, a empresa que cresceu e hoje emprega 300 funcionários.

Esta loiça utilitária é vendida para todo o mundo. No país algumas lojas e restaurantes adquirem peças desta empresa que aposta forte em investigação e inovação

“Neste momento até exportamos para a China, Japão e Rússia”, afirmou o empresário, que em Portugal vende para algumas lojas e especificamente para restaurantes que “levam peças à medida”, acrescenta.
A firma, que produz 50 mil peças por dia, fatura em média 1,5 milhões de euros/mês, disse o gestor, que quer alcançar uma produção anual entre os 15 e os 16 milhões de peças, num aumento de 20% em relação ao ano anterior.

“Pretendemos aumentar a produção para as 15 a 16 milhões de peças por ano”

José Eduardo Alves

E se os vidrados se multiplicam em mil tons as formas são menos. Cada coleção tem pelo menos um prato, um prato de sobremesa, uma taça para pasta e outra para os cereais e mais algumas de utilização comum como travessas e saladeiras.
À Gazeta das Caldas, José Eduardo Alves contou que durante os anos 1990 fez uma grande aposta na terracota pintada. Também se viveram momentos menos felizes, com a crise de 2001, mas que foram ultrapassados mas que fazem com que o proprietário rejeite qualquer tipo de plano de apoio. “A empresa tem que viver com o que é real”, sublinha.

Visita guiada
“A fábrica está sempre repleta de louça”, diz José Eduardo Alves, enquanto conduz uma visita guiada pela unidade industrial na Moitalina (Porto de Mós), mas perto de Alcobaça. O espaço está povoado de funcionários, que são auxiliados por máquinas que auxiliam nalgumas tarefas, como a pintura.
A Val do Sol produz a própria pasta que usa para a loiça. “Produzo 60 toneladas de pasta por dia para a nossa produção”, disse o gestor, que aposta forte na investigação de materiais, quer em relação à pasta quer em relação aos vidrados. Além do mais, as peças parecem feitas em ateliê, algo que permite manter o interesse de clientes internacionais.
“Abro a porta a tudo o que é artistas”, disse o responsável, que trabalha com ceramistas que fazem trabalho de autor como Carlos Neto e que o ajudam no trabalho de investigação e de experimentação, sobretudo no que diz respeito à pesquisa de produtos naturais. A empresa tem também projetos futuros relacionados com residências artísticas. No entanto, nem tudo são rosas. O preço da energia triplicou e, como tal, como faz em relação às coleções, José Eduardo Alves já está a pensar numa em instalar na fábrica uma alternativa à energia convencional.

Um dos muitos fornos da Val do Sol, empresa que aposta na monocozedura

“Aqui a economia circular é levada a sério, pois tudo é reciclado à exceção do gesso”, informou o gestor. “Alguns vidrados inclusivamente custam menos que zero, pois são feitos a partir das lamas sobrantes”, contou o empresário que coze as suas peças em monocozedura e usa produtos naturais existentes no território como a ardósia para criar vidrados invulgares e cores invulgares em peças de loiça.
Um dos segredos do negócio para José Eduardo Alves é uma aposta forte na experimentação e na inovação. É também necessário ser resiliente e “nunca desistir”. ■