
Teresa Lemos
Coordenadora do GEOTA
O consumo de têxteis na União Europeia (UE) cresceu exponencialmente, impulsionado pelo modelo de fast fashion (moda rápida). Esta moda baseia-se na produção de vestuário barato e descartável, resultando num aumento drástico do desperdício. A transição para uma economia circular — onde as peças são desenhadas para durar e os materiais são reciclados — deixou de ser uma escolha estética para se tornar uma necessidade ambiental urgente.
A produção têxtil é responsável por um consumo excessivo dos recursos naturais, como água para os processos fabris e solos para o cultivo de algodão e por uma poluição hídrica massiva, resultante do tingimento de tecidos e da libertação de microplásticos, com um impacto devastador na saúde das populações locais e dos ecossistemas onde as fábricas estão localizadas.
Segundo dados da EU estima-se que entre 4% a 9% dos produtos colocados no mercado europeu sejam destruídos sem nunca terem sido usados, menos de metade das roupas usadas são recolhidas para reutilização ou reciclagem, e apenas 1% das roupas usadas são recicladas em novas peças de vestuário, uma vez que as tecnologias que permitiriam reciclar as roupas em fibras virgens estão apenas agora a começar a surgir.
Para combater este cenário, a UE adotou o Regulamento de Conceção Ecológica para Produtos Sustentáveis, que introduz mudanças profundas como a proibição de destruição de roupa, calçado e acessórios não vendidos, estabelece novos requisitos de durabilidade, reparabilidade e eficiência energética e promove novos modelos de negócio com incentivo ao aluguer de roupa, ao design para reciclagem e promoção da slow fashion (moda lenta) – roupas de melhor qualidade e que duram mais tempo.
Como consumidores temos o dever de tomar escolhas mais informadas: refletir sobre a utilidade e durabilidade da peça de vestuário que pretendemos comprar; priorizar materiais como o linho ou algodão em vez de fibras sintéticas; prolongar o ciclo de vida dos produtos lavando a temperaturas baixas e reparando as peças em vez de as descartar; apoiar o mercado de segunda mão e marcas com certificações éticas.
Celebra-se este mês, a 22 de abril, o Dia da Terra. Trata-se de um evento cívico mundial, no qual milhões de pessoas participam em todo o mundo através de diversos eventos e ações comunitárias. Sob o lema “Nosso Poder, Nosso Planeta”, a efeméride sublinha que a mudança reside na sociedade civil, apelando a que os pequenos hábitos diários — como adotar uma compra mais sustentável — se transformem em grandes esforços comunitários. É uma oportunidade para garantir a viabilidade dos ecossistemas para as futuras gerações, transformando consciência em ação prática.










