Cebola do Oeste junta-se ao sal de Rio Maior e ao alecrim para criar refeição diferenciada

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FotosCoordenadoresProjecto copyA cebola, sal e alecrim foram os produtos escolhidos para a estreia do projecto pedagógico “Raízes”, no passado dia 15 de Outubro, na Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste (EHTO). Ao longo do ano lectivo os alunos finalistas dos cursos de cozinha e pastelaria, e de restauração e bebidas, irão pesquisar e desenvolver menus especiais de combinação e harmonização de sabores, com os produtos seleccionados.
O projecto Raízes está também relacionado com o universo da “Alimentação Saudável e Sustentável”, que é o tema este ano do projecto nacional Eco-Escolas.

Anti-inflamatório natural, rica em nutrientes e ajuda no combate a doenças respiratórias, a cebola é cada vez mais consumida e o seu aproveitamento em curas é diversificado. Produzido em grandes quantidades nos campos do Sobral da Lagoa e de Alvorninha, este produto tem todos os anos destaque na FRIMOR – Feira Nacional da Cebola, em Rio Maior. Mas não se pense que a cebola é toda igual. As suas características e sabor estão muito dependentes da variedade, do clima e terreno onde é cultivada. A do Sobral, por exemplo, é mais doce e tem menos ácido, o que diminui a vontade de chorar ao cortá-la.
Os alunos da EHTO são a prova disso, pois utilizaram-na na sopa de cebola gratinada. Antes já tinha sido degustada uma entrada de presunto de pato aromatizado com alecrim e em cama de sal de Rio Maior.
A cebola de Alvorninha foi a escolha do grupo, coordenado pelos chefes Rui Tarenta e Tiago Costa, para o prato de salmão defumado ao alecrim com creme de cebola. E porque este produto também pode ser servido como sobremesa, a proposta deste primeiro almoço juntou pedaços de cebola no prato de panna cotta de alecrim com frutos vermelhos.  A refeição foi acompanhada por um Quinta de São Francisco Branco.
Presentes no almoço, os presidentes da Junta de Freguesia de Alvorninha e União de Freguesias de S. Maria, S. Pedro e Sobral da Lagoa, Avelino Custódio e João Rodrigues, mostraram a sua disponibilidade para começar a trabalhar na criação da marca Cebola do Oeste.
Em Alvorninha existem cerca de 35 ceboleiros que produzem anualmente pouco mais de mil toneladas de cebola. No Sobral a produção ascende a cerca de três mil toneladas e é garantida por 40 produtores. Esta é também uma das poucas zonas onde se produz cebola duas vezes por ano. Nas terras altas o cultivo decorre entre Janeiro e Março e a apanha entre Junho e Julho, tendo esta cebola a particularidade de apenas ser consumida até Agosto. Já nos baixios o cultivo faz-se entre Abril e Maio e a apanha em Agosto, permitindo o seu consumo até Abril.
João Rodrigues não esconde o seu agrado em ver um cada vez maior aproveitamento das potencialidades deste produto. “É maravilhoso ver a cebola em todos os pratos”, disse, destacando a sua mais recente aplicação, ao nível das sobremesas.
Também na Feira de Rio Maior a organização tem tentado dar um impulso a este produto, apostando no sector agroalimentar, disse João Candoso, vereador responsável pelos mercados e feiras, também ali presente.
E para temperar os produtos locais nada melhor que um sal de alta qualidade, produzido nas salinas de Rio Maior. Feito de forma artesanal e apenas durante o Verão, este produto gourmet é utilizado de norte a sul do país por chefs de cozinha, alguns deles premiados com estrelas Michelin, contou Luís Lopes, da Loja do Sal.
O projecto Raízes arrancou com estes três produtos, mas na próxima sexta-feira  o destaque será dado ao bacalhau e à azeitona.
No segundo semestre será iniciado um outro projecto, com as turmas do segundo ano, denominado “Sabores do Oeste” e que vai concentrar-se nas freguesias da região.

Fátima Ferreira
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